Melhores Filmes de 2017

O documentário Martírio é o melhor filme de 2017 pelo Calvero

Com a chegada do final do ano todo crítico realiza a sua religiosa lista de melhores filmes assistidos durante o período. E, claro, não estamos fora desse balaio. Conforme realizado em 2016, nosso site dá continuidade em selecionar os 10 melhores filmes segundo o nosso time. Em 2017 estipulamos como critério a inclusão da lista dos colaboradores mais ativos e como recorte serão selecionadas apenas produções lançadas comercialmente no ano. Anteriormente vivíamos fora da curva, elencando o que havíamos assistido em festivais e mostras, alinhados mais com o circuito estrangeiro do que o nacional. Agora decidimos nos adequar à editoria clássica das listagens que inundam a internet. É o que parece ser o correto, mesmo não sendo a quebra de paradigma que gostaríamos. Mas vamos deixar o teor disruptivo para os filmes selecionados e que refletem cada vez mais a necessidade de destacar direitos e representatividade em diferentes esferas. Que 2018 continue nos tirando da zona de conforto com produções que modifiquem o status quo e abram sempre nossas mentes para debates.

Confira a nossa lista de melhores do ano e logo em seguida a lista individual de cada um dos colaboradores.

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Rifle: alvo em movimento

Na articulação cinematográfica há certas regras de etiqueta que se assumem sem precisar ser ditas, normas assimiladas a um glossário de conhecimentos prévios necessários à execução da tarefa de realizar um filme, passíveis a ser seguidas ou subvertidas. Sabe-se, por exemplo, que a cartela com o título da obra a antecede. Se, porventura, um trecho do filme ocorrer antes ao título, tal caracteriza-se como um prólogo, assim como na literatura, em que pode-se prenunciar o teor do discurso a se desenvolver, evidenciando elementos-chave à sua compreensão. No cinema, o posicionar do título sucedendo a um prólogo coloca sua retórica em xeque, podendo-se potencializar através do contraste com a cena o seu sentido transmitido pelo verbo. O prólogo de Rifle (2016), segundo longa-metragem de Davi Pretto, sintetiza em ações aparentemente simples as angústias que vêm a permear seus mecanismos. Somos introduzidos ao protagonista, Dione (Dione Ávila de Oliveira), enquanto apaga a faca mensagens gravadas em árvores. Em seguida, em seu caminhar moroso (um carro passa ao fundo, estabelecendo a proximidade da rodovia), se depara com um carro detonado, já parte da paisagem de um pequeno bosque. Cut to black. Título do filme. O opor da imagem de um automóvel à palavra “rifle” como ponto de corte inaugura um questionamento que lentamente se desenvolve através da projeção, em que se essencializa a figura do carro como alegoria ao progresso entre aspas, à intromissão do meio urbano nos espaços rurais.

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Stay woke: sobre Corra!

Em posfácio à edição mais recente de seu Alegorias do subdesenvolvimento, Ismail Xavier retrospecta as diversas iterações do alegórico ao longo da tradição histórica. Evocando Benjamin ao diagnosticar sua noção moderna, conclui que:

O mundo contemporâneo da mercadoria é de tal natureza em sua força de dissociação, alienação, que a sensibilidade alegórica tem aí um papel revolucionário: encara a crise mascarada pelo otimismo burguês do processo. […] A alegoria moderna monta suas coleções de imagens e leva até o fim a dissociação, o não orgânico, numa imitação perversa, satânica, do estado de coisas, visando exorcizá-lo.”

O cinema fantástico oriundo de estúdios estadunidenses é tido, normalmente, como representativo do citado otimismo burguês, embora, volta e meia, realizadores consigam empurrar, através de frestas, ideias que desafiam o status quo alimentado pela própria máquina da qual participam – Paul Verhoeven e John Carpenter que o digam.  Desta vez, o indivíduo em questão é Jordan Peele, comediante que estreia como roteirista e diretor de cinema com Corra! (Get Out, 2017), alegoria propiciada pelo Zeitgeist em que se resgatam feridas que o senso comum – ou, a mentalidade branca – procura ocultar.
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Maren Ade e o cinema no qual o inferno são todos os outros

todososoutros12016 foi o ano dela. Apesar de ignorado pelo júri do Festival de Cannes, Toni Erdmann (2016) foi, sem dúvida, o seu grande destaque e não se deve ao fato de que a diretora Maren Ade era exatamente uma revelação. Afinal, o seu primeiro longa-metragem Floresta para Árvores (Der Wald vor lauter Bäumen, 2005) já havia angariado diversas distinções em importantes festivais de cinema independente, com prêmios em Sundance e no IndieLisboa. Todos os Outros (Alle Anderen, 2009), segundo longa de Ade, também se destacou no circuito ganhando prêmio no Bafici e o Urso de Prata em Berlim. Porém com Toni Erdmann, ela esteve no pódio em nove a cada dez listas de melhores do ano, incluindo o primeiro lugar nos rankings das revistas Cahiers du Cinéma e Sight & Sound. Fora uma carreira iniciante, porém sólida na direção cinematográfica, Maren Ade é bastante prolixa no meio da produção, tendo co-produzido os filmes mais recentes de Miguel Gomes, Tabu (2012) e a trilogia As Mil e Uma Noites (2015).
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O Silêncio do Céu e os brados da terra

