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Categoria: Artigos (page 3 of 3)

10 melhores filmes de 2016

Chegou o final do ano e também o momento de realizar um balanço dos filmes assistidos durante o período. A necessidade de enumerá-los por ordem de importância e superioridade. É uma batalha incansável e por vezes até previsível, cansativa. Admitimos que elencar os melhores do ano de maneira hierárquica não é algo que nos move. Existe sim a necessidade de identificar o melhor do ano, mas de maneira alguma ir desmerecendo por ordem os outros nove filmes. A ideia de realizar este registro foi de reunir dez produções de cada um dos colaboradores do Calvero de uma maneira livre que leva em consideração os lançamentos do circuito comercial e também as produções assistidas em festivais ao longo do ano. O objetivo sempre foi buscar uma relação de filmes que trouxesse certo frescor, o que alcançamos sem muito esforço. Nesta composição baseada nas listas de três dos colaboradores do site chegou-se a uma listagem geral que você confere abaixo.

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Aquarius, de Kléber Mendonça Filho
De Cannes, passando pelo Festival de Gramado e chegando às listas das principais publicações sobre cinema do mundo em meio à protestos contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Aquarius atingiu um patamar que poucos filmes nacionais conseguiram nos últimos anos, talvez décadas. Afinal, integrar as listas da Sight and Sound e Cahiers du Cinèma não é para qualquer realizador. Após elogiados trabalhos e o emblemático Som ao Redor, Kleber Mendonça Filho retorna ao retrato da classe média brasileira e através de três grandiosos atos a vida de Clara (Sonia Braga em performance excepcional) e o prédio onde mora, o Aquarius. Ela é uma jornalista, crítica musical e escritora aposentada que chegou aos 60 anos sobrevivendo às adversidades que o tempo impõe. Mescla de filme-memória com nuanças de musical, o filme de Mendonça Filho oferece um olhar que destaca as contradições do brasileiro sem fugir da auto-crítica. E é exatamente aí que reside a beleza de Aquarius. por Renato Cabral

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Docinho da América, de Andrea Arnold
Saindo da Inglaterra e se aventurando na sua primeira empreitada nos Estados Unidos, Andrea Arnold realiza este road movie que mescla o clássico com o contemporâneo. Na história da jovem Star (Sasha Lane) somos levados pelas estradas americanas no melhor estilo já visto em clássicos do gênero, porém incluindo em sua trama algo característico de sua estética e temáticas: os jovens e sua busca por algum rumo. A estrada como metáfora funciona para o bando que vaga por cidades vendendo assinaturas de revistas e levando um estilo de vida nômade. Sasha Lane brilha com uma naturalidade intensa neste seu primeiro trabalho como atriz. – por Renato Cabral

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O que está por vir, de Mia Hansen-Løve
Mais uma exímia interpretação de Isabelle Huppert neste excelente drama, escrito e dirigido por Mia Hansen-Love, no qual se insere na tradição da intelligentsia acadêmica francesa. Huppert interpreta Nathalie, uma professora de filosofia, adepta à lógica e à abstração, cuja estabilidade se desmantela diante de seus olhos – o casamento, a mãe doente, as expectativas idealistas postas sobre seu aluno-prodígio. Dito isto, nunca se cai no melodrama, pois um ritmo naturalista de dramatização se alia à direção discreta, reflexo do meio em que se inserem as personagens. Após a morte da mãe, Nathalie adquire um organismo-satélite na forma da gata herdada, Pandora, com quem interage e projeta quando seus sentimentos vêm à tona. Juntas, se deslocam a um retiro anarquista, organizado pelo dito aluno, onde Nathalie se vê diante de dilemas ideológicos, em dualidade velhice-juventude com os jovens intelectuais. É importante notar que tamanha gama de reflexões deve principalmente às expressões faciais, as reações, uma valorização à atriz que ganha irmão malvado em Elle, duas facetas complementares. por Matheus Strelow

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Toni Erdmann, de Maren Ade
Em Todos os outros (Alle Anderen, 2009), a cineasta alemã Maren Ade abordava com leveza e naturalidade, sempre com uma dosagem de estranhamentos, o relacionamento de um jovem casal de namorados. Em Toni Erdmann, é a ligação pai e filha que ganha a atenção da realizadora. Ao longo de suas quase três horas de duração, o conflito entre o espírito corporativista dela e os modos excêntricos dele aos poucos se dilui em aspectos comuns aos dois. Rendendo comoções e gargalhadas, impressiona que, mesmo em seus momentos mais óbvios, o longa mantenha sua ternura e fidelidade à proposta, seja no ritmo ou no desenvolvimento dos personagens. Por ser essencialmente um estudo sobre suas figuras protagonistas, o filme alcança sua excelência justamente ao atingir plenamente tal ambição.por Maurício Vassali

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Certas mulheres, de Kelly Reichardt
Kelly Reichardt prossegue com sua investigação do trivial com uma antologia de três histórias sobre mulheres que vivem na mesma região interiorana estadunidense, cujas vidas eventualmente se entrecruzam através de ambientes ou até amantes em comum. São situações simples, representadas numa morosidade naturalista (o episódio mais extremo, envolvendo um sequestro, nunca sugere tensão ou perigo) que evidencia o silêncio, o olhar, o não dizer, a ponto de um simples não acenar de volta comportar imenso poder dramático.  Reichardt é uma das diretoras mais interessantes do cinema norteamericano, e após filmes como Antiga Alegria, Wendy e Lucy e Movimentos Noturnos, entrega aqui o que pode-se dizer ser seu trabalho mais completo, apropriando-se aqui do que melhor desenvolveu ao longo da carreira. Filme de força que distancia as personagens entre si, mas aproxima o espectador da experiência. por Matheus Strelow

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Elle, de Paul Verhoeven
Filme raro que genuinamente justifica a expressão “que loucura!”, percorrendo em linha tênue através de várias iterações da perversidade, questionando ativamente a noção de poder sistemático via olhos d’Ela, Michèle, Isabelle Huppert. A conhecemos pela primeira vez em pleno estupro. Seu agressor vai embora, Michèle calmamente arruma a bagunça, toma um banho e segue sua vida. É a partir daí que se elabora denso estudo através dos olhos desta mulher que, condicionada pela perversidade do patriarcado, imoralidade sádica. Em momento de ressignificação histórica, de apontamento da cultura do estupro no cinema e do abuso como recurso narrativo gratuito, é interessante deparar-se com reflexões de tamanha densidade sobre nossas condições sociais. Em jogo metafórico similar a Para a Minha Irmã (À ma soeur, Catherine Breillat, 2001), Elle inverte os valores através de uma quebra, aqui à metade da projeção, conclusão da perseguição de Michèle a seu estuprador. Mulher em alta posição de poder, resiste diariamente, através da soberba, às provocações de subordinados, à pressão normatizadora da mãe, ao circo de idiotas que rodeia sua vida, ao exercer seu direito supostamente nato à individualidade. Quando as cartas se revelam e Michèle reage inesperadamente, as coisas ficam mais complicadas. Cabe a cada pessoa, com seus próprios códigos morais, se colocar no lugar dela. Um exercício de empatia necessário. – por Matheus Strelow

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O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues
O cinema de João Pedro Rodrigues sintetiza-se completo em O Ornitólogo, indicando um fechamento de ciclo e anúncio de novo caminho a ser trilhado. O fascínio pelo corpo e sua eventual morte sempre se viu filtrado pelos cânones da fé católica, em ressignificação queer nonsense de suas simbologias, com interesse especial por Santo Antônio de Pádua. Após Odete, Morrer como um Homem e A Última Vez Que Vi Macau, Rodrigues reencontra-se com a jornada anti-indivíduo de seu primeiro longa, O Fantasma, irmão mais próximo de O Ornitólogo. Fernando Martins de Bulhões (Paul Hamy), nome completo cujos planos-detalhe de sua identidade deixam claro, perde-se na correnteza enquanto cataloga aves em busca de cegonhas negras. Assim como incorporamos seu olhar através do binóculo, o vemos através dos olhos das águias, corujas e pombas que permeiam a jornada. Resgatado por duas chinesas católicas, depara-se com episódios cada vez mais surreais que gradualmente dissipam seu senso de identidade, antes norteado pela materialidade de suas posses perdidas. Trata-se de uma experiência cinematográfica singular, melhor aproveitada quanto menos se sabe sobre de antemão. Os mínimos detalhes aqui traçados não fazem justiça à grandeza de O Ornitólogo. por Matheus Strelow

