Expectativa – 30 filmes para 2017

Revisitando a nossa lista de 2016 podemos conferir que acertamos relativamente bem em boa parte dos títulos que selecionamos como grandes filmes do ano passado. É verdade que alguns foram adiados, outros se tornaram produções duvidosas, mas na contagem final ficamos felizes em notar que alguns citados foram até mesmo parar em nosso top de melhores de 2016. Então, ano novo e seguimos selecionando trinta títulos que valem a pena ficarmos atentos ao longo de 2017. Que o ano traga grandes realizações cinematográficas para todos os cinéfilos!

 

Un Beau Soleil Intérieur, de Claire Denis
Com o adiamento de seu primeiro sci-fi – citado em nossa lista do ano passado – Claire Denis já partiu para outra realização. Com um projeto que reunirá Juliette Binoche e Gerard Depardieu, a diretora francesa inicia as filmagens já no começo do ano. Foi revelado pouquíssimo sobre o que será trabalhado por Denis, mas sabe-se que será um filme livremente inspirado no livro Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes, sobre a desconstrução da linguagem do amor. Selecionado para a Quinzena dos Realizadores – Cannes 2017.

Abby Quinn, Edie Falco and Jenny Slate appear in Landline by Gillian Robespierre, an official selection of the U.S. Dramatic Competition at the 2017 Sundance Film Festival. © 2016 Sundance Institute | photo by Chris Teague.
Abby Quinn, Edie Falco e Jenny Slate em Landline

Landline, de Gillian Robespierre
Durante os anos 90 três mulheres precisam lidar com as dificuldades e contradições familiares após uma delas, ainda adolescente, descobrir que seu pai está tendo um caso extraconjungal. Vale lembrar que Robespierre trouxe certo frescor ao cinema independente americano recentemente com Obvious Child, estrelado por Jenny Slate. No elenco de Landline estão Slate, Edie Falco e John Turturro. Selecionado para o Festival de Sundance.

O Jantar, de Oren Moverman
Duas famílias se reúnem em um jantar para discutir sobre seus filhos que cometeram um terrível crime. Baseado no best-seller de Herman Koch, era o projeto dos sonhos de Cate Blanchett que pretendia estrear na direção. Infelizmente, por contratempos de agenda, a atriz sai da cadeira de diretora para dar lugar à Oren Moverman, de O Mensageiro. A grande curiosidade pela produção reside na reunião de grandes nomes em seu elenco que conta com Chloe Sevigny, Rebecca Hall, Laura Linney, Richard Gere e Steve Coogan.

Lady Bird, de Greta Gerwig
Nesta comédia dramática estrelada por Saoirse Ronan, Greta Gerwig dirige uma história que reflete um ano na vida de uma garota durante o ensino médio. Alguns dizem que é um filme de tom autobiográfico com nuanças de Frances Ha. Lembrando que Gerwig co-roteirizou os dois últimos filmes de Noah Baumbach, Mistress America e o também a dramédia da excêntrica personagem Frances.

Charlize Theron no set de filmagens de Tully
Charlize Theron no set de filmagens de Tully

Tully, de Jason Reitman
Charlize Theron reprisa sua parceria com Jason Reitman nesta produção na qual interpreta Marlo, mãe de três filhos que ainda precisa lidar com um recém-nascido. Entrando em desespero ela acaba contratando uma babá, Tully, interpretada por Mackenzie Davis. Aos poucos as duas mulheres criam um forte laço de amizade.  No elenco ainda estão Mark Duplass e Ron Livingston. O roteiro é de Diablo Cody (Jovens Adultos), costumeira colaboradora de Reitman desde Juno.

A Noite é Delas, de Lucia Aniello
Reunir Scarlett Johansson, Kate McKinnon e Ilana Glazer em uma comédia já valeria a pena, mas essa produção ainda traz na direção Lucia Aniello, responsável por diversos episódios da série Broad City, nova sensação da televisão americana e uma das comédias mais honestas dos últimos anos. Em A Noite é Delasum grupo de amigas confraterniza em uma casa alugada à beira da praia durante uma festa de despedida de uma delas, porém um acidente acontece e o stripper contratado acaba morto.

Mektoub Is Mektoub, de Abdellatif Kechiche
Depois do frenesi causado por Azul é a Cor Mais Quente, Abdellatif Kechiche retorna em uma trama sobre um jovem roteirista que volta para a sua cidade natal no Mediterrâneo e acaba caindo de amores em um triângulo amoroso entre uma velha conhecida e a esposa de um produtor, o qual se ofereceu para financiar seu mais novo projeto.  Poucas informações foram divulgadas sobre o projeto além da sinopse, mas pode ser que esteja pronto já para o Festival de Cannes que acontece em maio.

Vox Lux, de Brady Corbet
Consolidado por atuar em produções de diretores como Mia Hansen-Love, Lars Von Trier e Michael Haneke, Brady Corbet vem se mostrando também um diretor que todo cinéfilo precisa estar atento. Suas duas empreitadas atrás das telas, A Infância de um Líder e Simon Killer (o qual roteirizou) são prova de que um novo talento desponta, arrancando elogios da crítica e do público. Aqui em Vox Lux, Corbet apresenta um drama ambientado do final dos anos 90 que se estende até os dias atuais ao seguir uma jovem e a sua trajetória até alcançar o sucesso de tornar-se uma popstar. Rooney Mara protagoniza ao lado de Jude Law com trilha sonora composta por Sia Furler.

Donde nace la vida, de Carlos Reygadas
Diretor de produções como Post Tenebras Lux e Luz Silenciosa, o mexicano Carlos Reygadas retorna com a história uma história de amor e perda de um casal que mantém um relacionamento aberto no contexto das fazendas de inseminação de touros em ranchos mexicanos. Cotado para o Festival de Cannes.

Cena de Vazante, de Daniela Thomas
Cena de Vazante, de Daniela Thomas

Vazante, de Daniela Thomas
Tratando sobre questões raciais e de gênero em pleno começo do século 19, este filme de Daniela Thomas (de Terra Estrangeira) penetra na Minas Gerais da extração de pedras preciosas e do trabalho escravo. Um filme que vem sendo relatado como um relato sobre incomunicabilidade, solidão e decadência. Selecionado para o Festival de Berlim.

How To Talk To Girls At Parties, de John Cameron Mitchell
Em Londres, nos anos 1970, um jovem punk chamado Enn se apaixona por uma garota em uma festa, porém acaba descobrindo que ela e suas amigas são alienígenas enviadas para preparar um ritual interplanetário que colocará eles no meio de uma guerra intergalática. Com a direção inventiva de John Cameron Mitchell (Hedwig and the Angry Inch) adaptando o conto de Neil Gaiman, esta produção conta com Elle Fanning, Nicole Kidman, Ruth Wilson, Matt Lucas e Alex Sharpe no elenco. Selecionado para Cannes 2017 – Fora de competição.

Andrew Haigh nas filmagens de 45 anos
Andrew Haigh nas filmagens de 45 anos

Lean On Pete, de Andrew Haigh
Andrew Haigh já dirigiu produções excepcionais como Weekend e 45 anos, aqui nesta produção ele parte para a história de amizade entre uma garota de quinze anos e um corcel negro. Depois de tratar de relacionamentos amorosos conflituosos e frustrantes, Haigh parece dar as caras com um filme mais suave. Mas como as produções dele que vimos até o momento, alguma profundidade e excelência é esperada. No elenco estão nomes como Charlie Plummer, Chloe Sevigny, Steve Buscemi e Steve Zahn.

Quem era Primavera das Neves?, de Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo
Fascinado pela tradutora Primavera das Neves, Jorge Furtado decidiu descobrir mais sobre essa personalidade pouco reconhecida no meio literário e que já traduziu para o português obras de Lewis Carroll e Julio Verne. Após um post de 2010 em seu blog, no qual o cineasta revelava o encantamento por Primavera, Furtado recebeu algumas respostas de leitores e de uma amiga muito próxima da escritora. Assim, ele saiu em uma investigação sobre a trajetória e vida da tradutora que também era poeta. Não há previsão para lançamento deste documentário, mas é aguardado para meados deste ano. O filme, produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre, ainda é co-dirigido pela talentosa Ana Luiza Azevedo (Antes que o mundo acabe).

Como nossos pais, de Laís Bodanzky
Sem filmar um longa-metragem de ficção desde 2010 desde o drama juvenil As Melhores Coisas do Mundo, Laís Bodanzky finalmente retorna às telonas com esta produção estrelada por Maria Ribeiro sobre Rosa, uma mulher de várias facetas e divida em muitos papéis: mãe, profissional e esposa. Tudo vem à tona quando sua mãe decide lhe fazer uma visita e as coisas parecem tomar um rumo surpreendente. Selecionado para o Festival de Berlim 2017.

