Eu, Tonya e as imperfeições do herói

A imagem do herói é construída principalmente através de seus problemas, a maneira com que vence os desafios à procura de sua recompensa. O conceito da Jornada do Herói na narratologia cria o imaginário de que é preciso sofrer para alcançar o que se almeja. Basicamente foi nesse estereotipo que o cinema industrial se edificou, principalmente na figura do mocinho no western.

Há um tanto de ironia quando tratamos de heróis modernos e quase sempre essa figura está relacionada a celebridades. A mídia cria os mártires contemporâneos, vendendo suas histórias de vida e tudo que enfrentaram até chegar ao estrelato. Não é à toa que as biopics fazem tanto sucesso. No caso de Eu, Tonya (I, Tonya, 2017), filme que conta a história de vida da patinadora estadunidense Tonya Harding com ênfase nos anos 90, há um quê de espetacularização demasiadamente perigosa.
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