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A Vizinhança do Tigre, de Affonso Uchoa
A partir do cotidiano de Juninho, Eldo, Adilson, Menor e Neguinho, jovens moradores da periferia de Contagem, o diretor mineiro Affonso Uchoa vai além de uma rica observação social neste híbrido entre ficção e documentário. Aqui, cada um de seus personagens tem voz e não são apresentados como frações iguais de um único corpo. Esse respeito que tem pelos seus personagens evita que o espectador os veja simplesmente como “os meninos da periferia” em termos generalizados, já que cada um deles ganha contornos próprios. Ao mesmo tempo, o cineasta opta pelo retrato cru e evita amenizações que busquem transformar os protagonistas em figuras falsamente inocentes ou romantizadas. Contudo, tal dureza não é vendida como estética da miséria. Ela é necessária no retrato do contexto em que se inserem os personagens, uma realidade onde se mescla a proximidade da violência com a energia adolescente.  por Maurício Vassali

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Boi Neon, de Gabriel Mascaro
O pernambucano Gabriel Mascaro explana sem nenhuma pieguice ou militância as intervenções humanas no que é de ordem ambiental. Fora o fato da dominação sobre animais domésticos, Boi Neon observa o “progresso econômico” em ambientes aparentemente ainda intocados. O filme vai além, entretanto, de simplesmente constatar tal relação. Ele sugere, inclusive, a fusão entre homem e natureza, seja na naturalidade com que a nudez é tratada, seja em belas composições como a da lasciva mulher que usa uma máscara de cavalo enquanto dança. Se serve muito bem a tal discurso, o olhar do cineasta o faz ainda mais a seus propósitos artísticos. A simetria de alguns quadros suga os olhos do espectador, tamanho seu cuidado. Cores e profundidade são trabalhadas com maestria pela fotografia louvável de Diego Garcia, que aposta também em uma iluminação inspiradíssima, evidente em momentos do cotidiano dos personagens e em inserts como o de um vaqueiro que acaricia seu cavalo. Neste recorte de cotidiano, ainda há espaço para certa discussão de gênero e um humor que soa tão natural quanto a presença de Juliano Cazarré na tela. por Maurício Vassali

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Cinema Novo, de Eryk Rocha
Para o público comum, que pouco teve contato ou conhecimento sobre esse momento da cinematografia brasileira, este filme de Eryk Rocha pode causar certo estranhamento por não usar de um formato clássico de documentário, mas mesmo assim serve de porta de entrada para que se descubra mais a respeito e instigue o espectador. Cinema Novo é uma verdadeira masterclass sobre o movimento e seus personagens (diretores, distribuidores, críticos, entre outros) e o processo de criação deles. Ao assisti-lo, faz lembrar da importância do cinema como plataforma política e social, algo necessário no cenário atual. Seu registro busca uma munição maior: a memória. Mas nunca cai em uma nostalgia ou tom dramático simplório. É maduro e autocrítico ao mostrar, ao mesmo tempo, algumas contradições e a profunda riqueza do cinema realizado há mais de 50 anos atrás. Sua vitória em Cannes não é surpresa alguma. Uma triste percepção, no entanto, é constatar que esse capítulo tão importante da nossa história continue, muitas vezes, ainda quase esquecido ou ignorado pelo público brasileiro. por Renato Cabral

 

Os melhores por Renato Cabral

Melhor filme do ano: Aquarius, de Kleber Mendonça Filho
Outros destaques:
Cameraperson, de Kirsten Johnson
O que está por vir, de Mia Hansen Love
Docinho da América, de Andrea Arnold
Woo-ri-deul, de Ga-Eun Yoon
Poesia sem Fim, de Alejandro Jodorowsky
Elle, de Paul Verhoeven
Toni Erdmann, de Maren Ade
Cinema Novo, de Eryk Rocha
A Piscina, de Luca Guadagnino

 

Os melhores por Matheus Strelow

Melhor filme do ano: O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues
Outros destaques:
Aquarius, de Kléber Mendonça Filho
Elle, de Paul Verhoeven
Certas Mulheres, de Kelly Reichardt
Jovens, Loucos e Mais Rebeldes, de Richard Linklater
A Bruxa, de Robert Eggers
De Longe te Observo, de Lorenzo Vigas Castes
Docinho da América, de Andrea Arnold
O Que Está por Vir, de Mia Hansen-Løve
A Vizinhança do Tigre, de Affonso Uchoa

 

Os melhores por Maurício Vassali

Melhor filme do ano: Toni Erdmann, de Maren Ade
Outros destaques:
Aquarius, de Kléber Mendonça Filho
Boi Neon, de Gabriel Mascaro
O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues
O Lagosta, de Yorgos Lanthimos
A Vizinhança do Tigre, de Affonso Uchoa
Manchester à Beira Mar, de Kenneth Lonergan
Cinco Graças, de Deniz Gamze Ergüven
Era o hotel Cambridge, de Eliane Café
Combo de documentários: Cinema Novo, de Eryk Rocha; A 13ª emenda, de Ava Duvernay; Então Morri, de Bia Lessa, Dany Roland.