The Square
The Square

The Square, de Ruben Ostlund
Do mesmo realizador sueco de Força Maior, esta produção co-estrelada por Elisabeth Moss e Dominic West trata de uma artista plástica que cria um espaço em uma praça onde as pessoas podem dividir interesses em comum. Depois do estudo de um casal em crise, Ostlund pode propor aqui mais alguma abordagem antropológica promissora que beira ao cinema do grego Yorgos Lanthimos. 

Loveless, de Andrey Zvyagintsev
Após o sucesso de Leviathan, o russo Andrey Zvyagintsev entrega esta realização sobre um casal em processo de divórcio e que acaba notando, durante uma de suas brigas, que o filho de 12 anos sumiu. No processo de busca da criança o casal acaba revendo a complicada relação e os pontos fracos que os levaram até ali. Selecionado para Cannes 2017 – Competição.

Zama, de Lucrecia Martel
Este filme estava na nossa lista de 2016, mas acabou adiada para este ano. Como toda a expectativa em torno de um filme de Lucrecia Martel é sempre alta, repetimos novamente esperando que o filme seja exibido em algum festival o quanto antes. Uma co-produção que conta com Brasil e Espanha entre os investidores, com uma participação majoritária da Bananeira Filmes, de Vania Catani, Zama trata do paranóico e solitário Don Diego de Zama, um espanhol que serviu no Paraguai nos anos 1790. Baseada no livro de Antonio Di Benedetto ainda conta com o investimento de Pedro Almodóvar.  No elenco estão nomes como Matheus Nachtergaele e Lola Dueñas.

Suburbicon, de George Clooney
Reunindo nomes como Matt Damon, Julianne Moore, Oscar Isaac, Josh Brolin e Woody Harrelson, Clooney se dedica aqui a um suspense de adultério e chantagens. Após ladrões invadirem sua casa em um terrível ato de violência, uma família do subúrbio dos anos 50 decide sair em busca de vingança. Com esse elenco tem tudo para ser uma promessa para o Oscar de 2018.

Emma Thompson em Yeh Din Ka Kissa
Emma Thompson em Yeh Din Ka Kissa

The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach
Se existe alguém que vem filmando Nova York com mais propriedade e frescor do que Woody Allen, esse alguém é Noah Baumbach. O cineasta de filmes como Frances Ha, A Lula e a Baleia e o subestimado Margot e o Casamento trata aqui da história de uma família nova-iorquina que se reúne para comemorar uma retrospectiva do patriarca em uma famosa galeria de arte da cidade. Como consequência desse encontro, diversas problemáticas familiares vêm à tona. No elenco estão Adam Sandler, Ben Stiller, Emma Thompson, Dustin Hoffman, Candice Bergen. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

Jeanette, de Bruno Dumont
Com lançamento diretamente na televisão, este musical dirigido por Bruno Dumont, do recenteme Mistério na Costa Chanel, tratará sobre a infância de Joana d’Arc e passagem de camponesa para guerreira. É baseado no poema “O mistério da caridade de Joana d’Arc”, de Charles Péguy com trilha e composições do músico Gautier Serre, também conhecido como Igorrr. Selecionado para a Quinzena dos Realizadores – Cannes 2017.

Mother, de Darren Aronofsky
Um jovem casal tem a relação testada com a chegada da visita inesperada de um casal mais velho. Jennifer Lawrence desistiu de diversos projetos para atuar nesta produção que, ao que indica, tem ares de Quem Tem Medo de Virginia Woolf. No elenco ainda estão Domhnall Gleeson, Javier Bardem, Michelle Pfeiffer e Ed Harris. Darren Aronofsky, de Cisne Negro, dirige.

Nicole Kidman em ensaio do filme de Yorgos Lanthimos
Nicole Kidman em ensaio do filme do novo filme de Yorgos Lanthimos

The Killing Of A Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos
Yorgos Lanthimos é um dos principais nomes do cinema mundial atual e se mantém sem filmes lançados comercialmente no Brasil até o momento. Inclusive com um elenco de grandes nomes em O Lagosta o diretor não consegui ver sua produção além das telas do Festival do Rio, em 2015, acabando com um lançamento fraco e sem divulgação diretamente no iTunes durante 2016. Uma lástima já que o grego nos entregou o impactante Dente Canino. Com esta sua mais nova produção as distribuidoras brasileiras têm a oportunidade de se redimirem. Reprisando sua parceria com Colin Farrell, Lanthimos conta ainda com nomes como Nicole Kidman e Alicia Silverstone no elenco para dar corpo à trama de um cirurgião que adota um garoto, depois descobrindo um lado sombrio do jovem e suas ações sinistras. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

