Expectativa – 30 filmes para 2017

Revisitando a nossa lista de 2016 podemos conferir que acertamos relativamente bem em boa parte dos títulos que selecionamos como grandes filmes do ano passado. É verdade que alguns foram adiados, outros se tornaram produções duvidosas, mas na contagem final ficamos felizes em notar que alguns citados foram até mesmo parar em nosso top de melhores de 2016. Então, ano novo e seguimos selecionando trinta títulos que valem a pena ficarmos atentos ao longo de 2017. Que o ano traga grandes realizações cinematográficas para todos os cinéfilos!

 

Un Beau Soleil Intérieur, de Claire Denis
Com o adiamento de seu primeiro sci-fi – citado em nossa lista do ano passado – Claire Denis já partiu para outra realização. Com um projeto que reunirá Juliette Binoche e Gerard Depardieu, a diretora francesa inicia as filmagens já no começo do ano. Foi revelado pouquíssimo sobre o que será trabalhado por Denis, mas sabe-se que será um filme livremente inspirado no livro Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes, sobre a desconstrução da linguagem do amor. Selecionado para a Quinzena dos Realizadores – Cannes 2017.

Abby Quinn, Edie Falco and Jenny Slate appear in Landline by Gillian Robespierre, an official selection of the U.S. Dramatic Competition at the 2017 Sundance Film Festival. © 2016 Sundance Institute | photo by Chris Teague.
Abby Quinn, Edie Falco e Jenny Slate em Landline

Landline, de Gillian Robespierre
Durante os anos 90 três mulheres precisam lidar com as dificuldades e contradições familiares após uma delas, ainda adolescente, descobrir que seu pai está tendo um caso extraconjungal. Vale lembrar que Robespierre trouxe certo frescor ao cinema independente americano recentemente com Obvious Child, estrelado por Jenny Slate. No elenco de Landline estão Slate, Edie Falco e John Turturro. Selecionado para o Festival de Sundance.

O Jantar, de Oren Moverman
Duas famílias se reúnem em um jantar para discutir sobre seus filhos que cometeram um terrível crime. Baseado no best-seller de Herman Koch, era o projeto dos sonhos de Cate Blanchett que pretendia estrear na direção. Infelizmente, por contratempos de agenda, a atriz sai da cadeira de diretora para dar lugar à Oren Moverman, de O Mensageiro. A grande curiosidade pela produção reside na reunião de grandes nomes em seu elenco que conta com Chloe Sevigny, Rebecca Hall, Laura Linney, Richard Gere e Steve Coogan.

Lady Bird, de Greta Gerwig
Nesta comédia dramática estrelada por Saoirse Ronan, Greta Gerwig dirige uma história que reflete um ano na vida de uma garota durante o ensino médio. Alguns dizem que é um filme de tom autobiográfico com nuanças de Frances Ha. Lembrando que Gerwig co-roteirizou os dois últimos filmes de Noah Baumbach, Mistress America e o também a dramédia da excêntrica personagem Frances.

Charlize Theron no set de filmagens de Tully
Charlize Theron no set de filmagens de Tully

Tully, de Jason Reitman
Charlize Theron reprisa sua parceria com Jason Reitman nesta produção na qual interpreta Marlo, mãe de três filhos que ainda precisa lidar com um recém-nascido. Entrando em desespero ela acaba contratando uma babá, Tully, interpretada por Mackenzie Davis. Aos poucos as duas mulheres criam um forte laço de amizade.  No elenco ainda estão Mark Duplass e Ron Livingston. O roteiro é de Diablo Cody (Jovens Adultos), costumeira colaboradora de Reitman desde Juno.

A Noite é Delas, de Lucia Aniello
Reunir Scarlett Johansson, Kate McKinnon e Ilana Glazer em uma comédia já valeria a pena, mas essa produção ainda traz na direção Lucia Aniello, responsável por diversos episódios da série Broad City, nova sensação da televisão americana e uma das comédias mais honestas dos últimos anos. Em A Noite é Delasum grupo de amigas confraterniza em uma casa alugada à beira da praia durante uma festa de despedida de uma delas, porém um acidente acontece e o stripper contratado acaba morto.

Mektoub Is Mektoub, de Abdellatif Kechiche
Depois do frenesi causado por Azul é a Cor Mais Quente, Abdellatif Kechiche retorna em uma trama sobre um jovem roteirista que volta para a sua cidade natal no Mediterrâneo e acaba caindo de amores em um triângulo amoroso entre uma velha conhecida e a esposa de um produtor, o qual se ofereceu para financiar seu mais novo projeto.  Poucas informações foram divulgadas sobre o projeto além da sinopse, mas pode ser que esteja pronto já para o Festival de Cannes que acontece em maio.

Vox Lux, de Brady Corbet
Consolidado por atuar em produções de diretores como Mia Hansen-Love, Lars Von Trier e Michael Haneke, Brady Corbet vem se mostrando também um diretor que todo cinéfilo precisa estar atento. Suas duas empreitadas atrás das telas, A Infância de um Líder e Simon Killer (o qual roteirizou) são prova de que um novo talento desponta, arrancando elogios da crítica e do público. Aqui em Vox Lux, Corbet apresenta um drama ambientado do final dos anos 90 que se estende até os dias atuais ao seguir uma jovem e a sua trajetória até alcançar o sucesso de tornar-se uma popstar. Rooney Mara protagoniza ao lado de Jude Law com trilha sonora composta por Sia Furler.

Donde nace la vida, de Carlos Reygadas
Diretor de produções como Post Tenebras Lux e Luz Silenciosa, o mexicano Carlos Reygadas retorna com a história uma história de amor e perda de um casal que mantém um relacionamento aberto no contexto das fazendas de inseminação de touros em ranchos mexicanos. Cotado para o Festival de Cannes.

