A Vida Provisória: Notas do subsolo

Antes de qualquer imagem ser exibida, A Vida Provisória (1968), de Maurício Gomes Leite, começa com um letreiro que reitera: “Um filme de ficção”. As cartas são postas em duas espécies de trailers que se alternam com a retumbante sequência de créditos iniciais. Sobre planos que se repetirão adiante, a narração estabelece que trataria-se de um filme baseado em anotações incompletas encontradas no quarto de hotel de Estevão (Paulo José). “Em muitos pontos nossa equipe tomou a liberdade – e a cautela – de apenas sugerir os acontecimentos.” Está declarada uma aura de clandestinidade que virá a emanar de cada quadro; sugere-se estar prestes a ver o proibido. Ora, A Vida Provisória é um filme de 1968 e, mais importante ainda, sobre 1968.
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