Uma rocha, colocada sobre uma escrivaninha, assombra insidiosamente o lar de Mario e Diana em um subúrbio uruguaio, lembrança constante do trauma silenciosamente compartilhado que inaugura a projeção de O Silêncio do Céu (Era el Cielo, 2016). Diana, interpretada por Carolina Dieckmann, é estuprada por dois homens dentro de sua própria casa. O chiado da água fervente os alarma e eles rapidamente a deixam jogada a esmo. Ela se levanta e liga para Mario (o argentino Leonardo Sbaraglia) pedindo para que busque os filhos na escola, chegando a perguntá-lo se algo teria acontecido com ele, e à mesa de jantar omite seu ataque, agindo como se nada a houvesse afetado. O que ela não sabe e, por alguns minutos, o espectador tampouco, é que Mario presenciou o estupro. A rocha, retirada do quintal, serviria de arma provisória até o marido encontrar uma tesoura, já sem tempo de alcançar os agressores. Deixada, lá permanece. Com desenrolar da trama, adaptada do romance de Sergio Bizzio, a pedra revela-se um dos símbolos-chave que orbitam a relação entre o casal, desestabilizada – ou escancarada – pós-trauma. O Silêncio do Céu é um filme de e sobre imobilidade. Assisti-lo é observar natureza morta.

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Expectativa – 30 filmes para 2017

Revisitando a nossa lista de 2016 podemos conferir que acertamos relativamente bem em boa parte dos títulos que selecionamos como grandes filmes do ano passado. É verdade que alguns foram adiados, outros se tornaram produções duvidosas, mas na contagem final ficamos felizes em notar que alguns citados foram até mesmo parar em nosso top de melhores de 2016. Então, ano novo e seguimos selecionando trinta títulos que valem a pena ficarmos atentos ao longo de 2017. Que o ano traga grandes realizações cinematográficas para todos os cinéfilos!

 

Un Beau Soleil Intérieur, de Claire Denis
Com o adiamento de seu primeiro sci-fi – citado em nossa lista do ano passado – Claire Denis já partiu para outra realização. Com um projeto que reunirá Juliette Binoche e Gerard Depardieu, a diretora francesa inicia as filmagens já no começo do ano. Foi revelado pouquíssimo sobre o que será trabalhado por Denis, mas sabe-se que será um filme livremente inspirado no livro Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes, sobre a desconstrução da linguagem do amor. Selecionado para a Quinzena dos Realizadores – Cannes 2017.

Abby Quinn, Edie Falco and Jenny Slate appear in Landline by Gillian Robespierre, an official selection of the U.S. Dramatic Competition at the 2017 Sundance Film Festival. © 2016 Sundance Institute | photo by Chris Teague.
Abby Quinn, Edie Falco e Jenny Slate em Landline

Landline, de Gillian Robespierre
Durante os anos 90 três mulheres precisam lidar com as dificuldades e contradições familiares após uma delas, ainda adolescente, descobrir que seu pai está tendo um caso extraconjungal. Vale lembrar que Robespierre trouxe certo frescor ao cinema independente americano recentemente com Obvious Child, estrelado por Jenny Slate. No elenco de Landline estão Slate, Edie Falco e John Turturro. Selecionado para o Festival de Sundance.

O Jantar, de Oren Moverman
Duas famílias se reúnem em um jantar para discutir sobre seus filhos que cometeram um terrível crime. Baseado no best-seller de Herman Koch, era o projeto dos sonhos de Cate Blanchett que pretendia estrear na direção. Infelizmente, por contratempos de agenda, a atriz sai da cadeira de diretora para dar lugar à Oren Moverman, de O Mensageiro. A grande curiosidade pela produção reside na reunião de grandes nomes em seu elenco que conta com Chloe Sevigny, Rebecca Hall, Laura Linney, Richard Gere e Steve Coogan.

Lady Bird, de Greta Gerwig
Nesta comédia dramática estrelada por Saoirse Ronan, Greta Gerwig dirige uma história que reflete um ano na vida de uma garota durante o ensino médio. Alguns dizem que é um filme de tom autobiográfico com nuanças de Frances Ha. Lembrando que Gerwig co-roteirizou os dois últimos filmes de Noah Baumbach, Mistress America e o também a dramédia da excêntrica personagem Frances.

Charlize Theron no set de filmagens de Tully
Charlize Theron no set de filmagens de Tully

Tully, de Jason Reitman
Charlize Theron reprisa sua parceria com Jason Reitman nesta produção na qual interpreta Marlo, mãe de três filhos que ainda precisa lidar com um recém-nascido. Entrando em desespero ela acaba contratando uma babá, Tully, interpretada por Mackenzie Davis. Aos poucos as duas mulheres criam um forte laço de amizade.  No elenco ainda estão Mark Duplass e Ron Livingston. O roteiro é de Diablo Cody (Jovens Adultos), costumeira colaboradora de Reitman desde Juno.

A Noite é Delas, de Lucia Aniello
Reunir Scarlett Johansson, Kate McKinnon e Ilana Glazer em uma comédia já valeria a pena, mas essa produção ainda traz na direção Lucia Aniello, responsável por diversos episódios da série Broad City, nova sensação da televisão americana e uma das comédias mais honestas dos últimos anos. Em A Noite é Delasum grupo de amigas confraterniza em uma casa alugada à beira da praia durante uma festa de despedida de uma delas, porém um acidente acontece e o stripper contratado acaba morto.

Mektoub Is Mektoub, de Abdellatif Kechiche
Depois do frenesi causado por Azul é a Cor Mais Quente, Abdellatif Kechiche retorna em uma trama sobre um jovem roteirista que volta para a sua cidade natal no Mediterrâneo e acaba caindo de amores em um triângulo amoroso entre uma velha conhecida e a esposa de um produtor, o qual se ofereceu para financiar seu mais novo projeto.  Poucas informações foram divulgadas sobre o projeto além da sinopse, mas pode ser que esteja pronto já para o Festival de Cannes que acontece em maio.

Vox Lux, de Brady Corbet
Consolidado por atuar em produções de diretores como Mia Hansen-Love, Lars Von Trier e Michael Haneke, Brady Corbet vem se mostrando também um diretor que todo cinéfilo precisa estar atento. Suas duas empreitadas atrás das telas, A Infância de um Líder e Simon Killer (o qual roteirizou) são prova de que um novo talento desponta, arrancando elogios da crítica e do público. Aqui em Vox Lux, Corbet apresenta um drama ambientado do final dos anos 90 que se estende até os dias atuais ao seguir uma jovem e a sua trajetória até alcançar o sucesso de tornar-se uma popstar. Rooney Mara protagoniza ao lado de Jude Law com trilha sonora composta por Sia Furler.

Donde nace la vida, de Carlos Reygadas
Diretor de produções como Post Tenebras Lux e Luz Silenciosa, o mexicano Carlos Reygadas retorna com a história uma história de amor e perda de um casal que mantém um relacionamento aberto no contexto das fazendas de inseminação de touros em ranchos mexicanos. Cotado para o Festival de Cannes.

Cena de Vazante, de Daniela Thomas
Cena de Vazante, de Daniela Thomas

Vazante, de Daniela Thomas
Tratando sobre questões raciais e de gênero em pleno começo do século 19, este filme de Daniela Thomas (de Terra Estrangeira) penetra na Minas Gerais da extração de pedras preciosas e do trabalho escravo. Um filme que vem sendo relatado como um relato sobre incomunicabilidade, solidão e decadência. Selecionado para o Festival de Berlim.

How To Talk To Girls At Parties, de John Cameron Mitchell
Em Londres, nos anos 1970, um jovem punk chamado Enn se apaixona por uma garota em uma festa, porém acaba descobrindo que ela e suas amigas são alienígenas enviadas para preparar um ritual interplanetário que colocará eles no meio de uma guerra intergalática. Com a direção inventiva de John Cameron Mitchell (Hedwig and the Angry Inch) adaptando o conto de Neil Gaiman, esta produção conta com Elle Fanning, Nicole Kidman, Ruth Wilson, Matt Lucas e Alex Sharpe no elenco. Selecionado para Cannes 2017 – Fora de competição.

Andrew Haigh nas filmagens de 45 anos
Andrew Haigh nas filmagens de 45 anos

Lean On Pete, de Andrew Haigh
Andrew Haigh já dirigiu produções excepcionais como Weekend e 45 anos, aqui nesta produção ele parte para a história de amizade entre uma garota de quinze anos e um corcel negro. Depois de tratar de relacionamentos amorosos conflituosos e frustrantes, Haigh parece dar as caras com um filme mais suave. Mas como as produções dele que vimos até o momento, alguma profundidade e excelência é esperada. No elenco estão nomes como Charlie Plummer, Chloe Sevigny, Steve Buscemi e Steve Zahn.