Cena de Vazante, de Daniela Thomas
Cena de Vazante, de Daniela Thomas

Vazante, de Daniela Thomas
Tratando sobre questões raciais e de gênero em pleno começo do século 19, este filme de Daniela Thomas (de Terra Estrangeira) penetra na Minas Gerais da extração de pedras preciosas e do trabalho escravo. Um filme que vem sendo relatado como um relato sobre incomunicabilidade, solidão e decadência. Selecionado para o Festival de Berlim.

How To Talk To Girls At Parties, de John Cameron Mitchell
Em Londres, nos anos 1970, um jovem punk chamado Enn se apaixona por uma garota em uma festa, porém acaba descobrindo que ela e suas amigas são alienígenas enviadas para preparar um ritual interplanetário que colocará eles no meio de uma guerra intergalática. Com a direção inventiva de John Cameron Mitchell (Hedwig and the Angry Inch) adaptando o conto de Neil Gaiman, esta produção conta com Elle Fanning, Nicole Kidman, Ruth Wilson, Matt Lucas e Alex Sharpe no elenco. Selecionado para Cannes 2017 – Fora de competição.

Andrew Haigh nas filmagens de 45 anos
Andrew Haigh nas filmagens de 45 anos

Lean On Pete, de Andrew Haigh
Andrew Haigh já dirigiu produções excepcionais como Weekend e 45 anos, aqui nesta produção ele parte para a história de amizade entre uma garota de quinze anos e um corcel negro. Depois de tratar de relacionamentos amorosos conflituosos e frustrantes, Haigh parece dar as caras com um filme mais suave. Mas como as produções dele que vimos até o momento, alguma profundidade e excelência é esperada. No elenco estão nomes como Charlie Plummer, Chloe Sevigny, Steve Buscemi e Steve Zahn.

Quem era Primavera das Neves?, de Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo
Fascinado pela tradutora Primavera das Neves, Jorge Furtado decidiu descobrir mais sobre essa personalidade pouco reconhecida no meio literário e que já traduziu para o português obras de Lewis Carroll e Julio Verne. Após um post de 2010 em seu blog, no qual o cineasta revelava o encantamento por Primavera, Furtado recebeu algumas respostas de leitores e de uma amiga muito próxima da escritora. Assim, ele saiu em uma investigação sobre a trajetória e vida da tradutora que também era poeta. Não há previsão para lançamento deste documentário, mas é aguardado para meados deste ano. O filme, produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre, ainda é co-dirigido pela talentosa Ana Luiza Azevedo (Antes que o mundo acabe).

Como nossos pais, de Laís Bodanzky
Sem filmar um longa-metragem de ficção desde 2010 desde o drama juvenil As Melhores Coisas do Mundo, Laís Bodanzky finalmente retorna às telonas com esta produção estrelada por Maria Ribeiro sobre Rosa, uma mulher de várias facetas e divida em muitos papéis: mãe, profissional e esposa. Tudo vem à tona quando sua mãe decide lhe fazer uma visita e as coisas parecem tomar um rumo surpreendente. Selecionado para o Festival de Berlim 2017.

The Square
The Square

The Square, de Ruben Ostlund
Do mesmo realizador sueco de Força Maior, esta produção co-estrelada por Elisabeth Moss e Dominic West trata de uma artista plástica que cria um espaço em uma praça onde as pessoas podem dividir interesses em comum. Depois do estudo de um casal em crise, Ostlund pode propor aqui mais alguma abordagem antropológica promissora que beira ao cinema do grego Yorgos Lanthimos. 

Loveless, de Andrey Zvyagintsev
Após o sucesso de Leviathan, o russo Andrey Zvyagintsev entrega esta realização sobre um casal em processo de divórcio e que acaba notando, durante uma de suas brigas, que o filho de 12 anos sumiu. No processo de busca da criança o casal acaba revendo a complicada relação e os pontos fracos que os levaram até ali. Selecionado para Cannes 2017 – Competição.

Zama, de Lucrecia Martel
Este filme estava na nossa lista de 2016, mas acabou adiada para este ano. Como toda a expectativa em torno de um filme de Lucrecia Martel é sempre alta, repetimos novamente esperando que o filme seja exibido em algum festival o quanto antes. Uma co-produção que conta com Brasil e Espanha entre os investidores, com uma participação majoritária da Bananeira Filmes, de Vania Catani, Zama trata do paranóico e solitário Don Diego de Zama, um espanhol que serviu no Paraguai nos anos 1790. Baseada no livro de Antonio Di Benedetto ainda conta com o investimento de Pedro Almodóvar.  No elenco estão nomes como Matheus Nachtergaele e Lola Dueñas.

Suburbicon, de George Clooney
Reunindo nomes como Matt Damon, Julianne Moore, Oscar Isaac, Josh Brolin e Woody Harrelson, Clooney se dedica aqui a um suspense de adultério e chantagens. Após ladrões invadirem sua casa em um terrível ato de violência, uma família do subúrbio dos anos 50 decide sair em busca de vingança. Com esse elenco tem tudo para ser uma promessa para o Oscar de 2018.

Emma Thompson em Yeh Din Ka Kissa
Emma Thompson em Yeh Din Ka Kissa

The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach
Se existe alguém que vem filmando Nova York com mais propriedade e frescor do que Woody Allen, esse alguém é Noah Baumbach. O cineasta de filmes como Frances Ha, A Lula e a Baleia e o subestimado Margot e o Casamento trata aqui da história de uma família nova-iorquina que se reúne para comemorar uma retrospectiva do patriarca em uma famosa galeria de arte da cidade. Como consequência desse encontro, diversas problemáticas familiares vêm à tona. No elenco estão Adam Sandler, Ben Stiller, Emma Thompson, Dustin Hoffman, Candice Bergen. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

Jeanette, de Bruno Dumont
Com lançamento diretamente na televisão, este musical dirigido por Bruno Dumont, do recenteme Mistério na Costa Chanel, tratará sobre a infância de Joana d’Arc e passagem de camponesa para guerreira. É baseado no poema “O mistério da caridade de Joana d’Arc”, de Charles Péguy com trilha e composições do músico Gautier Serre, também conhecido como Igorrr. Selecionado para a Quinzena dos Realizadores – Cannes 2017.

