Tratar Ayka (2018) como um estudo sobre mulheres imigrantes na Rússia seria redutor. O filme em questão é isto e ainda mais. Ayka tira o ar mesmo de plateias acostumadas a verem na tela as desgraças da civilização.

O cenário escolhido para mostrar uma mulher que foge da maternidade após dar à luz, sem levar o bebê, é uma Moscou impessoal, onde não há edifícios, praças ou ruas de fácil identificação. A neve é personagem que torna todos os lugares em massa embranquecida e opressora. Tudo oprime a protagonista. Das ordas de usuários do metrô até a própria câmera, que em metáfora gruda no corpo de Ayka, no rosto de Ayka. A câmera que expõe é a mesma que empurra, que sufoca.

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