Categorias
Críticas

Personal Shopper: minimalismo, espiritualidade e ceticismo

1200Talvez por brincar com tópicos incomuns ao seu cinema, como o espiritualismo e o sobrenatural, muitos espectadores, em especial a crítica, não simpatizaram com Personal Shopper (2016), o novo filme do cineasta francês Olivier Assayas. A produção rendeu ao realizador a Palma de Ouro de Melhor Direção no Festival de Cannes do ano passado, mesmo após uma recepção morna e polêmica no evento. Essas contradições tornam o filme ainda mais único e interessante para ser analisado.

É fato que o diretor se afeiçoou muitíssimo por Kristen Stewart após a sua performance em Acima das Nuvens (Clouds of Sils Maria, 2014). Este seu longa-metragem recebeu mais de quinze prêmios, entre os quais estão vários dedicados à atriz norte-americana. Assayas já externou que considera Stewart a melhor atriz da geração atual, então não é surpresa ela estar presente em praticamente todas as cenas de Personal Shopper. Já a comparação com Acima das Nuvens é digna de citação, pois Kristen contracenava com ninguém menos que Juliette Binoche e aqui em Shopper assistimos a atriz carregar o filme sozinha e com grande êxito. Vale destacar ainda que o personagem com quem a protagonista mais interage está presente através de mensagens de celular de um número desconhecido.

Kristen-Stewart-Personal-Shopper

Na trama, Stewart é Maureen, uma profissional que compra roupas e acessórios para personalidades ricas. Com a recente morte de seu irmão gêmeo e médium, a garota busca algum indício de vida após a morte. Inusitado e construído com fantasmas, espíritos e leves sustos, o filme possui uma tensão muito bem desenvolvida por Assayas. A dúvida que paira para a protagonista e também para o espectador é se aquilo tudo é real ou não. Estaria o irmão tentando contato do além? Tudo é muito bem refletido pelo ceticismo da personagem rebelde de Stewart associado a um clima de suspense presente durante toda a projeção.

Como saldo, Personal Shopper é um filme minimalista sobre perdas. Pode ser considerado também sobre espíritos, mas se o é, acaba sendo naturalmente, sem pregar ou definir uma opinião a respeito. É um filme ousado onde a protagonista é imperfeita e complexa. Assayas desenvolve seu roteiro e atmosfera sobre acontecimentos que não compreendemos muito bem, em especial as atitudes das pessoas. Um filme marcante que incita a ser revisto assim que acaba.

Por Pirs Duval

Formado em Jornalismo pela UCPel, Roberto (pirs) morou três anos em Toronto, onde trabalhou crítico de cinema para diversos veículos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *