Jogador Número Um: A idade da profanação

A peça central de Jogador Número Um (Ready Player One, 2018), sequência que sintetiza sua teleologia, vem sido ocultada por uma parcela da crítica, sendo referida apenas como a fatídica sequência. Descrevê-la, portanto, está comumente entendido como um spoiler. O jargão que define a revelação maliciosa de detalhes cruciais ao aproveitamento de uma trama, é mais imediatamente associado à cultura contemporânea da internet e das séries de televisão. O incentivo à rarefação destas informações, no entanto, é prática consolidada por décadas. Como não lembrar do clássico slogan de divulgação de Psicose (“Não revelem o final, é o único que temos!”)? No novo longa de Spielberg, porém, estragar o conteúdo de sua pièce de résistance não significa entregar um twist de roteiro ou uma guinada que desestabilize a maneira como o filme foi conduzido até então. Significa desmantelar toda uma sistemática de apropriações de cultura pop ao entregar sua referência-mor, designada para causar sorrisos e suspiros de reconhecimento nas plateias nerds.
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