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Expectativa – 30 filmes para 2020

Cada vez mais os estúdios de Hollywood preferem investir em produções certeiras para arrecadamento: filmes de super-heróis, de ação e terror. Não há nada de errado com essas realizações, porém o volume desse tipo de filme se torna insustentável para as salas e até mesmo para o público. Novos repertórios não são criados e o cinema como produto vira um enlatado barato, formulaico. Além disso, nem tudo é uma guerra entre DC e Marvel. Não é de hoje essa crise. Felizmente, sempre há grandes filmes que despontam por colocar o público a refletir a respeito da sociedade e política, sobre os relacionamentos e escolhas e como elas impactam o seu entorno. Aqui estão algumas.

Confira abaixo a nossa lista de expectativas com 30 filmes para 2020.

 

Memoria, de Apichatpong Weerasethakul
Somente os nomes envolvidos em Memoria já bastariam para incitar a curiosidade. Weerasethakul dirige ninguém mais, ninguém menos que a grandiosa Tilda Swinton. Filmado na Colombia, Memoria trata de uma escocesa que ao viajar para a América Latina começa a notar sons estranhos. Logo ela começa a imaginar a aparência que os sons podem ter e a linha tênue entre realidade e fantasia começa a se mesclar e mundos a colidir.

 

Dick Johnson, Kirsten Johnson
A diretora do elogiado e premiado Cameraperson retorna à direção realizando um trabalho colaborativo junto de seu pai, Dick. Johnson já resumiu o projeto em entrevistas como uma exploração visual sobre a morte, o surrealismo da demência e o cinema como capacidade criativa de vida. “Com a magia da ficção, e a ajuda de alguns dublês, meu pai irá morrer inesperadamente em cada cena do filme, até que ele realmente morre e não há nada que possamos fazer para parar isso”, a diretora declarou para a revista Film Comment em meados de 2018. Kirsten é uma reconhecida diretora de fotografia de diversos documentários como The Oath, da cineasta Laura Poitras e Citzenfour, de Gini Reticker. Um lançamento da Netflix.

 

First Cow, de Kelly Reichardt
Richardt é uma das grandes realizadoras da atualidade. Foi responsável por filmes como o delicado Wendy & Lucy e a mistura western e road movie que foi O Atalho. Aqui em First Cow, John Magaro interpreta um solitário viajante que se junta a um grupo de caçadores de peles no Oregon e acaba por encontrar uma conexão com um imigrante chinês. Eles começam a colaborar juntos nos negócios, mas tudo começa a ir de mal a pior quando um rico investidor ganha um concurso de vaca leiteira na região e ameaça os negócios da dupla. Selecionado para o Festival de Berlim.

 

Ghost of Lina Bo Bardi, de Isaac Julien
Fernanda Torres e Fernanda Montenegro se reúnem para protagonizar a história de vida da arquiteta italo-brasileira Lina Bo Bardi nesta produção britânica dirigida pelo videoartista Isaac Julien (do documentário Derek, sobre o diretor Derek Jarman). Pouco se sabe sobre a trama ou o tom que trará. Pode não ser uma cinebiografia convencional, tendo em vista os trabalhos com teor mais experimental que Julien costuma desenvolver. Vale lembrar que Bo Bardi foi a responsável pelo projeto de edifícios como o Museu de Arte de São Paulo, o Sesc Pompéia e o Teatro Oficina. 

 

Vento Seco, de Daniel Nolasco
Outra produção selecionada para o Festival de Berlim deste ano, este filme brasileiro trata de Sandro, que trabalha na área de recursos humanos de uma mineradora e se envolve sexualmente às escondidas com Ricardo, um colega de trabalho. À beira da piscina de um clube desperta seu desejo obsessivo por um outro rapaz que acaba trabalhando na mineradora. O cenário se agrava quando Sandro descobre que Maicon e Ricardo estão tendo um caso às escondidas também.