Mother, de Darren Aronofsky
Um jovem casal tem a relação testada com a chegada da visita inesperada de um casal mais velho. Jennifer Lawrence desistiu de diversos projetos para atuar nesta produção que, ao que indica, tem ares de Quem Tem Medo de Virginia Woolf. No elenco ainda estão Domhnall Gleeson, Javier Bardem, Michelle Pfeiffer e Ed Harris. Darren Aronofsky, de Cisne Negro, dirige.

Nicole Kidman em ensaio do filme de Yorgos Lanthimos
Nicole Kidman em ensaio do filme do novo filme de Yorgos Lanthimos

The Killing Of A Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos
Yorgos Lanthimos é um dos principais nomes do cinema mundial atual e se mantém sem filmes lançados comercialmente no Brasil até o momento. Inclusive com um elenco de grandes nomes em O Lagosta o diretor não consegui ver sua produção além das telas do Festival do Rio, em 2015, acabando com um lançamento fraco e sem divulgação diretamente no iTunes durante 2016. Uma lástima já que o grego nos entregou o impactante Dente Canino. Com esta sua mais nova produção as distribuidoras brasileiras têm a oportunidade de se redimirem. Reprisando sua parceria com Colin Farrell, Lanthimos conta ainda com nomes como Nicole Kidman e Alicia Silverstone no elenco para dar corpo à trama de um cirurgião que adota um garoto, depois descobrindo um lado sombrio do jovem e suas ações sinistras. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

The Beguiled, de Sofia Coppola
Durante a Guerra Civil americana, um soldado ferido se esconde em um internato de garotas no Mississipi. Porém aos poucos as mulheres do local começam a mostrar diferentes facetas e obsessões. Remake do filme estrelado por Clint Eastwood e baseado em livro de mesmo nome, Sofia Coppola reúne um elenco excepcional com participações de Elle Fanning, Nicole Kidman, Colin Farrell e Kirsten Dunst. Estreia programada para 23 de junho nos Estados Unidos e entre julho e agosto no Brasil. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

Wonderstruck, de Todd Haynes
Baseado no livro de Brian Selznick (Hugo Cabret), Todd Haynes tem Julianne Moore, Michelle Williams e Millicent Simmons no elenco para contar a história de uma garotinha surda que em 1927 entra em uma jornada para conhecer sua atriz favorita, enquanto paralelamente, cinquenta anos depois, um jovem garoto foge para Nova York para encontrar o pai. Já foi divulgado que a parte ambientada nos anos 20 foi realizada como a estética de filme mudo. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

Jake Gyllenhaal e Tilda Swinton nas filmagens de Ojka
Jake Gyllenhaal e Tilda Swinton nas filmagens de Okja

Okja, de Bong Joon-Ho
Bong Joon-Ho já nos presenteou com ótimos filmes como Expresso do Amanhã, Mother e O Hospedeiro. Agora, em sua segunda realização com elenco internacional, embarcamos na história de uma jovem coreana que viaja pelo mundo tentando proteger o melhor amigo, um gigante chamado Okja, de uma corporação multinacional que pretende estudá-lo. No elenco estão Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal, Ahn So-hyun, Paul Dano e Lily Collins. Produção de Brad Pitt e distribuição da Netflix. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

Star Wars: Episode VIII, de Rian Johnson
Segunda parte da mais recente trilogia da saga Star Wars, continuamos seguindo Rey (Daisy Ridley) por sua jornada tentando compreender a força e descobrir o paradeiro dos pais que abandonaram-na quando pequena. Pouco foi divulgado sobre e um trailer é aguardado para o primeiro trimestre do ano. A produção ainda tem um peso maior para os fãs da produção com a recente perda da atriz Carrie Fisher, que volta a reprisar seu papel como a Comandante/Princesa Leia. Benicio Del Toro é a novidade no elenco. Estreia em 15 de dezembro.

Happy End, de Michael Haneke
Não tão longe de Caché, Haneke filma uma família francesa burguesa e em paralelo o preconceito e dificuldades que passam os refugiados e imigrantes no país. No elenco estão Isabelle Huppert, Jean-Louis Trintignant, Mathieu Kassovitz e Loubna Abidar. Premiere acertada para o Festival de Cannes.

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Blade Runner 2049

Blade Runner 2049, de Denis Villeneuve
Dando sequência ao clássico sci-fi dos anos 80, Denis Villeneuve tem nas mãos uma mina de ouro ou uma bomba relógio. Mas só descobriremos após assistir e até lá Blade Runner 2049 causa uma expectativa ao revitalizar a trama cyberpunk originalmente dirigida por Ridley Scott. Ryan Gosling protagoniza ao lado de Harrison Ford, reprisando seu papel do filme original, e ainda conta com nomes como Robin Wright, Mackenzie Davis, Jared Leto e até mesmo Carla Bruni em uma pequena participação. Estreia em 6 de outubro.

A Câmera de Claire, de Hang Sang-soo
Reprisando a parceria com Isabelle Huppert, o cineasta sul-coreano Hang Sang-soo conta a história de uma professora que se divide entre ensinar e escrever um livro. Não se sabe ao certo se Huppert protagonizará, mas dada a rica parceria iniciada em A Visitante Francesa é bem provável que o destaque vá para a francesa. Selecionado para Cannes 2017 – Competitiva.

Paul Thomas Anderson e Daniel Day-Lewis no set de Sangue Negro
Paul Thomas Anderson e Daniel Day-Lewis no set de Sangue Negro

Produção sem título, de Paul Thomas Anderson
Segundo filme de Paul Thomas Anderson a explorar os anos 1950, desta vez o diretor filma o mundo da moda londrino. Daniel Day-Lewis interpreta um designer nesta produção com co-distribuição entre Universal Pictures e Focus Features. Poucas informações foram divulgadas até o momento, mas a previsão de estreia já está agendada para o final do ano e com fortes promessas de ser um forte concorrente na próxima temporada de premiações.

