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O futuro como festival da fé em Divino Amor

O Brasil em 2027. Se o exercício é o de imaginar como vamos estar organizados como sociedade daqui a 18 anos, múltiplas respostas montam um mosaico de cenários: economicamente instáveis; reféns de uma política autoritária; esperando a volta do Messias; menos laico que nunca. O diretor Gabriel Mascaro (Ventos de Agosto; Doméstica) apresenta uma distopia nem-tão-inimaginável assim em Divino Amor (2019).

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O mito Tirandentes em Joaquim

Trata-se de um dos mais ricos gêneros cinematográficos, mas também um campo no qual cair no lugar-comum e na superficialidade é um risco constante. O filme histórico ou biográfico possui armadilhas a cada etapa de sua confecção. Uma idealização pode aproximá-lo das hagiografias, os livros que relatavam as vidas dos santos, o que pode ser uma escolha fatal dependendo da figura ou fato retratado. Ao mesmo tempo, a busca por uma imparcialidade ou tentativa de resumir os eventos ou a vida de determinada personalidade pode garantir a onipresença dessa tipologia em temporadas de prêmios e em trabalhos escolares, mas parece esvaziar a obra de maior conteúdo reflexivo ou narrativo, pois ignora o óbvio paradoxo: uma vida ou um fato histórico jamais caberá num filme. Mais do que um recorte, um filme histórico precisa ter consciência do tema com o qual trabalha, e que se manifesta em todas as escolhas estéticas.