Quem era Primavera das Neves?, de Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo
Fascinado pela tradutora Primavera das Neves, Jorge Furtado decidiu descobrir mais sobre essa personalidade pouco reconhecida no meio literário e que já traduziu para o português obras de Lewis Carroll e Julio Verne. Após um post de 2010 em seu blog, no qual o cineasta revelava o encantamento por Primavera, Furtado recebeu algumas respostas de leitores e de uma amiga muito próxima da escritora. Assim, ele saiu em uma investigação sobre a trajetória e vida da tradutora que também era poeta. Não há previsão para lançamento deste documentário, mas é aguardado para meados deste ano. O filme, produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre, ainda é co-dirigido pela talentosa Ana Luiza Azevedo (Antes que o mundo acabe).

Como nossos pais, de Laís Bodanzky
Sem filmar um longa-metragem de ficção desde 2010 desde o drama juvenil As Melhores Coisas do Mundo, Laís Bodanzky finalmente retorna às telonas com esta produção estrelada por Maria Ribeiro sobre Rosa, uma mulher de várias facetas e divida em muitos papéis: mãe, profissional e esposa. Tudo vem à tona quando sua mãe decide lhe fazer uma visita e as coisas parecem tomar um rumo surpreendente. Selecionado para o Festival de Berlim 2017.

The Square
The Square

The Square, de Ruben Ostlund
Do mesmo realizador sueco de Força Maior, esta produção co-estrelada por Elisabeth Moss e Dominic West trata de uma artista plástica que cria um espaço em uma praça onde as pessoas podem dividir interesses em comum. Depois do estudo de um casal em crise, Ostlund pode propor aqui mais alguma abordagem antropológica promissora que beira ao cinema do grego Yorgos Lanthimos. 

Loveless, de Andrey Zvyagintsev
Após o sucesso de Leviathan, o russo Andrey Zvyagintsev entrega esta realização sobre um casal em processo de divórcio e que acaba notando, durante uma de suas brigas, que o filho de 12 anos sumiu. No processo de busca da criança o casal acaba revendo a complicada relação e os pontos fracos que os levaram até ali. Selecionado para Cannes 2017 – Competição.

Zama, de Lucrecia Martel
Este filme estava na nossa lista de 2016, mas acabou adiada para este ano. Como toda a expectativa em torno de um filme de Lucrecia Martel é sempre alta, repetimos novamente esperando que o filme seja exibido em algum festival o quanto antes. Uma co-produção que conta com Brasil e Espanha entre os investidores, com uma participação majoritária da Bananeira Filmes, de Vania Catani, Zama trata do paranóico e solitário Don Diego de Zama, um espanhol que serviu no Paraguai nos anos 1790. Baseada no livro de Antonio Di Benedetto ainda conta com o investimento de Pedro Almodóvar.  No elenco estão nomes como Matheus Nachtergaele e Lola Dueñas.

Suburbicon, de George Clooney
Reunindo nomes como Matt Damon, Julianne Moore, Oscar Isaac, Josh Brolin e Woody Harrelson, Clooney se dedica aqui a um suspense de adultério e chantagens. Após ladrões invadirem sua casa em um terrível ato de violência, uma família do subúrbio dos anos 50 decide sair em busca de vingança. Com esse elenco tem tudo para ser uma promessa para o Oscar de 2018.

Emma Thompson em Yeh Din Ka Kissa
Emma Thompson em Yeh Din Ka Kissa

The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach
Se existe alguém que vem filmando Nova York com mais propriedade e frescor do que Woody Allen, esse alguém é Noah Baumbach. O cineasta de filmes como Frances Ha, A Lula e a Baleia e o subestimado Margot e o Casamento trata aqui da história de uma família nova-iorquina que se reúne para comemorar uma retrospectiva do patriarca em uma famosa galeria de arte da cidade. Como consequência desse encontro, diversas problemáticas familiares vêm à tona. No elenco estão Adam Sandler, Ben Stiller, Emma Thompson, Dustin Hoffman, Candice Bergen. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

Jeanette, de Bruno Dumont
Com lançamento diretamente na televisão, este musical dirigido por Bruno Dumont, do recenteme Mistério na Costa Chanel, tratará sobre a infância de Joana d’Arc e passagem de camponesa para guerreira. É baseado no poema “O mistério da caridade de Joana d’Arc”, de Charles Péguy com trilha e composições do músico Gautier Serre, também conhecido como Igorrr. Selecionado para a Quinzena dos Realizadores – Cannes 2017.

Mother, de Darren Aronofsky
Um jovem casal tem a relação testada com a chegada da visita inesperada de um casal mais velho. Jennifer Lawrence desistiu de diversos projetos para atuar nesta produção que, ao que indica, tem ares de Quem Tem Medo de Virginia Woolf. No elenco ainda estão Domhnall Gleeson, Javier Bardem, Michelle Pfeiffer e Ed Harris. Darren Aronofsky, de Cisne Negro, dirige.

Nicole Kidman em ensaio do filme de Yorgos Lanthimos
Nicole Kidman em ensaio do filme do novo filme de Yorgos Lanthimos

The Killing Of A Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos
Yorgos Lanthimos é um dos principais nomes do cinema mundial atual e se mantém sem filmes lançados comercialmente no Brasil até o momento. Inclusive com um elenco de grandes nomes em O Lagosta o diretor não consegui ver sua produção além das telas do Festival do Rio, em 2015, acabando com um lançamento fraco e sem divulgação diretamente no iTunes durante 2016. Uma lástima já que o grego nos entregou o impactante Dente Canino. Com esta sua mais nova produção as distribuidoras brasileiras têm a oportunidade de se redimirem. Reprisando sua parceria com Colin Farrell, Lanthimos conta ainda com nomes como Nicole Kidman e Alicia Silverstone no elenco para dar corpo à trama de um cirurgião que adota um garoto, depois descobrindo um lado sombrio do jovem e suas ações sinistras. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

The Beguiled, de Sofia Coppola
Durante a Guerra Civil americana, um soldado ferido se esconde em um internato de garotas no Mississipi. Porém aos poucos as mulheres do local começam a mostrar diferentes facetas e obsessões. Remake do filme estrelado por Clint Eastwood e baseado em livro de mesmo nome, Sofia Coppola reúne um elenco excepcional com participações de Elle Fanning, Nicole Kidman, Colin Farrell e Kirsten Dunst. Estreia programada para 23 de junho nos Estados Unidos e entre julho e agosto no Brasil. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

Wonderstruck, de Todd Haynes
Baseado no livro de Brian Selznick (Hugo Cabret), Todd Haynes tem Julianne Moore, Michelle Williams e Millicent Simmons no elenco para contar a história de uma garotinha surda que em 1927 entra em uma jornada para conhecer sua atriz favorita, enquanto paralelamente, cinquenta anos depois, um jovem garoto foge para Nova York para encontrar o pai. Já foi divulgado que a parte ambientada nos anos 20 foi realizada como a estética de filme mudo. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

Jake Gyllenhaal e Tilda Swinton nas filmagens de Ojka
Jake Gyllenhaal e Tilda Swinton nas filmagens de Okja

Okja, de Bong Joon-Ho
Bong Joon-Ho já nos presenteou com ótimos filmes como Expresso do Amanhã, Mother e O Hospedeiro. Agora, em sua segunda realização com elenco internacional, embarcamos na história de uma jovem coreana que viaja pelo mundo tentando proteger o melhor amigo, um gigante chamado Okja, de uma corporação multinacional que pretende estudá-lo. No elenco estão Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal, Ahn So-hyun, Paul Dano e Lily Collins. Produção de Brad Pitt e distribuição da Netflix. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

Star Wars: Episode VIII, de Rian Johnson
Segunda parte da mais recente trilogia da saga Star Wars, continuamos seguindo Rey (Daisy Ridley) por sua jornada tentando compreender a força e descobrir o paradeiro dos pais que abandonaram-na quando pequena. Pouco foi divulgado sobre e um trailer é aguardado para o primeiro trimestre do ano. A produção ainda tem um peso maior para os fãs da produção com a recente perda da atriz Carrie Fisher, que volta a reprisar seu papel como a Comandante/Princesa Leia. Benicio Del Toro é a novidade no elenco. Estreia em 15 de dezembro.

Happy End, de Michael Haneke
Não tão longe de Caché, Haneke filma uma família francesa burguesa e em paralelo o preconceito e dificuldades que passam os refugiados e imigrantes no país. No elenco estão Isabelle Huppert, Jean-Louis Trintignant, Mathieu Kassovitz e Loubna Abidar. Premiere acertada para o Festival de Cannes.

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Blade Runner 2049

Blade Runner 2049, de Denis Villeneuve
Dando sequência ao clássico sci-fi dos anos 80, Denis Villeneuve tem nas mãos uma mina de ouro ou uma bomba relógio. Mas só descobriremos após assistir e até lá Blade Runner 2049 causa uma expectativa ao revitalizar a trama cyberpunk originalmente dirigida por Ridley Scott. Ryan Gosling protagoniza ao lado de Harrison Ford, reprisando seu papel do filme original, e ainda conta com nomes como Robin Wright, Mackenzie Davis, Jared Leto e até mesmo Carla Bruni em uma pequena participação. Estreia em 6 de outubro.

A Câmera de Claire, de Hang Sang-soo
Reprisando a parceria com Isabelle Huppert, o cineasta sul-coreano Hang Sang-soo conta a história de uma professora que se divide entre ensinar e escrever um livro. Não se sabe ao certo se Huppert protagonizará, mas dada a rica parceria iniciada em A Visitante Francesa é bem provável que o destaque vá para a francesa. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

Paul Thomas Anderson e Daniel Day-Lewis no set de Sangue Negro
Paul Thomas Anderson e Daniel Day-Lewis no set de Sangue Negro

Produção sem título, de Paul Thomas Anderson
Segundo filme de Paul Thomas Anderson a explorar os anos 1950, desta vez o diretor filma o mundo da moda londrino. Daniel Day-Lewis interpreta um designer nesta produção com co-distribuição entre Universal Pictures e Focus Features. Poucas informações foram divulgadas até o momento, mas a previsão de estreia já está agendada para o final do ano e com fortes promessas de ser um forte concorrente na próxima temporada de premiações.