Aquarius e a resistência da memória e do corpo

Aquarius (2016) possui um fator que o difere de muitos dos filmes que pipocam por aí. Assim como as produções anteriores de Kleber Mendonça Filho, sua mais recente empreitada está repleta de subtextos e a cada nova revisão se apresentam novas interpretações. Chega a ser uma fonte quase inesgotável de assuntos e abordagens que podem ser exploradas em diferentes esferas. Se no quesito extrafílmico a produção já nos coloca a discutir a importância do cinema como um ato de consciência política, através dos atos de denúncia do golpe de estado no país, no que se refere ao recorte diegético, o que está presente apenas no filme, Mendonça constrói uma narrativa que fisga o espectador por esta abordagem profunda que flerta com questões sócio-econômicas, políticas, filosóficas e culturais.

A história nos coloca frente à Clara, interpretada com plenitude por Sonia Braga. Heroína, nossa protagonista serve como base para que outras narrativas se desenvolvam e desafios se apresentem. Através da memória afetiva da personagem, Mendonça Filho constrói um forte núcleo e o ramifica. Partindo da Recife dos anos 70, somos apresentados a três atos, com títulos dúbios, mas muito bem amarrados na trama: “O cabelo de Clara”, “O amor de Clara” e “O câncer de Clara”. Todos ambientados no Edifício Aquarius, de onde, nos dias atuais, a personagem de Braga recusa-se a sair após uma construtora adquirir todos os apartamentos do local.

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Essa recusa frente a especulação imobiliária é um ato de resistência pela memória. Aquarius é essencialmente sobre a construção das lembranças e a preservação da mesma. Existe uma comparação metafórica entre Clara e o prédio, como uma construção. O edifício e ela mudam paralelamente. É uma externalização da própria. É a aproximação com a ideia de corpo em um filme que é muito corpóreo e material. O corpo humano e errático, complexo e deficiente às vezes, e também sobre a lembrança materializada. A cômoda-voyeur que representa a tia, as músicas através dos LPs que agora são transpostas para o mp3, as imagens através das fotografias.

O filme faz lembrar do que Susan Sontag escreveu em Sobre Fotografia (Companhia das Letras, 2014). A escritora comenta que o retrato fotográfico é parte importante da evolução social. É através da fotografia que a ascensão das classes sociais mais baixas encontra um significado político e também social. A documentação que os retratos possuem trazem como justificativa um enaltecimento, uma preservação de um passado (ou o próprio presente) que entra, muitas vezes, em extinção. Em Aquarius, Kléber volta a explorar a importância da fotografia como registro. Em O Som ao Redor as fotos abriam e encerravam a produção. Aqui, em sua mais recente realização, além de abrir durante os créditos iniciais, as fotografias estão espalhadas por toda a narrativa como uma forma de resgate do passado. Reflete muito sobre a construção (ou desconstrução) de Recife, de seus personagens e da sociedade. É um tom nostálgico.

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Aliás, são as pessoas que movimentam a história e a vida de Clara. A tia na qual ela subconscientemente se espelha, a sua própria complexidade e atitudes do passado que deixam marcas na filha Ana Paula (Maeve Jinkings), o sobrinho que a conecta com as novas gerações e velhos dilemas, a vilânia hereditária presente no jovem dono (Humberto Carrão) da construtora, a paixão platônica pelo salva-vidas (Irandhir Santos),  a noitada com as amigas, e, ainda, a empregada que teve um filho tirado em um atropelamento. É a criação de um universo real e quase-tátil de corpos, vivências e memórias pulsantes que se estendem ao espectador.

A capacidade de Kleber em criar uma atmosfera que se inicia como dramática, navega para um humor sutil e rapidamente muda para um tom de suspense também é destacável. É a jornada de uma heroína, alcançada em uma amplitude exemplar. Se confirma, mais uma vez, como é um grande realizador e um autor que consegue refletir em cima de sua própria obra. Afinal, há muito de O Som ao Redor (2012) em Aquarius, e, ainda bem, sem ser repetitivo ou simplório, mas sim muitíssimo profundo. A estética serve à trama e não o contrário. A cena do sonho de Clara, repleta de simbolismos, que no seu filme anterior era destacada por uma cachoeira de sangue, se repete aqui quando a personagem dorme e sonha com uma ex-empregada da família. Volta-se a questões sociais crônicas, que avançam por gerações.

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Entre a seleção para Cannes, denuncias de golpe e debates acalorados, Aquarius nasce pronto para se tornar fonte de análises múltiplas. É, de longe, um filme afetivo e uma das mais impactantes realizações brasileiras dos últimos anos. Um filme que pede para ser visto pelo seu público de forma crítica, não somente pelo filme, mas também pelo que se enxerga além da tela em termos políticos e sociais. É necessário analisar o que se assiste de uma forma muito similar ao que Anna Muylaert apresentou com Que Horas Ela Volta? (2015). A cena final, na qual Sonia Braga esbanja uma atuação intensa personificando Clara como uma justiceira, é catártica para o público. É, felizmente, a resolução de todos os problemas de Clara. Mas fica uma sensação estranha com o espectador. Será mesmo a solução dos problemas e questões que Kleber revela nas suas entrelinhas e estão presentes em nossa sociedade?

Julieta e o silêncio que ensurdece

Conversando com alguns amigos sobre Julieta (2016), nova realização de Pedro Almodóvar e selecionada para o Festival de Cannes deste ano, chegávamos sempre a mesma conclusão: a realização menos inspirada do espanhol ainda será um filme muito mais complexo e interessante do que qualquer realização de algum cineasta mediano que apresente surpreendentemente um bom trabalho. E Julieta é exatamente isso. Não é um Almodóvar que avança na linguagem e narrativa ao compararmos com seus filmes anteriores. É uma realização cômoda, nada febril e dentro de uma zona de conforto do realizador. Reforçando as características de seu cinema, o cineasta parte das relações familiares dando importância, como sempre, à maternidade.

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Com uma riqueza plástica e repleta de metáforas através da direção de arte e fotografia, o diretor constrói a história de sua personagem-título, uma mulher que parece esconder um grande trauma no passado. Enquanto organiza sua mudança e saída de Madrid junto do namorado, Julieta esbarra em uma amiga de infância de sua filha, da qual nem sabíamos da existência. É visível seu incômodo, como se fosse confrontada com algum tipo de assombração. Esse baque repentino abre as comportas de um passado que ela havia fechado e selado para nunca mais visitar. Mãe e filha já não se falam há anos e esse reencontro com uma memória antes esquecida pulsa como uma nova esperança, um sinal divino para que ela não abandone a cidade. A nostalgia consome Julieta a tal ponto que ela decide voltar a viver no prédio em que criou sua filha para, de alguma forma, esperá-la. No local,  lhe resta organizar os pensamentos e colocar a limpo toda a sua história com a filha através de uma longa carta que molda toda a narrativa do filme.

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A trama tem inspiração no livro Fugitiva, da escritora canadense Alice Munro. São três contos presentes na edição e que ficam transpostos no filme como três atos: Ocasião, Daqui a pouco e Silêncio. Tanto que o título do último conto era o título original do longa do espanhol, mas para não competir com o do novo filme de Martin Scorsese, Almodóvar optou por batizar com o nome de sua protagonista, nada mais adequado, porém, ainda assim é o silêncio que permeia a produção. Mesmo que de uma maneira menos literal esteticamente.

Ao falar sobre incomunicabilidade no âmbito familiar, Almodóvar  não silencia Julieta, muito pelo contrário. A personagem é dona de uma voz poderosa dentro da história através da narração de sua carta. É ela quem nos guia. Tanto que em alguns momentos chega a ser uma intromissão.

As consequências da falta de diálogo, do silêncio entre mãe e filha, é tamanha que configura marcas que não cicatrizam facilmente. Existe um sentimento de culpa por esse distanciamento que de maneira progressiva e muito característica de Almodóvar, vamos descobrindo o porquê. A taciturnidade que acompanha o filme e as personagens trazem em si um silêncio que ensurdece as relações. Com a separação abrupta que a filha busca, Julieta aos poucos anula a existência de sua prole. É como uma vida que nunca existiu, um passado anulado.

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Ao passo que a narrativa vai e volta com a narração de Julieta, a direção de arte, através dos cenários e figurinos primorosos, utiliza das cores primárias para refletir a simplicidade de sentimentos ou, com entrada das cores secundárias e tons pastel, parte para a complexidade da trama e externa o psicológico conturbado de seus personagens no momento.

Dentre tantos efeitos para refletir o tempo e a psicologia da trama, o diretor coloca em cena uma de suas mais sutis e lindas cenas através de uma elipse temporal de anos quando a filha seca os cabelos de uma Julieta arrasada pela depressão. É o auge de Almodóvar em Julieta. É o máximo de seu experimento com a linguagem na produção. Por mais simples que pareça, é, como comentou-se anteriormente, um grandioso momento. Simples e belo.

Protagonizado por duas grandiosas atrizes, Adriana Ugarte e Emma Suárez, que interpretam Julieta em duas fases, o filme conversa com outros selecionados do Festival de Cannes, em especial o brasileiro Aquarius (2016), de Kleber Mendonça Filho. Ambos trazem a memória como um propulsor de força assombrosa através de grandes mulheres. A “viagem ao tempo” através das lembranças. Almodóvar retoma aqui, mais uma vez, as características do seu cinema  em um dos seus filmes mais femininos. As mulheres, as cores de Almodóvar, os homens coadjuvantes e passivos ou brutos, a trama que aos poucos se revela e o humor sutil estão lá. Se o baque e o impacto faltam, sobre em inteligência e sensibilidade.

 

Rua Cloverfield, 10

Lançado em 2008, Cloverfield: Monstro trouxe de volta para o grande público a estética de gravação amadora e olhar subjetivo, características de filmes como A Bruxa de Blair (1999) e REC (2007). Considerada (inexplicavelmente) notável, na época, a produção apenas construia um suspense relativamente bom com uma tensão razoável. Oito anos depois, ainda com produção de J. J. Abrams, é dado segmento com sua sequência Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Lane, 2016) em uma história que ocorre em paralelo aos eventos dos ataques de seres extraterrestres da produção anterior e, finalmente, mostrando ao que Cloverfield realmente veio.

As motivações e desenvolvimento deste primeiro filme eram um tanto quanto rasos e seus personagens beiravam ao esquecimento, além muito irritantes. Felizmente, encontramos o oposto em sua continuação. A muito expressiva Mary Elizabeth Winstead (de Scott Pilgrim vs. o Mundo) é Michelle, uma aspirante à estilista que abandona o noivo em uma tarde para pegar a estrada à um lugar que não sabemos bem. No percurso a garota sofre um acidente de carro, acordando dias depois em um bunker onde acredita estar sendo feita prisioneira sem saber dos recentes ataques ao planeta.

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Desenvolver uma explicação do que acontece a partir deste momento pode entregar a trama e pontos-chave da produção. A melhor maneira de assistir à Rua Cloverfield, 10 é saber o menos possível. Mesmo assim, é bom antecipar que a direção de Dan Trachtenberg é esperta e o roteiro do trio Josh Campbell, Matthew Stuecken, Damien Chazelle ganha muito por deixar de lado a câmera amadora subjetiva e já datada.  No geral, encontramos um ótimo alinhamento entre os seus aspectos técnicos e narrativos. Se a trilha sonora se torna exagerada em alguns momentos, a interpretação não é nenhum pouco afetada. John Goodman interpretando o instável Howard, dono do bunker, é de uma intensidade impressionante em cena.