 

Bergman Island, de Mia Hansen-Løve
Mais nova realização da talentosa diretora francesa Mia Hansen-Løve, a produção reúne Mia Wasikowska, Tim Roth e Vicky Krieps (do elogiado Trama Fantasma). A história gira em torno de um casal de realizadores americanos que decidem se isolar em uma ilha durante o verão e escrever o roteiro de um filme que planejam. O local escolhido é um dos que inspirou o diretor Ingmar Bergman e conforme o roteiro avança as linhas entre realidade e ficção se confundem.

 

Promising Young Woman, de Emerald Fennell
Carey Mulligan estrela essa produção exibida no Festival de Sundance de 2020 com críticas muito elogiosas. Na trama, uma jovem após diversos traumas com homens falsos e abusivos, decide buscar vingança. Na direção está a atriz Emerald Fennell, responsável pelo roteiro de alguns episódios de Killing Eve

 

Benedetta, de Paul Verhoeven
Depois do sucesso estrondoso de Elle, Verhoeven está de volta e continua filmando na França mais uma história com traços eróticos. Virginie Efira interpreta uma freira italiana que sofre com diversas visões religiosas e eróticas. Contando com os cuidados de uma outra freira para se curar disso, a relação das duas começa a se aprofundar transformando-se em um caso amoroso. 

 

Todos os Mortos, de Caetano Gotardo e Marco Dutra
Ambientado no final do século XIX, a produção dirigida pela dupla Gotardo e Dutra, conta sobre o declínio de uma família paulistana pela ótica de três mulheres e se desenrola a partir do falecimento da empregada doméstica que serve a elas desde quando era escrava na fazenda de café da família. Selecionado para o Festival de Berlim concorrendo ao Urso de Ouro.

 

The French Dispatch, de Wes Anderson
Disciplinado como sempre, Wes Anderson lança um longa-metragem a cada dois anos e em 2020 é chegada a hora de The French Dispatch, produção que traz um dos seus mais estrelados elencos. Uma dramédia, a produção foi descrita como “uma carta de amor aos jornalistas” e traz à vida uma coleção de contos publicados em um jornal ficcional. Estrelado pela vencedora do Oscar Frances McDormand, o elenco ainda conta com Léa Seydoux, Bill Murray, Willem Dafoe, Elizabeth Moss, Timothée Chalamet, Saiorse Ronan, Cécile de France, Tilda Swinton, Benicio Del Toro e Christoph Waltz.

 

Mank, de David Fincher
A parceria de Fincher com a Netflix se fortifica mais uma vez com a produção de Mank. Gary Oldman estrela como o roteirista Herman J. Mankiewicz e o complicado desenvolvimento da produção de Cidadão Kane, dirigido e estrelado por Orson Welles. Tom Burke interpreta o icônico diretor. A produção certamente será lançada próxima da temporada de premiações de 2020/2021. 

 

The Souvenir – Parte II, de Joanna Hogg
Sem lançamento no Brasil até o momento, a primeira parte de The Souvenir foi uma das grandes revelações do cinema britânico em 2019. Esta sequência dá cabo dos acontecimentos e amadurecimento dos personagens através dos tempos. Delicado e sem pirotecnias, Hogg cria suas produções com a sutileza de uma Mia Hansen-Løve, dedicada aos detalhes e a criar personagens femininas interessantes e complexas. Martin Scorsese será o produtor executivo.

 

On The Rocks, de Sofia Coppola
Sofia Coppola e Bill Murray reprisam sua rica parceria, que rendeu o excepcional Encontros e Desencontros, nessa dramédia sobre uma jovem (Rashida Jones) que busca se reconectar com o seu pai “playboy” e distante (Murray). O tema não é novidade na filmografia da diretora que já tratou sobre em Um Lugar Qualquer, por exemplo. É provável que a estreia seja em Cannes, como todas as recentes produções da diretora.

 

Ammonite, de Francis Lee
O realizador inglês Francis Lee, que também é ator, finalmente lança o seu aguardado Ammonite que reúne Kate Winslet e Saiorse Ronan na Inglaterra do século XIX ao tratar do relacionamento de uma caçadora de fósseis solitária (Winslet) e uma garota rica (Ronan) que chega ao seu vilarejo. Lee foi responsável pela realização de God’s Own Country (2017), delicado filme sobre um casal gay no interior da Inglaterra.



