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Tag: Marco Dutra

Expectativa – 30 filmes para 2020

Cada vez mais os estúdios de Hollywood preferem investir em produções certeiras para arrecadamento: filmes de super-heróis, de ação e terror. Não há nada de errado com essas realizações, porém o volume desse tipo de filme se torna insustentável para as salas e até mesmo para o público. Novos repertórios não são criados e o cinema como produto vira um enlatado barato, formulaico. Além disso, nem tudo é uma guerra entre DC e Marvel. Não é de hoje essa crise. Felizmente, sempre há grandes filmes que despontam por colocar o público a refletir a respeito da sociedade e política, sobre os relacionamentos e escolhas e como elas impactam o seu entorno. Aqui estão algumas.

Confira abaixo a nossa lista de expectativas com 30 filmes para 2020.

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Melhores filmes de 2018

Mais um ano acaba e como sempre, realizamos nossa já tradicional listagem de melhores filmes assistidos conforme lançados comercialmente no Brasil. A partir desse ano também iremos considerar os lançamentos realizados exclusivamente por plataformas de streaming. E a abertura para esses filmes distribuídos em larga escala digitalmente tornou possível a entrada de dois títulos em nossa lista: duas produções elogiadas e premiadas em festivais internacionais como Veneza e Cannes, uma mexicana e outra italiana.
O Brasil está em destaque em nossa listagem com quatro títulos (um deles como co-produtor) que refletem muito a respeito da diversidade da cinematografia brasileira contemporânea. Houve ainda espaço para duas produções francesas e mais duas de alguns dos diretores norte-americanos mais importantes das últimas décadas. Em tempos de obscurantismo e retrocesso político, essa lista e a lista individual de todos os envolvidos não deixa de ser ato de resistência. Que venha 2019. Resistiremos.

Confira a nossa lista de melhores do ano e logo em seguida a lista individual de cada um dos colaboradores.
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O dois em um de As boas maneiras

É automático que se associe o nome da cineasta Juliana Rojas ao cinema fantástico. Em seus trabalhos anteriores, a diretora fez uso de elementos do suspense e do terror para contar suas histórias, em geral com algum comentário pertinente de ordem social. No longa Trabalhar Cansa (2011), parceria com Marco Dutra, o mistério e o drama se unem em um minimercado onde o desemprego, a relação patrão-empregado e fenômenos estranhos conduzem a narrativa. Já em Sinfonia da Necrópole (2014), certo humor surge em um musical que se passa em um cemitério e oferece um discurso claro sobre a especulação imobiliária.

Neste As boas maneiras (2017), Rojas volta a trabalhar com seu parceiro habitual e flerta com o universo dos lobisomens. Na trama, Clara, uma empregada doméstica da periferia de São Paulo, é contratada para acompanhar e auxiliar Ana, mãe solteira de classe alta, em sua gravidez que se mostra arriscada com o passar do tempo. Aos poucos, a necessidade incontrolável de Ana por carne vermelha e seu sonambulismo trazem à tona estranhos e bizarros acontecimentos que antecipam a chegada de uma perigosa criatura.
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O Silêncio do Céu e os brados da terra

Uma rocha, colocada sobre uma escrivaninha, assombra insidiosamente o lar de Mario e Diana em um subúrbio uruguaio, lembrança constante do trauma silenciosamente compartilhado que inaugura a projeção de O Silêncio do Céu (Era el Cielo, 2016). Diana, interpretada por Carolina Dieckmann, é estuprada por dois homens dentro de sua própria casa. O chiado da água fervente os alarma e eles rapidamente a deixam jogada a esmo. Ela se levanta e liga para Mario (o argentino Leonardo Sbaraglia) pedindo para que busque os filhos na escola, chegando a perguntá-lo se algo teria acontecido com ele, e à mesa de jantar omite seu ataque, agindo como se nada a houvesse afetado. O que ela não sabe e, por alguns minutos, o espectador tampouco, é que Mario presenciou o estupro. A rocha, retirada do quintal, serviria de arma provisória até o marido encontrar uma tesoura, já sem tempo de alcançar os agressores. Deixada, lá permanece. Com desenrolar da trama, adaptada do romance de Sergio Bizzio, a pedra revela-se um dos símbolos-chave que orbitam a relação entre o casal, desestabilizada – ou escancarada – pós-trauma. O Silêncio do Céu é um filme de e sobre imobilidade. Assisti-lo é observar natureza morta.

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