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Se valendo de comparações entre micro e macro espaço, o fechado e o amplamente aberto,  Trachtenberg constrói seu filme claustrofóbico sabendo que toda a história de invasores e reféns vai bem além de um engenhoca alienígena, servindo, como em muitos casos, de mais uma metáfora. Os momentos de maior impacto são exatamente aqueles que não residem grandes explosões ou raças desconhecidas, mas sim a dualidade e complexidade do ser humano, que é colocada à prova constantemente. Para coroar com perfeição, finalmente são apresentadas motivações dos personagens de forma mais verossímeis, se comparadas com a do primeiro filme. Se o protagonista anterior parecia exageradamente romântico e pollyanesco, tendo como impulso maior o amor por uma garota e ir ao seu encontro em meio aos ataques, aqui em Rua Cloverfield, 10 os realizadores focam em questões relativas a abusos, sobrevivência e liberdade, conceitos e motivações que são muito mais maduros. Maturidade é a palavra que melhor define esse mais novo passo de uma hipotética futura trilogia ou saga Cloverfield.

Expectativa – 30 filmes para 2016

Depois de um 2015 movimentado com ótimos retornos de George Miller e Godard, o ano de 2016 parece que será também bem agitado. Pedro Almodóvar lança mais um drama feminino, Martin Scorsese realiza um dos seus projetos mais aguardados em anos, a francesa Claire Denis e Kléber Mendonça Filho também retornam.

Listamos esses e muitos outros filmes em uma seleção de 30 títulos que estamos com grandes expectativas para esse ano que se inicia.

Midnight Special, de Jeff Nichols
Diretor de pérolas do cinema atual como Amor Bandido e O Abrigo, Nichols embarca agora em uma trama na qual pai  e filho saem em fuga após a descoberta de que o garoto possui poderes especiais. No elenco, Michael Shannon reprisa a parceria com o diretor e ainda contracena com nomes como Kirsten Dunst, Adam Driver e Joel Edgerton.

Zama, de Lucrecia Martel
Diretora de clássicos contemporâneos como O Pântano e A mulher sem cabeça, Lucrecia Martel traz aqui um épico sobre a colonização espanhola na América Latina. Uma adaptação da obra do argentino Antonio di Benedetto. Co-produzido pela brasileira Bananeira Filmes, de Vania Catani, tem no elenco Lona Dueñas e Matheus Nachtergaele. Atualização: Zama teve seu lançamento adiado para 2017.

Julieta, de Pedro Almodóvar
Entitulado anteriormente de Silencio, mas que teve seu título alterado para não causar conflitos com outro filme de grande expectativa esse ano, Silencio, de Martin Scorsese, Almodóvar retorna ao seu cinema que destaca as mulheres e protagonistas complexas em um dramalhão típico. Cogita-se que a estreia do filme aconteça no próximo festival de Cannes.

Silencio, de Martin Scorsese
No século XVII dois padres jesuítas enfrentam momentos de violência e perseguição quando viajam para o Japão com a missão de localizar seu mentor e ainda propagar os valores cristãos. Scorsese dirige essa adaptação do livro de Shûsaku Endô com Adam Driver, Liam Neeson e Andrew Garfield.

Personal Shopper, de Olivier Assayas
Kristen Stewart reprisa a parceria com Assayas e embarca no cruel mundo da moda de Paris para esse drama fashion falado em inglês. Vencedor do Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes 2016.

Aquarius, de Kleber Mendonça Filho
Cotado até mesmo para a seleção de Cannes, Aquarius é uma ficção científica que traz Sonia Braga interpretando uma crítica musical capaz de viajar no tempo. Selecionado para o Festival de Cannes 2016.

Frantz, de François Ozon
A noiva de um soldado falecido na Primeira Guerra Mundial visita o túmulo do amado e nota a presença de um homem misterioso que deixou flores para o seu noivo.

Elle, de Paul Verhoeven
Nesse novo thriller erótico de Verhoeven, Isabelle Ruppert interpreta Michelle, uma CEO de uma grande corporação de jogos de videogame. Atacada por um assaltante em sua própria casa ela decide não se dar por vencida e incia um jogo de gato e rato em uma trama em espiral. Selecionado para o Festival de Cannes de 2016.

Christine, de Antonio Campos
Filho do jornalista Lucas Mendes, Antonio Campos já mostrou ao que veio com produções como Simon Killer e Afterschool. Um cineasta para ficar de olho, Campos agora lança em Sundance essa produção baseada em fatos reais sobre a jornalista Christine Chubbuck, que em 1974 cometeu suicídio ao vivo em plena televisão aberta. Rebecca Hall interpreta Chubbuck. Selecionado para o Festival de Sundance de 2016.

Little Men, de Ira Sachs
A amizade de dois melhores amigos é testada quando os pais dos garotos iniciam uma briga devido ao roubo de um vestido. Sachs reprisa a parceria com seu parceiro Mauricio Zacharias nessa produção que tem no elenco grandes nomes como Paulina Garcia, Greg Kinnear, Jennifer Ehle e Alfred Molina.

How to talk to girls at Parties, de John Cameron Mitchell
Sem filmar um longa-metragem desde Reencontrando a Felicidade, de 2010, John Cameron Mitchell retorna aos sets para adaptar o conto de Neil Gaiman sobre um extra-terrestre que faz uma excursão pela galáxia, se perde do seu grupo, acaba caindo na Terra e conhece duas jovens do subúrbio londrino. Rotulado como uma comédia romântica e musical, Mitchell revisitará os tempos de Hedwig and the angry inch. No elenco, Elle Fanning, Ruth Wilson, Matt Lucas e uma participação especial de Nicole Kidman como uma rockstar.

Ma Loute, de Bruno Dumont
No verão de 1910 diversos turistas desaparecem enquanto relaxam nas belas praias do Canal da Costa. É quando os detetives Machin e Malfoy se reunem no epicentro desses misteriosos desaparecimentos chegando a conclusão que podem estar relacionados a folga da baía, um fenômeno único no qual a folga do rio e o mar se juntam em uma gigantesca onda. No elenco, Juliette Binoche e Valeria Bruni Tedeschi.

