Mulheres no Cinema: Ana Carolina

O cinema de Ana Carolina é, acima de tudo, desbocado. É uma poética do chulo, iconoclastia dos mitos populares e a santificação dos fluidos corporais. Não é à toa que o banheiro seja uma constante ao longo de seus filmes, um ambiente de intimidade pura em que as máscaras caem e os desafetos, angústias e desejos vêm à tona.

Muito se fala da histeria em seus filmes, matéria-prima de seu registro dramático. Atrizes e atores esbravejam estridentes (como não lembrar de Myriam Muniz?), deixando-se possuir pelo absurdo que se instaura progressivamente em cada sequência. Esse aflorar exponencial dos sentidos se dá à precisão com que Ana Carolina conduz suas obras. É uma diretora que sabe onde quer chegar, desenvolvendo uma estética própria sem nenhuma concessão ㅡ e, talvez por isso, tenha conseguido filmar tão pouco ao longo de sua carreira.
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