 

Duna, de Denis Villeneuve
Querendo ou não, Denis Villeneuve foi catapultado a um dos grandes realizadores da atualidade. O canadense foi responsável por produções importantes como Sicario e a continuação de Blade Runner, Blade Runner 2049. O trabalho nesse último brilhou os olhos dos estúdios para que finalmente fosse refeito para as telonas com pompa e segurança a adaptação de Duna, livro escrito por Frank Herbert. Estrelando Timothée Chalamet, a estreia é aguardada para dezembro e possibilitando a inserção do filme para a temporada de premiações. 

 

The Roads Not Taken, de Sally Potter
Leo e Molly são pai e filha. E enquanto andam por Nova York, a garota precisa lidar com o desafio que é a mente de seu patriarca que alucina constantemente e cria vidas paralelas. Dirigido por Sally Potter, de Orlando, o longa é estrelado por Javier Bardem e Elle Fanning, além de contar com as participações de Salma Hayek e Laura Linney.

 

Never Rarely Sometimes Always, de Eliza Hittman
Realizadora de Beach Rats, Hittman é uma das diretoras a se manter a atenção. Co-produzido pela BBC e produtoras americanas, Never Rarely Sometimes Always é sobre duas amigas que vivem na área rural da Pensilvânia e viajam até Nova York em busca de ajuda médica para lidarem com uma gravidez não planejada. Tratando do universo jovem, seus amadurecimentos bruscos e a busca pela própria identidade em um mundo rodeado de preconceitos, Hittman mais uma vez vira seu olhar para as áreas marginalizadas dos Estados Unidos. Selecionado para o Festival de Berlim.

 

Mob Girl, de Paolo Sorrentino
Paolo Sorrentino e Jennifer Lawrence são dois nomes que acredito nunca ter cogitado ver lado a lado. Mas o diretor italiano não é iniciante ao trabalhar com atores de língua inglesa. Harvey Keitel, Sean Penn, Jane Fonda e Rachel Weisz já realizaram trabalhos com o realizador. A trama de Mob Girl é de um thriller protagonizado por uma mulher e seu filho (Lawrence interpreta a mãe), que se torna uma informante da máfia italiana para o FBI.

 

Annette, de Leos Carax
Musical estrelado por Adam Driver e Marion Cottilard, Annette é dirigido por Leos Carax, responsável pelo impactante Holy Motors. Na trama, Driver interpreta um comediante de stand-up casado com uma cantora de ópera (Cottilard). O universo do casal muda quando é descoberto terem uma filha com poderes especiais. É provável que a produção apareça na seleção do Festival de Cannes em maio.

 

Pedro, de Laís Bodansky
Depois do sucesso de Como Nossos Pais, Laís Bodansky retorna com este drama histórico e ao mesmo tempo intimista sobre a vida de Dom Pedro I, interpretado aqui por Cauã Raymond. O recorte de Bodansky é quando em 1831, Dom Pedro retorna à Europa após abdicar ao trono do Brasil e é aí que a diretora entra nas reflexões e dúvidas do rei sobre sua administração no país. 

 

Shirley, de Josephine Decker
Produzido por Martin Scorsese, esta produção exibida no Festival de Sundance com grandes elogios é dirigida por Josephine Decker (de Madeline’s Madeline) e trata de uma famosa escritora de livros de horror, Shirley, que encontra inspiração para seu próximo livro quando ela e o marido, um professor e crítico literário, hospedam em sua casa um de seus estudantes e sua mulher grávida. No elenco, Elizabeth Moss e Michael Stuhlbarg.

 

Kajillionaire, de Miranda July
Já se vão quase 10 anos desde o último longa-metragem de Miranda July. Kajilionaire foi produzido e com intenções de ser distribuído pela Annapurna, que passa por um processo de quase-falência. O filme segue os passos de Old Dolio (Evan Rachel Wood), uma garota que tem sua vida virada do avesso quando seus pais, interpretados por Debra Winger e Richard Jenkins, decidem convidar um novo integrante para o golpe que estavam planejando. Exibido no Festival de Sundance com grandes elogios, o filme deve estrear nos cinemas americanos no final do ano.

