Julieta e o silêncio que ensurdece

Conversando com alguns amigos sobre Julieta (2016), nova realização de Pedro Almodóvar e selecionada para o Festival de Cannes deste ano, chegávamos sempre a mesma conclusão: a realização menos inspirada do espanhol ainda será um filme muito mais complexo e interessante do que qualquer realização de algum cineasta mediano que apresente surpreendentemente um bom trabalho. E Julieta é exatamente isso. Não é um Almodóvar que avança na linguagem e narrativa ao compararmos com seus filmes anteriores. É uma realização cômoda, nada febril e dentro de uma zona de conforto do realizador. Reforçando as características de seu cinema, o cineasta parte das relações familiares dando importância, como sempre, à maternidade.

julieta4

Com uma riqueza plástica e repleta de metáforas através da direção de arte e fotografia, o diretor constrói a história de sua personagem-título, uma mulher que parece esconder um grande trauma no passado. Enquanto organiza sua mudança e saída de Madrid junto do namorado, Julieta esbarra em uma amiga de infância de sua filha, da qual nem sabíamos da existência. É visível seu incômodo, como se fosse confrontada com algum tipo de assombração. Esse baque repentino abre as comportas de um passado que ela havia fechado e selado para nunca mais visitar. Mãe e filha já não se falam há anos e esse reencontro com uma memória antes esquecida pulsa como uma nova esperança, um sinal divino para que ela não abandone a cidade. A nostalgia consome Julieta a tal ponto que ela decide voltar a viver no prédio em que criou sua filha para, de alguma forma, esperá-la. No local,  lhe resta organizar os pensamentos e colocar a limpo toda a sua história com a filha através de uma longa carta que molda toda a narrativa do filme.

julieta5

A trama tem inspiração no livro Fugitiva, da escritora canadense Alice Munro. São três contos presentes na edição e que ficam transpostos no filme como três atos: Ocasião, Daqui a pouco e Silêncio. Tanto que o título do último conto era o título original do longa do espanhol, mas para não competir com o do novo filme de Martin Scorsese, Almodóvar optou por batizar com o nome de sua protagonista, nada mais adequado, porém, ainda assim é o silêncio que permeia a produção. Mesmo que de uma maneira menos literal esteticamente.

Ao falar sobre incomunicabilidade no âmbito familiar, Almodóvar  não silencia Julieta, muito pelo contrário. A personagem é dona de uma voz poderosa dentro da história através da narração de sua carta. É ela quem nos guia. Tanto que em alguns momentos chega a ser uma intromissão.

As consequências da falta de diálogo, do silêncio entre mãe e filha, é tamanha que configura marcas que não cicatrizam facilmente. Existe um sentimento de culpa por esse distanciamento que de maneira progressiva e muito característica de Almodóvar, vamos descobrindo o porquê. A taciturnidade que acompanha o filme e as personagens trazem em si um silêncio que ensurdece as relações. Com a separação abrupta que a filha busca, Julieta aos poucos anula a existência de sua prole. É como uma vida que nunca existiu, um passado anulado.

julieta1

Ao passo que a narrativa vai e volta com a narração de Julieta, a direção de arte, através dos cenários e figurinos primorosos, utiliza das cores primárias para refletir a simplicidade de sentimentos ou, com entrada das cores secundárias e tons pastel, parte para a complexidade da trama e externa o psicológico conturbado de seus personagens no momento.

Dentre tantos efeitos para refletir o tempo e a psicologia da trama, o diretor coloca em cena uma de suas mais sutis e lindas cenas através de uma elipse temporal de anos quando a filha seca os cabelos de uma Julieta arrasada pela depressão. É o auge de Almodóvar em Julieta. É o máximo de seu experimento com a linguagem na produção. Por mais simples que pareça, é, como comentou-se anteriormente, um grandioso momento. Simples e belo.

Protagonizado por duas grandiosas atrizes, Adriana Ugarte e Emma Suárez, que interpretam Julieta em duas fases, o filme conversa com outros selecionados do Festival de Cannes, em especial o brasileiro Aquarius (2016), de Kleber Mendonça Filho. Ambos trazem a memória como um propulsor de força assombrosa através de grandes mulheres. A “viagem ao tempo” através das lembranças. Almodóvar retoma aqui, mais uma vez, as características do seu cinema  em um dos seus filmes mais femininos. As mulheres, as cores de Almodóvar, os homens coadjuvantes e passivos ou brutos, a trama que aos poucos se revela e o humor sutil estão lá. Se o baque e o impacto faltam, sobre em inteligência e sensibilidade.