10 melhores filmes de 2016

Chegou o final do ano e também o momento de realizar um balanço dos filmes assistidos durante o período. A necessidade de enumerá-los por ordem de importância e superioridade. É uma batalha incansável e por vezes até previsível, cansativa. Admitimos que elencar os melhores do ano de maneira hierárquica não é algo que nos move. Existe sim a necessidade de identificar o melhor do ano, mas de maneira alguma ir desmerecendo por ordem os outros nove filmes. A ideia de realizar este registro foi de reunir dez produções de cada um dos colaboradores do Calvero de uma maneira livre que leva em consideração os lançamentos do circuito comercial e também as produções assistidas em festivais ao longo do ano. O objetivo sempre foi buscar uma relação de filmes que trouxesse certo frescor, o que alcançamos sem muito esforço. Nesta composição baseada nas listas de três dos colaboradores do site chegou-se a uma listagem geral que você confere abaixo.

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Aquarius, de Kléber Mendonça Filho
De Cannes, passando pelo Festival de Gramado e chegando às listas das principais publicações sobre cinema do mundo em meio à protestos contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Aquarius atingiu um patamar que poucos filmes nacionais conseguiram nos últimos anos, talvez décadas. Afinal, integrar as listas da Sight and Sound e Cahiers du Cinèma não é para qualquer realizador. Após elogiados trabalhos e o emblemático Som ao Redor, Kleber Mendonça Filho retorna ao retrato da classe média brasileira e através de três grandiosos atos a vida de Clara (Sonia Braga em performance excepcional) e o prédio onde mora, o Aquarius. Ela é uma jornalista, crítica musical e escritora aposentada que chegou aos 60 anos sobrevivendo às adversidades que o tempo impõe. Mescla de filme-memória com nuanças de musical, o filme de Mendonça Filho oferece um olhar que destaca as contradições do brasileiro sem fugir da auto-crítica. E é exatamente aí que reside a beleza de Aquarius. por Renato Cabral

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Docinho da América, de Andrea Arnold
Saindo da Inglaterra e se aventurando na sua primeira empreitada nos Estados Unidos, Andrea Arnold realiza este road movie que mescla o clássico com o contemporâneo. Na história da jovem Star (Sasha Lane) somos levados pelas estradas americanas no melhor estilo já visto em clássicos do gênero, porém incluindo em sua trama algo característico de sua estética e temáticas: os jovens e sua busca por algum rumo. A estrada como metáfora funciona para o bando que vaga por cidades vendendo assinaturas de revistas e levando um estilo de vida nômade. Sasha Lane brilha com uma naturalidade intensa neste seu primeiro trabalho como atriz. – por Renato Cabral

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O que está por vir, de Mia Hansen-Løve
Mais uma exímia interpretação de Isabelle Huppert neste excelente drama, escrito e dirigido por Mia Hansen-Love, no qual se insere na tradição da intelligentsia acadêmica francesa. Huppert interpreta Nathalie, uma professora de filosofia, adepta à lógica e à abstração, cuja estabilidade se desmantela diante de seus olhos – o casamento, a mãe doente, as expectativas idealistas postas sobre seu aluno-prodígio. Dito isto, nunca se cai no melodrama, pois um ritmo naturalista de dramatização se alia à direção discreta, reflexo do meio em que se inserem as personagens. Após a morte da mãe, Nathalie adquire um organismo-satélite na forma da gata herdada, Pandora, com quem interage e projeta quando seus sentimentos vêm à tona. Juntas, se deslocam a um retiro anarquista, organizado pelo dito aluno, onde Nathalie se vê diante de dilemas ideológicos, em dualidade velhice-juventude com os jovens intelectuais. É importante notar que tamanha gama de reflexões deve principalmente às expressões faciais, as reações, uma valorização à atriz que ganha irmão malvado em Elle, duas facetas complementares. por Matheus Strelow

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Toni Erdmann, de Maren Ade
Em Todos os outros (Alle Anderen, 2009), a cineasta alemã Maren Ade abordava com leveza e naturalidade, sempre com uma dosagem de estranhamentos, o relacionamento de um jovem casal de namorados. Em Toni Erdmann, é a ligação pai e filha que ganha a atenção da realizadora. Ao longo de suas quase três horas de duração, o conflito entre o espírito corporativista dela e os modos excêntricos dele aos poucos se dilui em aspectos comuns aos dois. Rendendo comoções e gargalhadas, impressiona que, mesmo em seus momentos mais óbvios, o longa mantenha sua ternura e fidelidade à proposta, seja no ritmo ou no desenvolvimento dos personagens. Por ser essencialmente um estudo sobre suas figuras protagonistas, o filme alcança sua excelência justamente ao atingir plenamente tal ambição.por Maurício Vassali