 

The Nest, de Sean Durkin
Diretor de Martha Marcy May Marlene, Sean Durkin passou os últimos anos mais dedicado à cadeira de produtor do que de realizador. Reunindo Carrie Coon, Jude Law e Charlie Shotwell em The Nest Durkin traz a história de um casal que começa a ganhar contornos desgastantes quando o patriarca decide levar a família para morar em sua terra natal na Inglaterra para buscar oportunidades e novos negócios. O retrato que Durkin apresenta, segundo o crítico Jordan Raup é “de uma família fraturada e uma busca sem freio pela riqueza”. Exibido no Festival de Sundance.

 

C’mon C’mon, de Mike Mills
Não existem grandes detalhes sobre a nova empreitada de Mike Mills, diretor responsável por Begginers e Mulheres do Século XX. Com apenas a divulgação de seu elenco, liderado por Joaquin Phoenix e Gaby Hoffmann, o lançamento é da A24 e deve ser liberado mais ao final do ano. Mas originado do mesmo realizador dos filmes já citados, já nos coloca em expectativa.

 

Tre Piani, de Nanni Moretti
O diretor italiano Nanni Moretti se debruça no mundo dos subúrbios italianos ao tratar da história de três famílias burguesas que vivem no mesmo condomínio. As ações dessas três famílias refletem sobre a sociedade italiana atual. A produção é baseada no livro de Eshkol Nevo que se passa em Tel Aviv, Moretti adapta a história para a Itália em um bairro de Roma. Além de dirigir e roteirizar, o diretor também estrela a produção que conta com Alba Rohrwacher entre os atores do elenco.

 

Falling, de Viggo Mortensen
O que acontece quando um fazendeiro conservador adoece e precisa se mudar para a casa de seu filho gay? Viggo Mortensen dirige, roteiriza e estrela esta produção em que universos muito particulares colidem. No elenco ainda estão nomes como David Cronenberg e Laura Linney.

 

Untitled Paul Thomas Anderson Project, de Paul Thomas Anderson
Ao que indica Paul Thomas Anderson retornará ao universo de Boggie Nights com esta produção ambientada nos anos 70 sobre um jovem estudante que também é um ator mirim de sucesso. Não há informações sobre elenco, mas a Focus Features espera lançar a produção até o final do ano.

 

The Devil All the Time, de Antonio Campos
Antonio Campos continua a falar sobre traumas e personagens psicologicamente perturbados, muitas vezes marginalizados. Nesta produção da Netflix, Campos adapta o livro de Donald Ray Pollock para falar sobre os efeitos psicológicos pós a Segunda Guerra Mundial nos anos 60 no sudeste do estado de Ohio. No elenco estão Tom Holland, Eliza Scanlen, Robert Pattinson, Mia Wasikowska, Bill Skarsgård e Sebastian Stan.

 

Marighella, de Wagner Moura
Demorou, mas finalmente chegou. Após um ano de adiamentos e suspeitas de boicote beirando à censura do governo brasileiro, Marighella finalmente chegará aos cinemas brasileiros após ser exibido e elogiado em festivais nacionais e internacionais. Dirigido pelo ator Wagner Moura e estrelado por Seu Jorge, a produção trata dos momentos de articulação de resistência e oposição à ditadura militar realizado pelo escritor e político Carlos Marighella, importante figura da esquerda brasileira que denunciou crimes horrendos de tortura e censura pelo regime militar no Brasil.

 

Irmã, de Luciana Mazeto e Vinícius Lopes
Selecionado para o Festival de Berlim, a produção gaúcha Irmã é um road movie sobre Ana e Julia, duas irmãs que após a doença da matriarca se agrava decidem viajar o interior do Rio Grande do Sul em busca do patriarca. Nessa jornada encontrarão um caminho de fantasia e horror. No elenco estão Maria Galant, Anaís Grala Wegner e Felipe Kannenberg.

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