Apenas o fim do mundo, de Xavier Dolan
Um escritor retorna 12 anos depois ao vilarejo em que vive a sua família, no interior da França, com o propósito de anunciar que está morrendo. No elenco nomes como Léa Seydoux, Marion Cottilard, Vincent Cassel e Gaspard Ulliel. Vencedor do Prêmio Ecumênico e o Prêmio do Júri do Festival de Cannes de 2016.

The Bad Batch, de Ana Lily Amirpour
Depois do elogiado Garota Sombira Caminha pela Noite, Amirpour retrata uma história de amor distópica no deserto do Texas em uma comunidade de canibais. No elenco, Jim Carrey, Keanu Reeves e Diego Luna.

High Life, de Claire Denis
Roteiro co-escrito por Denis e a escritora britânica Zadie Smith, o filme trata de um grupo de criminosos que aceitam uma missão espacial na qual serão sujeitos a uma série de experimentos a respeito da reprodução humana. No elenco, Robert Pattinson, Mia Goth e Patricia Arquette. Atualização: O lançamento de High Life foi adiado para 2017.

The Zookeeper’s Wife, de Niki Caro
Drama sobre os donos de um zoológico, Jan e Antonina Zabinski, que salvaram diversas pessoas e animais durante a invasão nazista na Polônia. Jessica Chastain interpreta Antonina.

Certain Women, de Kelly Reichardt
Três mulheres têm suas vidas cruzadas em uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos em um momento em que cada uma enfrenta um desafio extremo.

Wiener-Dog, de Todd Solondz
Sem lançar uma produção válida de atenção há algum tempo, Solondz reúne um grande elenco com nomes como Greta Gerwig, Ellen Burstyn, Julie Delpy e Danny DeVito nessa produção que trata, de forma característica dos filmes do diretor, sobre diversas pessoas que encontram suas vidas inspiradas pelo mesmo cachorro-linguiça (dachshund).

Weightless, de Terrence Malick
Toda lista de expectativas a cada ano, nos últimos três, e  que se preze cita o adiado drama musical de Terrence Malick. Filmado durante um renomado festival musical americano em 2011 e 2012, o filme reúne bandas como Arcade Fire, Iron and Wine e Fleet Foxes com um elenco de nomes como Cate Blanchett, Michael Fassbender, Rooney Mara e Ryan Gosling.

Arrival, de Denis Villeneuve
Quando aliens ameaçam invadir a Terra, uma linguista é recrutada para descobrir se eles vieram em paz ou destinados a uma guerra. Amy Adams protagoniza.

La Fille inconnue, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
Uma médica fica obcecada por descobrir a identidade de uma mulher que morreu após se recusar a ser operada no hospital em que trabalha.

A Rainha de Katwe, de Mira Nair
Lupita Nyong’o e David Oyelowo estrelam essa produção sobre uma prodígia ugandense em xadrez que se torna candidata ao título máximo da competição do esporte.

Elis, de Hugo Prata
Cinebiografia da “Pimentinha”, o filme de Hugo Prata abordará a chegada da cantora gaúcha ao Rio de Janeiro em pleno golpe militar de 1964. No elenco estão Andreia Horta e Caco Ciocler.

De onde eu te vejo, Luiz Villaça
Recém separados, Ana e Fábio passam a morar em sozinhos em apartamentos que ficam um de frente para o do outro. Enquanto isso, a filha do casal está de mudança para outra cidade, levada pela faculdade. O casal precisará se ajustar para viver essa nova vida. Denise Fraga, Domingos Montagner e Laura Cardoso estão no elenco.

Para minha amada morta, de Aly Muritiba
Vencedor do Festival de Brasília de 2015 e diversos prêmios em outros festivais e mostras, Para minha amada morta finalmente chega aos cinemas embalado por essa ótima recepção. Com a morte de sua esposa, Fernando torna-se instrospectivo. Cercado de objetos e lembranças da falecida ele descobre uma fita VHS que o surpreende e coloca em dúvida o amor e luto pela esposa. Ele entra em uma investigação própria que consume seus dias, se tornando uma obsessão.

O Silêncio do Céu, de Marco Dutra
Produção de Rodrigo Teixeira rodada em Montevidéu, esse thriller dirigido por Dutra (de Trabalhar Cansa e Quando eu era vivo) traz no elenco Carolina Dieckmann e Leonardo Sbaraglia (Plata Quemada) e trata da história de um homem que testemunha sua mulher ser violentada por dois homens. Em estado de choque ele paralisa e não consegue reagir a situação. Sem saber que o marido presenciou o crime, ela escolhe manter segredo. O roteiro da produção é de Caetano Gotardo, Sergio Bizzio e Lucía Puenzo.

Mãe só há uma, de Anna Muylaert
Depois do estouro de Que horas ela volta?, Anna Muylaert ainda tem uma outra carta na manga. Em Mãe é uma só a diretora aposta na história de um menino roubado na maternidade que cresce com a família trocada. Um dia o garoto descobre o fato e a vida da família vira de ponta-cabeça.

A glória e a graça, de Flávio R. Tambellini
Carolina Ferraz interpreta Glória, um transexual bem sucedido que vive distante da família, incluindo sua irmã Graça. Ao descobrir que está com uma doença terminal, Graça tenta se reaproximar de Glória.

Nocturnal Animals, de Tom Ford
Baseado no livro de Austin Wright o filme de Ford trata de uma história dentro de uma história. Na primeira parte o foco é na trama de Susan, personagem que recebe o manuscrito de um livro do seu ex-marido, que ela deixou há 20 anos, querendo saber a opinião dela. O segundo segmento da produção é abordada a dramatização do livro chamado de Animais Noturnos, ao passo que Susan precisa encarar alguns eventos do passado. No elenco estão Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Aaron Taylor-Johnson, Isla Fisher e Michael Shannon.

Rogue One – Uma História de Star Wars, de Gareth Edwards
Um grupo de guerreiros da resistência se unem para uma perigosa missão: roubar os planos do Império para a Estrela da Morte. Felicity Jones, Diego Luna, Riz Ahmed Forest Whitaker e  Mads Mikkelsen estão no elenco.