 

Rua Cloverfield, 10

Lançado em 2008, Cloverfield: Monstro trouxe de volta para o grande público a estética de gravação amadora e olhar subjetivo, características de filmes como A Bruxa de Blair (1999) e REC (2007). Considerada (inexplicavelmente) notável, na época, a produção apenas construia um suspense relativamente bom com uma tensão razoável. Oito anos depois, ainda com produção de J. J. Abrams, é dado segmento com sua sequência Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Lane, 2016) em uma história que ocorre em paralelo aos eventos dos ataques de seres extraterrestres da produção anterior e, finalmente, mostrando ao que Cloverfield realmente veio.

As motivações e desenvolvimento deste primeiro filme eram um tanto quanto rasos e seus personagens beiravam ao esquecimento, além muito irritantes. Felizmente, encontramos o oposto em sua continuação. A muito expressiva Mary Elizabeth Winstead (de Scott Pilgrim vs. o Mundo) é Michelle, uma aspirante à estilista que abandona o noivo em uma tarde para pegar a estrada à um lugar que não sabemos bem. No percurso a garota sofre um acidente de carro, acordando dias depois em um bunker onde acredita estar sendo feita prisioneira sem saber dos recentes ataques ao planeta.

Cloverfield-10-1

Desenvolver uma explicação do que acontece a partir deste momento pode entregar a trama e pontos-chave da produção. A melhor maneira de assistir à Rua Cloverfield, 10 é saber o menos possível. Mesmo assim, é bom antecipar que a direção de Dan Trachtenberg é esperta e o roteiro do trio Josh Campbell, Matthew Stuecken, Damien Chazelle ganha muito por deixar de lado a câmera amadora subjetiva e já datada.  No geral, encontramos um ótimo alinhamento entre os seus aspectos técnicos e narrativos. Se a trilha sonora se torna exagerada em alguns momentos, a interpretação não é nenhum pouco afetada. John Goodman interpretando o instável Howard, dono do bunker, é de uma intensidade impressionante em cena.

cloverfield3-xlarge

Se valendo de comparações entre micro e macro espaço, o fechado e o amplamente aberto,  Trachtenberg constrói seu filme claustrofóbico sabendo que toda a história de invasores e reféns vai bem além de um engenhoca alienígena, servindo, como em muitos casos, de mais uma metáfora. Os momentos de maior impacto são exatamente aqueles que não residem grandes explosões ou raças desconhecidas, mas sim a dualidade e complexidade do ser humano, que é colocada à prova constantemente. Para coroar com perfeição, finalmente são apresentadas motivações dos personagens de forma mais verossímeis, se comparadas com a do primeiro filme. Se o protagonista anterior parecia exageradamente romântico e pollyanesco, tendo como impulso maior o amor por uma garota e ir ao seu encontro em meio aos ataques, aqui em Rua Cloverfield, 10 os realizadores focam em questões relativas a abusos, sobrevivência e liberdade, conceitos e motivações que são muito mais maduros. Maturidade é a palavra que melhor define esse mais novo passo de uma hipotética futura trilogia ou saga Cloverfield.

Expectativa – 30 filmes para 2016

Depois de um 2015 movimentado com ótimos retornos de George Miller e Godard, o ano de 2016 parece que será também bem agitado. Pedro Almodóvar lança mais um drama feminino, Martin Scorsese realiza um dos seus projetos mais aguardados em anos, a francesa Claire Denis e Kléber Mendonça Filho também retornam.

Listamos esses e muitos outros filmes em uma seleção de 30 títulos que estamos com grandes expectativas para esse ano que se inicia.

Midnight Special, de Jeff Nichols
Diretor de pérolas do cinema atual como Amor Bandido e O Abrigo, Nichols embarca agora em uma trama na qual pai  e filho saem em fuga após a descoberta de que o garoto possui poderes especiais. No elenco, Michael Shannon reprisa a parceria com o diretor e ainda contracena com nomes como Kirsten Dunst, Adam Driver e Joel Edgerton.