Os melhor por Pirs Duval

Melhor filme do ano: A Bruxa, de Robert Eggers
Outros destaques:
Green Room, de Jeremy Saulnier
Cemitério do Splendor, de Apichatpong Weerasethakul
Toni Erdmann, de Maren Ade
Cavaleiro de Copas, de Terrence Malick
Manchester à Beira Mar, de Kenneth Lonergan
Mais Forte que Bombas, de Joachim Trier
O Lagosta, de Yorgos Lanthimos
Anomalisa, de Charlie Kaufman e Duke Johnson
A Chegada, de Dennis Villeneuve

 

Expectativa – 30 filmes para 2016

Depois de um 2015 movimentado com ótimos retornos de George Miller e Godard, o ano de 2016 parece que será também bem agitado. Pedro Almodóvar lança mais um drama feminino, Martin Scorsese realiza um dos seus projetos mais aguardados em anos, a francesa Claire Denis e Kléber Mendonça Filho também retornam.

Listamos esses e muitos outros filmes em uma seleção de 30 títulos que estamos com grandes expectativas para esse ano que se inicia.

Midnight Special, de Jeff Nichols
Diretor de pérolas do cinema atual como Amor Bandido e O Abrigo, Nichols embarca agora em uma trama na qual pai  e filho saem em fuga após a descoberta de que o garoto possui poderes especiais. No elenco, Michael Shannon reprisa a parceria com o diretor e ainda contracena com nomes como Kirsten Dunst, Adam Driver e Joel Edgerton.

Zama, de Lucrecia Martel
Diretora de clássicos contemporâneos como O Pântano e A mulher sem cabeça, Lucrecia Martel traz aqui um épico sobre a colonização espanhola na América Latina. Uma adaptação da obra do argentino Antonio di Benedetto. Co-produzido pela brasileira Bananeira Filmes, de Vania Catani, tem no elenco Lona Dueñas e Matheus Nachtergaele. Atualização: Zama teve seu lançamento adiado para 2017.

Julieta, de Pedro Almodóvar
Entitulado anteriormente de Silencio, mas que teve seu título alterado para não causar conflitos com outro filme de grande expectativa esse ano, Silencio, de Martin Scorsese, Almodóvar retorna ao seu cinema que destaca as mulheres e protagonistas complexas em um dramalhão típico. Cogita-se que a estreia do filme aconteça no próximo festival de Cannes.

Silencio, de Martin Scorsese
No século XVII dois padres jesuítas enfrentam momentos de violência e perseguição quando viajam para o Japão com a missão de localizar seu mentor e ainda propagar os valores cristãos. Scorsese dirige essa adaptação do livro de Shûsaku Endô com Adam Driver, Liam Neeson e Andrew Garfield.

Personal Shopper, de Olivier Assayas
Kristen Stewart reprisa a parceria com Assayas e embarca no cruel mundo da moda de Paris para esse drama fashion falado em inglês. Vencedor do Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes 2016.

Aquarius, de Kleber Mendonça Filho
Cotado até mesmo para a seleção de Cannes, Aquarius é uma ficção científica que traz Sonia Braga interpretando uma crítica musical capaz de viajar no tempo. Selecionado para o Festival de Cannes 2016.

Frantz, de François Ozon
A noiva de um soldado falecido na Primeira Guerra Mundial visita o túmulo do amado e nota a presença de um homem misterioso que deixou flores para o seu noivo.

Elle, de Paul Verhoeven
Nesse novo thriller erótico de Verhoeven, Isabelle Ruppert interpreta Michelle, uma CEO de uma grande corporação de jogos de videogame. Atacada por um assaltante em sua própria casa ela decide não se dar por vencida e incia um jogo de gato e rato em uma trama em espiral. Selecionado para o Festival de Cannes de 2016.