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Certas mulheres, de Kelly Reichardt
Kelly Reichardt prossegue com sua investigação do trivial com uma antologia de três histórias sobre mulheres que vivem na mesma região interiorana estadunidense, cujas vidas eventualmente se entrecruzam através de ambientes ou até amantes em comum. São situações simples, representadas numa morosidade naturalista (o episódio mais extremo, envolvendo um sequestro, nunca sugere tensão ou perigo) que evidencia o silêncio, o olhar, o não dizer, a ponto de um simples não acenar de volta comportar imenso poder dramático.  Reichardt é uma das diretoras mais interessantes do cinema norteamericano, e após filmes como Antiga Alegria, Wendy e Lucy e Movimentos Noturnos, entrega aqui o que pode-se dizer ser seu trabalho mais completo, apropriando-se aqui do que melhor desenvolveu ao longo da carreira. Filme de força que distancia as personagens entre si, mas aproxima o espectador da experiência. por Matheus Strelow

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Elle, de Paul Verhoeven
Filme raro que genuinamente justifica a expressão “que loucura!”, percorrendo em linha tênue através de várias iterações da perversidade, questionando ativamente a noção de poder sistemático via olhos d’Ela, Michèle, Isabelle Huppert. A conhecemos pela primeira vez em pleno estupro. Seu agressor vai embora, Michèle calmamente arruma a bagunça, toma um banho e segue sua vida. É a partir daí que se elabora denso estudo através dos olhos desta mulher que, condicionada pela perversidade do patriarcado, imoralidade sádica. Em momento de ressignificação histórica, de apontamento da cultura do estupro no cinema e do abuso como recurso narrativo gratuito, é interessante deparar-se com reflexões de tamanha densidade sobre nossas condições sociais. Em jogo metafórico similar a Para a Minha Irmã (À ma soeur, Catherine Breillat, 2001), Elle inverte os valores através de uma quebra, aqui à metade da projeção, conclusão da perseguição de Michèle a seu estuprador. Mulher em alta posição de poder, resiste diariamente, através da soberba, às provocações de subordinados, à pressão normatizadora da mãe, ao circo de idiotas que rodeia sua vida, ao exercer seu direito supostamente nato à individualidade. Quando as cartas se revelam e Michèle reage inesperadamente, as coisas ficam mais complicadas. Cabe a cada pessoa, com seus próprios códigos morais, se colocar no lugar dela. Um exercício de empatia necessário. – por Matheus Strelow

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O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues
O cinema de João Pedro Rodrigues sintetiza-se completo em O Ornitólogo, indicando um fechamento de ciclo e anúncio de novo caminho a ser trilhado. O fascínio pelo corpo e sua eventual morte sempre se viu filtrado pelos cânones da fé católica, em ressignificação queer nonsense de suas simbologias, com interesse especial por Santo Antônio de Pádua. Após Odete, Morrer como um Homem e A Última Vez Que Vi Macau, Rodrigues reencontra-se com a jornada anti-indivíduo de seu primeiro longa, O Fantasma, irmão mais próximo de O Ornitólogo. Fernando Martins de Bulhões (Paul Hamy), nome completo cujos planos-detalhe de sua identidade deixam claro, perde-se na correnteza enquanto cataloga aves em busca de cegonhas negras. Assim como incorporamos seu olhar através do binóculo, o vemos através dos olhos das águias, corujas e pombas que permeiam a jornada. Resgatado por duas chinesas católicas, depara-se com episódios cada vez mais surreais que gradualmente dissipam seu senso de identidade, antes norteado pela materialidade de suas posses perdidas. Trata-se de uma experiência cinematográfica singular, melhor aproveitada quanto menos se sabe sobre de antemão. Os mínimos detalhes aqui traçados não fazem justiça à grandeza de O Ornitólogo. por Matheus Strelow

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A Vizinhança do Tigre, de Affonso Uchoa
A partir do cotidiano de Juninho, Eldo, Adilson, Menor e Neguinho, jovens moradores da periferia de Contagem, o diretor mineiro Affonso Uchoa vai além de uma rica observação social neste híbrido entre ficção e documentário. Aqui, cada um de seus personagens tem voz e não são apresentados como frações iguais de um único corpo. Esse respeito que tem pelos seus personagens evita que o espectador os veja simplesmente como “os meninos da periferia” em termos generalizados, já que cada um deles ganha contornos próprios. Ao mesmo tempo, o cineasta opta pelo retrato cru e evita amenizações que busquem transformar os protagonistas em figuras falsamente inocentes ou romantizadas. Contudo, tal dureza não é vendida como estética da miséria. Ela é necessária no retrato do contexto em que se inserem os personagens, uma realidade onde se mescla a proximidade da violência com a energia adolescente.  por Maurício Vassali