Zama, de Lucrecia Martel
Diretora de clássicos contemporâneos como O Pântano e A mulher sem cabeça, Lucrecia Martel traz aqui um épico sobre a colonização espanhola na América Latina. Uma adaptação da obra do argentino Antonio di Benedetto. Co-produzido pela brasileira Bananeira Filmes, de Vania Catani, tem no elenco Lona Dueñas e Matheus Nachtergaele. Atualização: Zama teve seu lançamento adiado para 2017.

Julieta, de Pedro Almodóvar
Entitulado anteriormente de Silencio, mas que teve seu título alterado para não causar conflitos com outro filme de grande expectativa esse ano, Silencio, de Martin Scorsese, Almodóvar retorna ao seu cinema que destaca as mulheres e protagonistas complexas em um dramalhão típico. Cogita-se que a estreia do filme aconteça no próximo festival de Cannes.

Silencio, de Martin Scorsese
No século XVII dois padres jesuítas enfrentam momentos de violência e perseguição quando viajam para o Japão com a missão de localizar seu mentor e ainda propagar os valores cristãos. Scorsese dirige essa adaptação do livro de Shûsaku Endô com Adam Driver, Liam Neeson e Andrew Garfield.

Personal Shopper, de Olivier Assayas
Kristen Stewart reprisa a parceria com Assayas e embarca no cruel mundo da moda de Paris para esse drama fashion falado em inglês. Vencedor do Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes 2016.

Aquarius, de Kleber Mendonça Filho
Cotado até mesmo para a seleção de Cannes, Aquarius é uma ficção científica que traz Sonia Braga interpretando uma crítica musical capaz de viajar no tempo. Selecionado para o Festival de Cannes 2016.

Frantz, de François Ozon
A noiva de um soldado falecido na Primeira Guerra Mundial visita o túmulo do amado e nota a presença de um homem misterioso que deixou flores para o seu noivo.

Elle, de Paul Verhoeven
Nesse novo thriller erótico de Verhoeven, Isabelle Ruppert interpreta Michelle, uma CEO de uma grande corporação de jogos de videogame. Atacada por um assaltante em sua própria casa ela decide não se dar por vencida e incia um jogo de gato e rato em uma trama em espiral. Selecionado para o Festival de Cannes de 2016.

Christine, de Antonio Campos
Filho do jornalista Lucas Mendes, Antonio Campos já mostrou ao que veio com produções como Simon Killer e Afterschool. Um cineasta para ficar de olho, Campos agora lança em Sundance essa produção baseada em fatos reais sobre a jornalista Christine Chubbuck, que em 1974 cometeu suicídio ao vivo em plena televisão aberta. Rebecca Hall interpreta Chubbuck. Selecionado para o Festival de Sundance de 2016.

Little Men, de Ira Sachs
A amizade de dois melhores amigos é testada quando os pais dos garotos iniciam uma briga devido ao roubo de um vestido. Sachs reprisa a parceria com seu parceiro Mauricio Zacharias nessa produção que tem no elenco grandes nomes como Paulina Garcia, Greg Kinnear, Jennifer Ehle e Alfred Molina.

How to talk to girls at Parties, de John Cameron Mitchell
Sem filmar um longa-metragem desde Reencontrando a Felicidade, de 2010, John Cameron Mitchell retorna aos sets para adaptar o conto de Neil Gaiman sobre um extra-terrestre que faz uma excursão pela galáxia, se perde do seu grupo, acaba caindo na Terra e conhece duas jovens do subúrbio londrino. Rotulado como uma comédia romântica e musical, Mitchell revisitará os tempos de Hedwig and the angry inch. No elenco, Elle Fanning, Ruth Wilson, Matt Lucas e uma participação especial de Nicole Kidman como uma rockstar.

Ma Loute, de Bruno Dumont
No verão de 1910 diversos turistas desaparecem enquanto relaxam nas belas praias do Canal da Costa. É quando os detetives Machin e Malfoy se reunem no epicentro desses misteriosos desaparecimentos chegando a conclusão que podem estar relacionados a folga da baía, um fenômeno único no qual a folga do rio e o mar se juntam em uma gigantesca onda. No elenco, Juliette Binoche e Valeria Bruni Tedeschi.