Absolutely Fabulous, de Mandie Fletcher
Adaptação para as telas da série dos anos 90 de grande sucesso na Europa sobre Edina e Patsy, duas solteironas que já passaram dos quarenta e vivem no mundo fashion repleto de drogas e álcool. Humor nonsense característico dos britânicos sempre tem aquela classe. No elenco estão Jennifer Saunders, Joanna Lumley, Gwendoline Christie, Rebel Wilson e Joan Collins.

Carol, de Todd Haynes
Lançado originalmente em 2015, Carol só chega aos cinemas brasileiros no começo desse mês, dia 14 de janeiro, mas já é desde o festival de Cannes do ano passado um dos títulos mais interessantes. Adaptação do livro de Patricia Highsmith sobre o romance entre uma vendedora de loja de departamentos e uma dona-de-casa instatisfeita, Haynes abraça os melodramas dos anos 50 para contar essa história com fotografia influenciada pelas pinturas de Edward Hoppe. No elenco, Rooney Mara e Cate Blanchett.

Whiskey Tango Foxtrot, de Glenn Ficara e John Requa
A carismática Tina Fey encarna Kim Barker, uma jornalista designada para cobrir a guerra no Afeganistão e Paquistão. O roteiro ficou a cargo de Robert Carlock, de séries com Unbreakable Kimmy Schmidt, 30 Rock e Saturday Night Life.

Complete Unknown, de Joshua Marston
Se mudando com sua esposa para uma nova cidade Tom (Michael Shannon) se depara em uma festa com uma paixão antiga, Alice (Rachel Weisz), uma mulher acostumada a trocar de identidade com frequência.

A Bigger Splash, de Luca Guadagnino
Depois do elogiado Um Sonho de Amor, Luca Guadagnino repete a parceria com Tilda Swinton nesse drama ambientando na ilha italiana da Pantelleria e baseado no filme A Piscina, de Jacques Deray. Na história, uma famosa estrela do rock e um diretor de cinema são surpreendidos pela presença de um velho amigo e sua filha. Ciúmes, inveja, traição e perigo parecem destinados ao grupo. Swinton, Ralph Fiennes, Dakota Johnson e a sensação do momento, Matthias Schoenaerts, estrelam.

Procurando Dory, de Andrew Stanton e Angus MacLane
Sequência de Procurando Nemo, dessa vez a peixinha Dory decide procurar sua família. Nemo e Marlin saem em busca de Dory, que possuiu problemas de memória. Com as vozes de Ellen DeGeneres, Diane Keaton e Idris Elba.

Brooklyn, de John Crowley
Lançado originalmente em 2015, mas com previsão de estreia apenas para 2016 no país, o filme de Crowley traz a história de uma imigrante irlandesa que desembarca no Brooklyn dos anos 50. Longe da família ela precisa se acostumar com um novo ambiente e uma nova vida. Rapidamente acaba se apaixonando por filho de imigrantes italianos e precisando retornar a sua cidade natal, na Irlanda, ela será confrontada com seu passado e colocada à prova para escolher entre os dois países. Com Saoirse Ronan, Jim Broadbent e Julie Walters.

 

Os 20 melhores filmes de 2015

Entre o circuito comercial e de festivais muitos filmes se destacaram em um ano bem diferente de 2014, trazendo produções de alto nível. Nessa minha lista de 20 filmes destaco aqueles que são apenas estreias comerciais, filmes que estrearam em circuito de salas de cinema. Existe uma outra lista em que destaco produções que ainda não estrearam no país seja com exibição apenas em festivais ou em outros países e pode ser publicada futuramente aqui no site. Por hora, vamos com essa.
20. O olmo e a gaivota, de Petra Costa e Lea Glob
19. Straight Outta Compton, de F. Gary Gray
18. Mapas para as estrelas, de David Cronenberg
17. Casa grande, de Filipe Barbosa
16. Expresso do amanhã, de Joon-Ho Bong
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15. Divertida mente, de Pete Docter e Ronaldo Del Carmen
14. O julgamento de Viviane Amsalem, de Ronit Elkabetz e Shlomi Elkabetz
13. Acima das nuvens, de Olivier Assayas
12. O ano mais violento, de J. C. Chandor
11. O amor é estranho, de Ira Sachs
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10. Beira-mar, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon
9. Star Wars: O Despertar da Força, de J. J. Abrams
8. 45 anos, de Andrew Haigh
7. Garotas, Céline Sciamma
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6. Adeus à linguagem, de Jean-Luc Godard
5. Táxi Teerã, de Jafar Panahi
4. O Clube, de Pablo Larraín
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3. Que horas ela volta?, de Anna Muylaert
2. Phoenix, de Christian Petzold
1. Mad Max: Estrada da fúria, de George Miller

Calvero e Cine UFPel apresentam exibição de Beira-mar

Na próxima sexta-feira, dia 04 de dezembro, realizamos a nossa primeira sessão em parceria com a sala de cinema da UFPel, o Cine UFPel, com a exibição da elogiada produção gaúcha Beira-mar, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon.

Selecionado para o festival de Berlim no começo de 2015, o filme tem uma forte trajetória por festivais internacionais. Na história, a dupla Martin e Tomaz viaja para o litoral gaúcho. Martin precisa encontrar um documento para o pai na casa de parentes, e Tomaz decide acompanhá-lo. Os dois acabam abrigando-se em uma casa de vidro à beira-mar, a fim de fugir da rejeição familiar de Martin e da estranha distância que surgiu entre os dois.

A sessão especial contará com a presença dos diretores que participarão de um debate após a exibição. O evento tem o apoio da Avante Filmes e Vitrine Filmes.

Anote a data e compareça: 4/12 às 19h na sala do Cine UFPel.

Entrada gratuita. Classificação indicativa: 14 anos.

Para maiores informações acesse o evento no facebook.