Mulheres no cinema: Kathryn Bigelow

Trinta anos separam o seu curta-metragem de formatura na Universidade da Columbia até o Oscar de Melhor Direção, o primeiro a ser entregue a uma mulher na história da premiação. Neste meio tempo, a cineasta Kathryn Bigelow dirigiu sete longa-metragens que foram do horror vampiresco ao drama de época. Na maior parte deles, uma predileção por certa violência e convenções do gênero de ação é notória. Há, porém, espaço para algumas surpresas, caso da personagem de Jamie Lee Curtis em Jogo Perverso (Blue Steel,1989), protagonista feminina em um nicho dominado por machões.
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Eu, Tonya e as imperfeições do herói

A imagem do herói é construída principalmente através de seus problemas, a maneira com que vence os desafios à procura de sua recompensa. O conceito da Jornada do Herói na narratologia cria o imaginário de que é preciso sofrer para alcançar o que se almeja. Basicamente foi nesse estereotipo que o cinema industrial se edificou, principalmente na figura do mocinho no western.

Há um tanto de ironia quando tratamos de heróis modernos e quase sempre essa figura está relacionada a celebridades. A mídia cria os mártires contemporâneos, vendendo suas histórias de vida e tudo que enfrentaram até chegar ao estrelato. Não é à toa que as biopics fazem tanto sucesso. No caso de Eu, Tonya (I, Tonya, 2017), filme que conta a história de vida da patinadora estadunidense Tonya Harding com ênfase nos anos 90, há um quê de espetacularização demasiadamente perigosa.
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Melhores Filmes de 2017

O documentário Martírio é o melhor filme de 2017 pelo Calvero

Com a chegada do final do ano todo crítico realiza a sua religiosa lista de melhores filmes assistidos durante o período. E, claro, não estamos fora desse balaio. Conforme realizado em 2016, nosso site dá continuidade em selecionar os 10 melhores filmes segundo o nosso time. Em 2017 estipulamos como critério a inclusão da lista dos colaboradores mais ativos e como recorte serão selecionadas apenas produções lançadas comercialmente no ano. Anteriormente vivíamos fora da curva, elencando o que havíamos assistido em festivais e mostras, alinhados mais com o circuito estrangeiro do que o nacional. Agora decidimos nos adequar à editoria clássica das listagens que inundam a internet. É o que parece ser o correto, mesmo não sendo a quebra de paradigma que gostaríamos. Mas vamos deixar o teor disruptivo para os filmes selecionados e que refletem cada vez mais a necessidade de destacar direitos e representatividade em diferentes esferas. Que 2018 continue nos tirando da zona de conforto com produções que modifiquem o status quo e abram sempre nossas mentes para debates.

Confira a nossa lista de melhores do ano e logo em seguida a lista individual de cada um dos colaboradores.

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Projeto Flórida: Da falência dos sonhos

Orlando. Um casal em lua de mel desembarca no baratíssimo motel Magic Castle, tendo confundido-o com o Magic Kingdom da Disney no momento de fazer a reserva. A esposa, brasileira, não entende inglês, e se desespera diante da ralé, esbravejando ao marido: “Isso aqui é uma favela? É o projeto?”. Interessante que Projeto Flórida (2017) empenhado em diagnosticar um “estado das coisas” do neoliberalismo estadunidense (remetendo ao recente Docinho da América, 2016, de Andrea Arnold), pincele questões de classe análogas a nossa própria situação sociopolítica, ainda mais especificamente pelo retrato da pobreza através da perspectiva infantil. Em tempos de “protejam nossas crianças”, o filme se apropria de uma iconografia lúdica, imediatamente associável à famigerada “fábrica de sonhos”, e a desvirtua, profana, como se questionasse: nós sabemos exatamente do que protegê-las?
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Lady Bird – nascido para ser cult

Se a espectadora ou o espectador cresceu em uma cidade do interior, certamente terá uma afinidade maior com a trama. A euforia da ideia de sair de um pequeno lugar e partir rumo ao enorme e desconhecido é meio intransferível. Mas nem só o público que se viu livre do interior é capaz de se aproximar e, eventualmente, se apaixonar pelo filme de Greta Gerwig. Os adeptos podem ser bem cosmopolitas.

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Pendular – Amar é um pêndulo

Pendular (2017), dirigido por Júlia Murat, não é o primeiro e com certeza não será o último dos filmes neste planeta a falar de relacionamentos em crise. Mas com certeza é um dos poucos que questiona a ideia vendida pela publicidade e por tantas produções audiovisuais de que uma relação passa por fases boas e ruins, assim, bem definidas e identificáveis. Júlia foi buscar inspiração na fonte certa, a sempre inovadora e surpreendente artista Marina Abramović, que na performance intitulada Rest Energy, onde, acompanhada de seu companheiro Ulay, tentava manter o equilíbrio para evitar que uma flecha segurada por ele atingisse seu peito. Marina colocou na mão do homem que amava algo que colocava sua vida em risco. E não seria isso que acontece quando optamos por dividir a vida com alguém?
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Panorama da 1ª Mostra de Cinema Negro de Pelotas

Chico, dos irmãos Carvalho

A Mostra de Cinema Negro de Pelotas, realizada entre 22 e 24 de novembro de 2017, surge em oportuno momento histórico, trazendo à tona doze exemplares da produção audiovisual brasileira recente, todos realizados por negros, que atestam a importância da ocupação dos espaços de poder na realização artística e da tomada de posse das narrativas no processo de descolonização do imaginário nacional. Com a democratização do acesso aos meios de produção, incumbe a iniciativas como a da curadoria o dever de potencializar o acesso a estes produtos, proporcionando à comunidade um espaço de reflexão e comunhão atravessado por filmes que não mais recorrem unicamente à imagem do sofrimento de corpos negros, mas que navegam suas individualidades, afetos e sensibilidades. Este texto pretende estabelecer um panorama dos curtas exibidos, com breves comentários que contextualizam cada obra.
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