Apenas o fim do mundo, de Xavier Dolan
Um escritor retorna 12 anos depois ao vilarejo em que vive a sua família, no interior da França, com o propósito de anunciar que está morrendo. No elenco nomes como Léa Seydoux, Marion Cottilard, Vincent Cassel e Gaspard Ulliel. Vencedor do Prêmio Ecumênico e o Prêmio do Júri do Festival de Cannes de 2016.

The Bad Batch, de Ana Lily Amirpour
Depois do elogiado Garota Sombira Caminha pela Noite, Amirpour retrata uma história de amor distópica no deserto do Texas em uma comunidade de canibais. No elenco, Jim Carrey, Keanu Reeves e Diego Luna.

High Life, de Claire Denis
Roteiro co-escrito por Denis e a escritora britânica Zadie Smith, o filme trata de um grupo de criminosos que aceitam uma missão espacial na qual serão sujeitos a uma série de experimentos a respeito da reprodução humana. No elenco, Robert Pattinson, Mia Goth e Patricia Arquette. Atualização: O lançamento de High Life foi adiado para 2017.

The Zookeeper’s Wife, de Niki Caro
Drama sobre os donos de um zoológico, Jan e Antonina Zabinski, que salvaram diversas pessoas e animais durante a invasão nazista na Polônia. Jessica Chastain interpreta Antonina.

Certain Women, de Kelly Reichardt
Três mulheres têm suas vidas cruzadas em uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos em um momento em que cada uma enfrenta um desafio extremo.

Wiener-Dog, de Todd Solondz
Sem lançar uma produção válida de atenção há algum tempo, Solondz reúne um grande elenco com nomes como Greta Gerwig, Ellen Burstyn, Julie Delpy e Danny DeVito nessa produção que trata, de forma característica dos filmes do diretor, sobre diversas pessoas que encontram suas vidas inspiradas pelo mesmo cachorro-linguiça (dachshund).

Weightless, de Terrence Malick
Toda lista de expectativas a cada ano, nos últimos três, e  que se preze cita o adiado drama musical de Terrence Malick. Filmado durante um renomado festival musical americano em 2011 e 2012, o filme reúne bandas como Arcade Fire, Iron and Wine e Fleet Foxes com um elenco de nomes como Cate Blanchett, Michael Fassbender, Rooney Mara e Ryan Gosling.

Arrival, de Denis Villeneuve
Quando aliens ameaçam invadir a Terra, uma linguista é recrutada para descobrir se eles vieram em paz ou destinados a uma guerra. Amy Adams protagoniza.

La Fille inconnue, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
Uma médica fica obcecada por descobrir a identidade de uma mulher que morreu após se recusar a ser operada no hospital em que trabalha.

A Rainha de Katwe, de Mira Nair
Lupita Nyong’o e David Oyelowo estrelam essa produção sobre uma prodígia ugandense em xadrez que se torna candidata ao título máximo da competição do esporte.

Elis, de Hugo Prata
Cinebiografia da “Pimentinha”, o filme de Hugo Prata abordará a chegada da cantora gaúcha ao Rio de Janeiro em pleno golpe militar de 1964. No elenco estão Andreia Horta e Caco Ciocler.

De onde eu te vejo, Luiz Villaça
Recém separados, Ana e Fábio passam a morar em sozinhos em apartamentos que ficam um de frente para o do outro. Enquanto isso, a filha do casal está de mudança para outra cidade, levada pela faculdade. O casal precisará se ajustar para viver essa nova vida. Denise Fraga, Domingos Montagner e Laura Cardoso estão no elenco.

Para minha amada morta, de Aly Muritiba
Vencedor do Festival de Brasília de 2015 e diversos prêmios em outros festivais e mostras, Para minha amada morta finalmente chega aos cinemas embalado por essa ótima recepção. Com a morte de sua esposa, Fernando torna-se instrospectivo. Cercado de objetos e lembranças da falecida ele descobre uma fita VHS que o surpreende e coloca em dúvida o amor e luto pela esposa. Ele entra em uma investigação própria que consume seus dias, se tornando uma obsessão.

O Silêncio do Céu, de Marco Dutra
Produção de Rodrigo Teixeira rodada em Montevidéu, esse thriller dirigido por Dutra (de Trabalhar Cansa e Quando eu era vivo) traz no elenco Carolina Dieckmann e Leonardo Sbaraglia (Plata Quemada) e trata da história de um homem que testemunha sua mulher ser violentada por dois homens. Em estado de choque ele paralisa e não consegue reagir a situação. Sem saber que o marido presenciou o crime, ela escolhe manter segredo. O roteiro da produção é de Caetano Gotardo, Sergio Bizzio e Lucía Puenzo.

Mãe só há uma, de Anna Muylaert
Depois do estouro de Que horas ela volta?, Anna Muylaert ainda tem uma outra carta na manga. Em Mãe é uma só a diretora aposta na história de um menino roubado na maternidade que cresce com a família trocada. Um dia o garoto descobre o fato e a vida da família vira de ponta-cabeça.

A glória e a graça, de Flávio R. Tambellini
Carolina Ferraz interpreta Glória, um transexual bem sucedido que vive distante da família, incluindo sua irmã Graça. Ao descobrir que está com uma doença terminal, Graça tenta se reaproximar de Glória.

Nocturnal Animals, de Tom Ford
Baseado no livro de Austin Wright o filme de Ford trata de uma história dentro de uma história. Na primeira parte o foco é na trama de Susan, personagem que recebe o manuscrito de um livro do seu ex-marido, que ela deixou há 20 anos, querendo saber a opinião dela. O segundo segmento da produção é abordada a dramatização do livro chamado de Animais Noturnos, ao passo que Susan precisa encarar alguns eventos do passado. No elenco estão Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Aaron Taylor-Johnson, Isla Fisher e Michael Shannon.

Rogue One – Uma História de Star Wars, de Gareth Edwards
Um grupo de guerreiros da resistência se unem para uma perigosa missão: roubar os planos do Império para a Estrela da Morte. Felicity Jones, Diego Luna, Riz Ahmed Forest Whitaker e  Mads Mikkelsen estão no elenco.

Absolutely Fabulous, de Mandie Fletcher
Adaptação para as telas da série dos anos 90 de grande sucesso na Europa sobre Edina e Patsy, duas solteironas que já passaram dos quarenta e vivem no mundo fashion repleto de drogas e álcool. Humor nonsense característico dos britânicos sempre tem aquela classe. No elenco estão Jennifer Saunders, Joanna Lumley, Gwendoline Christie, Rebel Wilson e Joan Collins.

Carol, de Todd Haynes
Lançado originalmente em 2015, Carol só chega aos cinemas brasileiros no começo desse mês, dia 14 de janeiro, mas já é desde o festival de Cannes do ano passado um dos títulos mais interessantes. Adaptação do livro de Patricia Highsmith sobre o romance entre uma vendedora de loja de departamentos e uma dona-de-casa instatisfeita, Haynes abraça os melodramas dos anos 50 para contar essa história com fotografia influenciada pelas pinturas de Edward Hoppe. No elenco, Rooney Mara e Cate Blanchett.

Whiskey Tango Foxtrot, de Glenn Ficara e John Requa
A carismática Tina Fey encarna Kim Barker, uma jornalista designada para cobrir a guerra no Afeganistão e Paquistão. O roteiro ficou a cargo de Robert Carlock, de séries com Unbreakable Kimmy Schmidt, 30 Rock e Saturday Night Life.

Complete Unknown, de Joshua Marston
Se mudando com sua esposa para uma nova cidade Tom (Michael Shannon) se depara em uma festa com uma paixão antiga, Alice (Rachel Weisz), uma mulher acostumada a trocar de identidade com frequência.

A Bigger Splash, de Luca Guadagnino
Depois do elogiado Um Sonho de Amor, Luca Guadagnino repete a parceria com Tilda Swinton nesse drama ambientando na ilha italiana da Pantelleria e baseado no filme A Piscina, de Jacques Deray. Na história, uma famosa estrela do rock e um diretor de cinema são surpreendidos pela presença de um velho amigo e sua filha. Ciúmes, inveja, traição e perigo parecem destinados ao grupo. Swinton, Ralph Fiennes, Dakota Johnson e a sensação do momento, Matthias Schoenaerts, estrelam.

