Elon Não Acredita na Morte: questão de questões

Elon (Rômulo Braga) se dirige ao local de trabalho de sua esposa, Madalena (Clara Choveaux), uma caótica fábrica prestes a apagar suas luzes ao fim do expediente. Ela não está lá, apesar dele afirmar que combinou de buscá-la. Elon Não Acredita na Morte (2016), primeiro longa-metragem dirigido por Ricardo Alves Júnior, parte desta base simples, já edificada pelo curta Tremor (2013), e compõe uma experiência cinematográfica labiríntica, em que a cada esquina/corte diversas ramificações se materializam diante do espectador. Aos dois Elons (no curta, interpretado por Elon Rabin) somos apresentados de costas, evidenciando o cabelo trançado de um, uma mecha loira peculiar em outro. Homens que à primeira vista pelo senso comum podem ser entendidos como maltrapilhos. Em Tremor, Madalena já está perdida há três semanas, enquanto aqui acompanhamos Elon desde a primeira constatação do sumiço da amada. Ambas as obras, porém, terminam no mesmo lugar. A expansão sobre o filme original não se pauta necessariamente em tornar a trama mais densa, mas sim em habitar a projeção com ainda mais incertezas e barreiras.
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