The Beguiled, de Sofia Coppola
Durante a Guerra Civil americana, um soldado ferido se esconde em um internato de garotas no Mississipi. Porém aos poucos as mulheres do local começam a mostrar diferentes facetas e obsessões. Remake do filme estrelado por Clint Eastwood e baseado em livro de mesmo nome, Sofia Coppola reúne um elenco excepcional com participações de Elle Fanning, Nicole Kidman, Colin Farrell e Kirsten Dunst. Estreia programada para 23 de junho nos Estados Unidos e entre julho e agosto no Brasil. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

Wonderstruck, de Todd Haynes
Baseado no livro de Brian Selznick (Hugo Cabret), Todd Haynes tem Julianne Moore, Michelle Williams e Millicent Simmons no elenco para contar a história de uma garotinha surda que em 1927 entra em uma jornada para conhecer sua atriz favorita, enquanto paralelamente, cinquenta anos depois, um jovem garoto foge para Nova York para encontrar o pai. Já foi divulgado que a parte ambientada nos anos 20 foi realizada como a estética de filme mudo. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

Jake Gyllenhaal e Tilda Swinton nas filmagens de Ojka
Jake Gyllenhaal e Tilda Swinton nas filmagens de Okja

Okja, de Bong Joon-Ho
Bong Joon-Ho já nos presenteou com ótimos filmes como Expresso do Amanhã, Mother e O Hospedeiro. Agora, em sua segunda realização com elenco internacional, embarcamos na história de uma jovem coreana que viaja pelo mundo tentando proteger o melhor amigo, um gigante chamado Okja, de uma corporação multinacional que pretende estudá-lo. No elenco estão Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal, Ahn So-hyun, Paul Dano e Lily Collins. Produção de Brad Pitt e distribuição da Netflix. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

Star Wars: Episode VIII, de Rian Johnson
Segunda parte da mais recente trilogia da saga Star Wars, continuamos seguindo Rey (Daisy Ridley) por sua jornada tentando compreender a força e descobrir o paradeiro dos pais que abandonaram-na quando pequena. Pouco foi divulgado sobre e um trailer é aguardado para o primeiro trimestre do ano. A produção ainda tem um peso maior para os fãs da produção com a recente perda da atriz Carrie Fisher, que volta a reprisar seu papel como a Comandante/Princesa Leia. Benicio Del Toro é a novidade no elenco. Estreia em 15 de dezembro.

Happy End, de Michael Haneke
Não tão longe de Caché, Haneke filma uma família francesa burguesa e em paralelo o preconceito e dificuldades que passam os refugiados e imigrantes no país. No elenco estão Isabelle Huppert, Jean-Louis Trintignant, Mathieu Kassovitz e Loubna Abidar. Premiere acertada para o Festival de Cannes.

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Blade Runner 2049

Blade Runner 2049, de Denis Villeneuve
Dando sequência ao clássico sci-fi dos anos 80, Denis Villeneuve tem nas mãos uma mina de ouro ou uma bomba relógio. Mas só descobriremos após assistir e até lá Blade Runner 2049 causa uma expectativa ao revitalizar a trama cyberpunk originalmente dirigida por Ridley Scott. Ryan Gosling protagoniza ao lado de Harrison Ford, reprisando seu papel do filme original, e ainda conta com nomes como Robin Wright, Mackenzie Davis, Jared Leto e até mesmo Carla Bruni em uma pequena participação. Estreia em 6 de outubro.

A Câmera de Claire, de Hang Sang-soo
Reprisando a parceria com Isabelle Huppert, o cineasta sul-coreano Hang Sang-soo conta a história de uma professora que se divide entre ensinar e escrever um livro. Não se sabe ao certo se Huppert protagonizará, mas dada a rica parceria iniciada em A Visitante Francesa é bem provável que o destaque vá para a francesa. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

Paul Thomas Anderson e Daniel Day-Lewis no set de Sangue Negro
Paul Thomas Anderson e Daniel Day-Lewis no set de Sangue Negro

Produção sem título, de Paul Thomas Anderson
Segundo filme de Paul Thomas Anderson a explorar os anos 1950, desta vez o diretor filma o mundo da moda londrino. Daniel Day-Lewis interpreta um designer nesta produção com co-distribuição entre Universal Pictures e Focus Features. Poucas informações foram divulgadas até o momento, mas a previsão de estreia já está agendada para o final do ano e com fortes promessas de ser um forte concorrente na próxima temporada de premiações.

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