Christine, de Antonio Campos
Filho do jornalista Lucas Mendes, Antonio Campos já mostrou ao que veio com produções como Simon Killer e Afterschool. Um cineasta para ficar de olho, Campos agora lança em Sundance essa produção baseada em fatos reais sobre a jornalista Christine Chubbuck, que em 1974 cometeu suicídio ao vivo em plena televisão aberta. Rebecca Hall interpreta Chubbuck. Selecionado para o Festival de Sundance de 2016.

Little Men, de Ira Sachs
A amizade de dois melhores amigos é testada quando os pais dos garotos iniciam uma briga devido ao roubo de um vestido. Sachs reprisa a parceria com seu parceiro Mauricio Zacharias nessa produção que tem no elenco grandes nomes como Paulina Garcia, Greg Kinnear, Jennifer Ehle e Alfred Molina.

How to talk to girls at Parties, de John Cameron Mitchell
Sem filmar um longa-metragem desde Reencontrando a Felicidade, de 2010, John Cameron Mitchell retorna aos sets para adaptar o conto de Neil Gaiman sobre um extra-terrestre que faz uma excursão pela galáxia, se perde do seu grupo, acaba caindo na Terra e conhece duas jovens do subúrbio londrino. Rotulado como uma comédia romântica e musical, Mitchell revisitará os tempos de Hedwig and the angry inch. No elenco, Elle Fanning, Ruth Wilson, Matt Lucas e uma participação especial de Nicole Kidman como uma rockstar.

Ma Loute, de Bruno Dumont
No verão de 1910 diversos turistas desaparecem enquanto relaxam nas belas praias do Canal da Costa. É quando os detetives Machin e Malfoy se reunem no epicentro desses misteriosos desaparecimentos chegando a conclusão que podem estar relacionados a folga da baía, um fenômeno único no qual a folga do rio e o mar se juntam em uma gigantesca onda. No elenco, Juliette Binoche e Valeria Bruni Tedeschi.

Apenas o fim do mundo, de Xavier Dolan
Um escritor retorna 12 anos depois ao vilarejo em que vive a sua família, no interior da França, com o propósito de anunciar que está morrendo. No elenco nomes como Léa Seydoux, Marion Cottilard, Vincent Cassel e Gaspard Ulliel. Vencedor do Prêmio Ecumênico e o Prêmio do Júri do Festival de Cannes de 2016.

The Bad Batch, de Ana Lily Amirpour
Depois do elogiado Garota Sombira Caminha pela Noite, Amirpour retrata uma história de amor distópica no deserto do Texas em uma comunidade de canibais. No elenco, Jim Carrey, Keanu Reeves e Diego Luna.

High Life, de Claire Denis
Roteiro co-escrito por Denis e a escritora britânica Zadie Smith, o filme trata de um grupo de criminosos que aceitam uma missão espacial na qual serão sujeitos a uma série de experimentos a respeito da reprodução humana. No elenco, Robert Pattinson, Mia Goth e Patricia Arquette. Atualização: O lançamento de High Life foi adiado para 2017.

The Zookeeper’s Wife, de Niki Caro
Drama sobre os donos de um zoológico, Jan e Antonina Zabinski, que salvaram diversas pessoas e animais durante a invasão nazista na Polônia. Jessica Chastain interpreta Antonina.

Certain Women, de Kelly Reichardt
Três mulheres têm suas vidas cruzadas em uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos em um momento em que cada uma enfrenta um desafio extremo.

Wiener-Dog, de Todd Solondz
Sem lançar uma produção válida de atenção há algum tempo, Solondz reúne um grande elenco com nomes como Greta Gerwig, Ellen Burstyn, Julie Delpy e Danny DeVito nessa produção que trata, de forma característica dos filmes do diretor, sobre diversas pessoas que encontram suas vidas inspiradas pelo mesmo cachorro-linguiça (dachshund).

Weightless, de Terrence Malick
Toda lista de expectativas a cada ano, nos últimos três, e  que se preze cita o adiado drama musical de Terrence Malick. Filmado durante um renomado festival musical americano em 2011 e 2012, o filme reúne bandas como Arcade Fire, Iron and Wine e Fleet Foxes com um elenco de nomes como Cate Blanchett, Michael Fassbender, Rooney Mara e Ryan Gosling.

Arrival, de Denis Villeneuve
Quando aliens ameaçam invadir a Terra, uma linguista é recrutada para descobrir se eles vieram em paz ou destinados a uma guerra. Amy Adams protagoniza.

