O descompasso de Tal Mãe, Tal Filha

Tal Mãe, Tal Filha (Telle Mère, Telle Fille, 2017) não possui grandes qualidades, aliás, talveznão possua nenhuma. É um filme histérico, desajustado com piadas pobres e uma edição que deixa a desejar. Parece uma produção que não sabe o que é e atira para todos os lados com reviravoltas e reações descompassadas. Noémi Saglio, diretora e co-roteirista cria situações em que as ações beiram ao ridículo sem nunca cair no tom que busca: o cômico.

A graça se transforma em vergonha alheia facilmente na história de uma mãe extrovertida, Manon (Binoche), e Avril (Camille Cottin) a sua filha grávida. Elas são contrapontos. Enquanto a mãe é destrambelhada, a filha é o cúmulo da organização e controle. A relação que já é amarga e conflituosa, desanda ainda mais depois que Avril descobre que sua mãe quarentona está grávida logo quando ela também está. Reside aí uma justificativa que pouco convence na narrativa: a filha acha que Manon está roubando o seu protagonismo. É uma desavença histérica que não instiga e se desenvolve corretamente no formato de comédia nonsense.

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Personal Shopper: minimalismo, espiritualidade e ceticismo

1200Talvez por brincar com tópicos incomuns ao seu cinema, como o espiritualismo e o sobrenatural, muitos espectadores, em especial a crítica, não simpatizaram com Personal Shopper (2016), o novo filme do cineasta francês Olivier Assayas. A produção rendeu ao realizador a Palma de Ouro de Melhor Direção no Festival de Cannes do ano passado, mesmo após uma recepção morna e polêmica no evento. Essas contradições tornam o filme ainda mais único e interessante para ser analisado.

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