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Boi Neon, de Gabriel Mascaro
O pernambucano Gabriel Mascaro explana sem nenhuma pieguice ou militância as intervenções humanas no que é de ordem ambiental. Fora o fato da dominação sobre animais domésticos, Boi Neon observa o “progresso econômico” em ambientes aparentemente ainda intocados. O filme vai além, entretanto, de simplesmente constatar tal relação. Ele sugere, inclusive, a fusão entre homem e natureza, seja na naturalidade com que a nudez é tratada, seja em belas composições como a da lasciva mulher que usa uma máscara de cavalo enquanto dança. Se serve muito bem a tal discurso, o olhar do cineasta o faz ainda mais a seus propósitos artísticos. A simetria de alguns quadros suga os olhos do espectador, tamanho seu cuidado. Cores e profundidade são trabalhadas com maestria pela fotografia louvável de Diego Garcia, que aposta também em uma iluminação inspiradíssima, evidente em momentos do cotidiano dos personagens e em inserts como o de um vaqueiro que acaricia seu cavalo. Neste recorte de cotidiano, ainda há espaço para certa discussão de gênero e um humor que soa tão natural quanto a presença de Juliano Cazarré na tela. por Maurício Vassali

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Cinema Novo, de Eryk Rocha
Para o público comum, que pouco teve contato ou conhecimento sobre esse momento da cinematografia brasileira, este filme de Eryk Rocha pode causar certo estranhamento por não usar de um formato clássico de documentário, mas mesmo assim serve de porta de entrada para que se descubra mais a respeito e instigue o espectador. Cinema Novo é uma verdadeira masterclass sobre o movimento e seus personagens (diretores, distribuidores, críticos, entre outros) e o processo de criação deles. Ao assisti-lo, faz lembrar da importância do cinema como plataforma política e social, algo necessário no cenário atual. Seu registro busca uma munição maior: a memória. Mas nunca cai em uma nostalgia ou tom dramático simplório. É maduro e autocrítico ao mostrar, ao mesmo tempo, algumas contradições e a profunda riqueza do cinema realizado há mais de 50 anos atrás. Sua vitória em Cannes não é surpresa alguma. Uma triste percepção, no entanto, é constatar que esse capítulo tão importante da nossa história continue, muitas vezes, ainda quase esquecido ou ignorado pelo público brasileiro. por Renato Cabral

 

Os melhores por Renato Cabral

Melhor filme do ano: Aquarius, de Kleber Mendonça Filho
Outros destaques:
Cameraperson, de Kirsten Johnson
O que está por vir, de Mia Hansen Love
Docinho da América, de Andrea Arnold
Woo-ri-deul, de Ga-Eun Yoon
Poesia sem Fim, de Alejandro Jodorowsky
Elle, de Paul Verhoeven
Toni Erdmann, de Maren Ade
Cinema Novo, de Eryk Rocha
A Piscina, de Luca Guadagnino

 

Os melhores por Matheus Strelow

Melhor filme do ano: O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues
Outros destaques:
Aquarius, de Kléber Mendonça Filho
Elle, de Paul Verhoeven
Certas Mulheres, de Kelly Reichardt
Jovens, Loucos e Mais Rebeldes, de Richard Linklater
A Bruxa, de Robert Eggers
De Longe te Observo, de Lorenzo Vigas Castes
Docinho da América, de Andrea Arnold
O Que Está por Vir, de Mia Hansen-Løve
A Vizinhança do Tigre, de Affonso Uchoa

 

Os melhores por Maurício Vassali

Melhor filme do ano: Toni Erdmann, de Maren Ade
Outros destaques:
Aquarius, de Kléber Mendonça Filho
Boi Neon, de Gabriel Mascaro
O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues
O Lagosta, de Yorgos Lanthimos
A Vizinhança do Tigre, de Affonso Uchoa
Manchester à Beira Mar, de Kenneth Lonergan
Cinco Graças, de Deniz Gamze Ergüven
Era o hotel Cambridge, de Eliane Café
Combo de documentários: Cinema Novo, de Eryk Rocha; A 13ª emenda, de Ava Duvernay; Então Morri, de Bia Lessa, Dany Roland.

Os melhor por Pirs Duval

Melhor filme do ano: A Bruxa, de Robert Eggers
Outros destaques:
Green Room, de Jeremy Saulnier
Cemitério do Splendor, de Apichatpong Weerasethakul
Toni Erdmann, de Maren Ade
Cavaleiro de Copas, de Terrence Malick
Manchester à Beira Mar, de Kenneth Lonergan
Mais Forte que Bombas, de Joachim Trier
O Lagosta, de Yorgos Lanthimos
Anomalisa, de Charlie Kaufman e Duke Johnson
A Chegada, de Dennis Villeneuve