La Fille inconnue, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
Uma médica fica obcecada por descobrir a identidade de uma mulher que morreu após se recusar a ser operada no hospital em que trabalha.

A Rainha de Katwe, de Mira Nair
Lupita Nyong’o e David Oyelowo estrelam essa produção sobre uma prodígia ugandense em xadrez que se torna candidata ao título máximo da competição do esporte.

Elis, de Hugo Prata
Cinebiografia da “Pimentinha”, o filme de Hugo Prata abordará a chegada da cantora gaúcha ao Rio de Janeiro em pleno golpe militar de 1964. No elenco estão Andreia Horta e Caco Ciocler.

De onde eu te vejo, Luiz Villaça
Recém separados, Ana e Fábio passam a morar em sozinhos em apartamentos que ficam um de frente para o do outro. Enquanto isso, a filha do casal está de mudança para outra cidade, levada pela faculdade. O casal precisará se ajustar para viver essa nova vida. Denise Fraga, Domingos Montagner e Laura Cardoso estão no elenco.

Para minha amada morta, de Aly Muritiba
Vencedor do Festival de Brasília de 2015 e diversos prêmios em outros festivais e mostras, Para minha amada morta finalmente chega aos cinemas embalado por essa ótima recepção. Com a morte de sua esposa, Fernando torna-se instrospectivo. Cercado de objetos e lembranças da falecida ele descobre uma fita VHS que o surpreende e coloca em dúvida o amor e luto pela esposa. Ele entra em uma investigação própria que consume seus dias, se tornando uma obsessão.

O Silêncio do Céu, de Marco Dutra
Produção de Rodrigo Teixeira rodada em Montevidéu, esse thriller dirigido por Dutra (de Trabalhar Cansa e Quando eu era vivo) traz no elenco Carolina Dieckmann e Leonardo Sbaraglia (Plata Quemada) e trata da história de um homem que testemunha sua mulher ser violentada por dois homens. Em estado de choque ele paralisa e não consegue reagir a situação. Sem saber que o marido presenciou o crime, ela escolhe manter segredo. O roteiro da produção é de Caetano Gotardo, Sergio Bizzio e Lucía Puenzo.

Mãe só há uma, de Anna Muylaert
Depois do estouro de Que horas ela volta?, Anna Muylaert ainda tem uma outra carta na manga. Em Mãe é uma só a diretora aposta na história de um menino roubado na maternidade que cresce com a família trocada. Um dia o garoto descobre o fato e a vida da família vira de ponta-cabeça.

A glória e a graça, de Flávio R. Tambellini
Carolina Ferraz interpreta Glória, um transexual bem sucedido que vive distante da família, incluindo sua irmã Graça. Ao descobrir que está com uma doença terminal, Graça tenta se reaproximar de Glória.

Nocturnal Animals, de Tom Ford
Baseado no livro de Austin Wright o filme de Ford trata de uma história dentro de uma história. Na primeira parte o foco é na trama de Susan, personagem que recebe o manuscrito de um livro do seu ex-marido, que ela deixou há 20 anos, querendo saber a opinião dela. O segundo segmento da produção é abordada a dramatização do livro chamado de Animais Noturnos, ao passo que Susan precisa encarar alguns eventos do passado. No elenco estão Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Aaron Taylor-Johnson, Isla Fisher e Michael Shannon.

Rogue One – Uma História de Star Wars, de Gareth Edwards
Um grupo de guerreiros da resistência se unem para uma perigosa missão: roubar os planos do Império para a Estrela da Morte. Felicity Jones, Diego Luna, Riz Ahmed Forest Whitaker e  Mads Mikkelsen estão no elenco.

Absolutely Fabulous, de Mandie Fletcher
Adaptação para as telas da série dos anos 90 de grande sucesso na Europa sobre Edina e Patsy, duas solteironas que já passaram dos quarenta e vivem no mundo fashion repleto de drogas e álcool. Humor nonsense característico dos britânicos sempre tem aquela classe. No elenco estão Jennifer Saunders, Joanna Lumley, Gwendoline Christie, Rebel Wilson e Joan Collins.

Carol, de Todd Haynes
Lançado originalmente em 2015, Carol só chega aos cinemas brasileiros no começo desse mês, dia 14 de janeiro, mas já é desde o festival de Cannes do ano passado um dos títulos mais interessantes. Adaptação do livro de Patricia Highsmith sobre o romance entre uma vendedora de loja de departamentos e uma dona-de-casa instatisfeita, Haynes abraça os melodramas dos anos 50 para contar essa história com fotografia influenciada pelas pinturas de Edward Hoppe. No elenco, Rooney Mara e Cate Blanchett.

