“O plano não é um espaço composto pictoricamente no qual o corpo encontra seu lugar, mas um tipo de vestimenta, de véu que cobre seus deslocamentos, se calca no seu gestual.”

(Jean-Marc Lalanne, Cahiers du Cinema n°596)

Em dado momento de A Estética do Filme, Jacques Aumont vem a deparar-se com o embate entre plano e campo: tudo que há dentro do plano, pertence a ele. O espaço que o cerca, porém, pode ser infinito – fato esse que delimita o campo. A noção de tamanho imaginário, que, por vezes, pode ser subversivo, atravessa as questões mais arrebatadoras do cinema contemporâneo. Há o que está em tela, em quadro, imagem arredia. Mas com o que exatamente ela se relaciona? Que mundo à cerca? Com quem se comunica? Sobra aí, dentro dessa zona cinzenta, uma síndrome melindrosa para guiar, um espaço aberto que constantemente continua a ressignificar as interpretações e intempéries dos mais distintos realizadores.

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