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Rocketman: Dispositivo inocente

Do centralismo obsessivo e quase messiânico de Martin Scorsese em O Lobo de Wall Street (2013) ao embalsamamento panegírico de F. Gary Gray em Straight Outta Compton (2015), os filmes americanos contemporâneos de viagem ao inferno cada vez mais buscam centrar-se em um movimento operístico que possa servir de muleta ou artifício como enfeite do jogo narrativo. Ou seja: há, na maioria das vezes, uma linhagem narrativa previamente traçada – que passa pela pirâmide da ascensão, queda e recuperação – assim como há um esforço muito evidente para diferenciar cada um dos produtos desse star system através das distintas abordagens que os mesmos supõem proporcionar a determinados públicos. Dessa forma, parece mais justo abordar Rocketman (2019) como um filme que não necessariamente se propõe a desvirtuar qualquer ordem natural da indústria americana, mas sim partir de seu virtuosismo esforçado em maquiar ao máximo as rédeas a que está preso.