Whiskey Tango Foxtrot, de Glenn Ficara e John Requa
A carismática Tina Fey encarna Kim Barker, uma jornalista designada para cobrir a guerra no Afeganistão e Paquistão. O roteiro ficou a cargo de Robert Carlock, de séries com Unbreakable Kimmy Schmidt, 30 Rock e Saturday Night Life.

Complete Unknown, de Joshua Marston
Se mudando com sua esposa para uma nova cidade Tom (Michael Shannon) se depara em uma festa com uma paixão antiga, Alice (Rachel Weisz), uma mulher acostumada a trocar de identidade com frequência.

A Bigger Splash, de Luca Guadagnino
Depois do elogiado Um Sonho de Amor, Luca Guadagnino repete a parceria com Tilda Swinton nesse drama ambientando na ilha italiana da Pantelleria e baseado no filme A Piscina, de Jacques Deray. Na história, uma famosa estrela do rock e um diretor de cinema são surpreendidos pela presença de um velho amigo e sua filha. Ciúmes, inveja, traição e perigo parecem destinados ao grupo. Swinton, Ralph Fiennes, Dakota Johnson e a sensação do momento, Matthias Schoenaerts, estrelam.

Procurando Dory, de Andrew Stanton e Angus MacLane
Sequência de Procurando Nemo, dessa vez a peixinha Dory decide procurar sua família. Nemo e Marlin saem em busca de Dory, que possuiu problemas de memória. Com as vozes de Ellen DeGeneres, Diane Keaton e Idris Elba.

Brooklyn, de John Crowley
Lançado originalmente em 2015, mas com previsão de estreia apenas para 2016 no país, o filme de Crowley traz a história de uma imigrante irlandesa que desembarca no Brooklyn dos anos 50. Longe da família ela precisa se acostumar com um novo ambiente e uma nova vida. Rapidamente acaba se apaixonando por filho de imigrantes italianos e precisando retornar a sua cidade natal, na Irlanda, ela será confrontada com seu passado e colocada à prova para escolher entre os dois países. Com Saoirse Ronan, Jim Broadbent e Julie Walters.

 

Os 20 melhores filmes de 2015

Entre o circuito comercial e de festivais muitos filmes se destacaram em um ano bem diferente de 2014, trazendo produções de alto nível. Nessa minha lista de 20 filmes destaco aqueles que são apenas estreias comerciais, filmes que estrearam em circuito de salas de cinema. Existe uma outra lista em que destaco produções que ainda não estrearam no país seja com exibição apenas em festivais ou em outros países e pode ser publicada futuramente aqui no site. Por hora, vamos com essa.
20. O olmo e a gaivota, de Petra Costa e Lea Glob
19. Straight Outta Compton, de F. Gary Gray
18. Mapas para as estrelas, de David Cronenberg
17. Casa grande, de Filipe Barbosa
16. Expresso do amanhã, de Joon-Ho Bong
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15. Divertida mente, de Pete Docter e Ronaldo Del Carmen
14. O julgamento de Viviane Amsalem, de Ronit Elkabetz e Shlomi Elkabetz
13. Acima das nuvens, de Olivier Assayas
12. O ano mais violento, de J. C. Chandor
11. O amor é estranho, de Ira Sachs
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10. Beira-mar, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon
9. Star Wars: O Despertar da Força, de J. J. Abrams
8. 45 anos, de Andrew Haigh
7. Garotas, Céline Sciamma
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6. Adeus à linguagem, de Jean-Luc Godard
5. Táxi Teerã, de Jafar Panahi
4. O Clube, de Pablo Larraín
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3. Que horas ela volta?, de Anna Muylaert
2. Phoenix, de Christian Petzold
1. Mad Max: Estrada da fúria, de George Miller

Pelas múltiplas representações no cinema gaúcho

por Eleonora Loner

O crescimento do investimento nacional e o aumento de faculdades de cinema gerou no Rio Grande do Sul uma renovação cinematográfica bastante acelerada. Nos últimos cinco anos, uma nova leva de filmes e cineastas surgiu, tirando o Estado da (quase) estagnação e, pouco a pouco, devolvendo-o a uma posição de certa relevância no cenário nacional.  O crescimento econômico do país fortalece as artes em geral e, apesar do pouco incentivo estadual, a produção aumenta e se diversifica.

A Avante Filmes, produtora audiovisual de Porto Alegre, é um dos expoentes dessa que se espera que seja uma nova fase da cinematografia gaúcha. Composta por Filipe Matzembacher, Marcio Reolon e Germano de Oliveira, a Avante já produziu diversos curta-metragens, estreou seu primeiro longa e tem uma série e outro longa-metragem a caminho.

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Beira-mar (2015), longa de estreia de Filipe e Marcio e da própria Avante Filmes, é o segundo filme gaúcho selecionado para o importante festival de Berlim, tendo sido precedido apenas por Castanha (2014), dirigido por Davi Pretto, no ano anterior. O filme acompanha a viagem de Martin (Mateus Almada) e Tomaz (Maurício José Barcellos), dois antigos amigos, ao litoral gaúcho durante o inverno, a fim de resolver trâmites legais para o pai do primeiro. Esses dias isolados diante do mar faz que se reaproximem e deem importantes passos em direção ao amadurecimento. Beira-mar estreou no Festival de Berlim, na mostra Forum, dedicada a filmes que trabalham com inovação de linguagem, e na mostra Generation, seção de filmes sobre o mundo jovem. Também foi indicado ao Teddy Awards, principal prêmio de cinema LGBT do mundo. Depois disso, o longa já esteve em diversos festivais, entre eles o de Guadalajara (onde recebeu o Prêmio Especial do Júri, na Seção Maguey), Festival de Málaga, do CineLatino-Rencontres de Toulouse, entre outros.

“Queríamos falar dessa etapa da vida enquanto ainda estávamos próximos dela.”, diz Marcio sobre a juventude em Beira-Mar. Este tema, junto com a sexualidade, está presente em quase todas as obras da produtora, porém em Beira-Mar se torna de certa maneira muito autobiográfico, já que o filme foi criado a partir de conversas em que os diretores perceberam que haviam passado por várias experiências semelhantes, mesmo sem se conhecerem. A descoberta da sexualidade e o cenário litorâneo do estado (com seu vento e tons frios bastante peculiares) permeavam suas memórias da adolescência.

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Porém, para Marcio e Filipe, era muito importante falar do “coming out” de maneira leve e positiva, dando certa esperança na etapa a ser vivida ao invés de retratá-la  como a abertura de uma vida de sofrimentos.  “Não existe representação correta, existe falta de representações. Quando apenas um retrato de algo é oferecido, esse retrato vai ser raso, superficial”, acrescenta Filipe, sobre a maneira como as minorias são vistas, em geral, pelo cinema. “Nem todo filme de coming out tem que apresentar uma história de massacre. Nem toda travesti tem que sofrer o tempo inteiro.”. Apesar de reconhecer que pode ser um difícil processo, em Beira-Mar os diretores preferiram oferecer um empoderamento aos sujeitos, especialmente por se tratar de uma produção voltada a um público jovem.

Sobre a recente expansão do cinema LGBT no Brasil, eles acreditam que isso acompanha um crescimento geral da produção brasileira, mas dão as boas vindas a prêmios e mostras específicas em festivais, por darem maior visibilidade a filmes que talvez, se exibidos em uma mostra geral, não a teriam, por questões de público e jurado. Ainda assim, seguem existindo minorias dentro de minorias e o G em LGBT ainda se sobressai das demais letras, outra vez entrando na falta de representações. “Talvez, sendo homem branco gay no mundo do cinema, eu ainda tenha mais privilégios que uma mulher ou um negro.”, considera Marcio.

Depois da visibilidade de Beira-Mar (que tem estreia prevista no Brasil para o segundo semestre de 2015), a Avante Filmes agora trabalha na pré-produção da série Todo Carnaval tem seu fim, que será exibida na TVE e retrata a história de um jovem militar do interior que, na busca por seu irmão na capital, acaba passando por experiências que o libertarão. Além disso, roteiriza o longa-metragem Garoto Neon, que ganhou um edital de desenvolvimento de roteiro do fundo holandês Hubert Bals e narra a história de amor entre dois performers eróticos de internet.

A sessão Calvero #1 de Beira-mar acontece no dia 4 de dezembro às 19h no Cine UFPel (Lobo da Costa, 447). A entrada é gratuita e o evento conta com as presenças dos diretores e elenco.