Procurando Dory, de Andrew Stanton e Angus MacLane
Sequência de Procurando Nemo, dessa vez a peixinha Dory decide procurar sua família. Nemo e Marlin saem em busca de Dory, que possuiu problemas de memória. Com as vozes de Ellen DeGeneres, Diane Keaton e Idris Elba.

Brooklyn, de John Crowley
Lançado originalmente em 2015, mas com previsão de estreia apenas para 2016 no país, o filme de Crowley traz a história de uma imigrante irlandesa que desembarca no Brooklyn dos anos 50. Longe da família ela precisa se acostumar com um novo ambiente e uma nova vida. Rapidamente acaba se apaixonando por filho de imigrantes italianos e precisando retornar a sua cidade natal, na Irlanda, ela será confrontada com seu passado e colocada à prova para escolher entre os dois países. Com Saoirse Ronan, Jim Broadbent e Julie Walters.

 

Os 20 melhores filmes de 2015

Entre o circuito comercial e de festivais muitos filmes se destacaram em um ano bem diferente de 2014, trazendo produções de alto nível. Nessa minha lista de 20 filmes destaco aqueles que são apenas estreias comerciais, filmes que estrearam em circuito de salas de cinema. Existe uma outra lista em que destaco produções que ainda não estrearam no país seja com exibição apenas em festivais ou em outros países e pode ser publicada futuramente aqui no site. Por hora, vamos com essa.
20. O olmo e a gaivota, de Petra Costa e Lea Glob
19. Straight Outta Compton, de F. Gary Gray
18. Mapas para as estrelas, de David Cronenberg
17. Casa grande, de Filipe Barbosa
16. Expresso do amanhã, de Joon-Ho Bong
olmo-zupi3
15. Divertida mente, de Pete Docter e Ronaldo Del Carmen
14. O julgamento de Viviane Amsalem, de Ronit Elkabetz e Shlomi Elkabetz
13. Acima das nuvens, de Olivier Assayas
12. O ano mais violento, de J. C. Chandor
11. O amor é estranho, de Ira Sachs
star-wars-the-force-awakens-daisy-ridley
10. Beira-mar, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon
9. Star Wars: O Despertar da Força, de J. J. Abrams
8. 45 anos, de Andrew Haigh
7. Garotas, Céline Sciamma
45-Years-xlarge
6. Adeus à linguagem, de Jean-Luc Godard
5. Táxi Teerã, de Jafar Panahi
4. O Clube, de Pablo Larraín
386272
3. Que horas ela volta?, de Anna Muylaert
2. Phoenix, de Christian Petzold
1. Mad Max: Estrada da fúria, de George Miller

Calvero e Cine UFPel apresentam exibição de Beira-mar

Na próxima sexta-feira, dia 04 de dezembro, realizamos a nossa primeira sessão em parceria com a sala de cinema da UFPel, o Cine UFPel, com a exibição da elogiada produção gaúcha Beira-mar, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon.

Selecionado para o festival de Berlim no começo de 2015, o filme tem uma forte trajetória por festivais internacionais. Na história, a dupla Martin e Tomaz viaja para o litoral gaúcho. Martin precisa encontrar um documento para o pai na casa de parentes, e Tomaz decide acompanhá-lo. Os dois acabam abrigando-se em uma casa de vidro à beira-mar, a fim de fugir da rejeição familiar de Martin e da estranha distância que surgiu entre os dois.

A sessão especial contará com a presença dos diretores que participarão de um debate após a exibição. O evento tem o apoio da Avante Filmes e Vitrine Filmes.

Anote a data e compareça: 4/12 às 19h na sala do Cine UFPel.

Entrada gratuita. Classificação indicativa: 14 anos.

Para maiores informações acesse o evento no facebook.

Sobre começar

Pelotas é uma cidade que possui dois cursos acadêmicos voltados ao cinema e uma importância histórica no cinema nacional. Logo, está carregada pela potencialidade de se tornar um pólo de produção audiovisual com a formação de profissionais que estudam na área. Poucos sabem, mas a nossa cidade também possui certa tradição quando a crítica cinematográfica. Isso se deu através de Paulo Fountoura Gastal, melhor conhecido como P. F. Gastal. Alguns podem se lembrar pelo nome da sala de cinema da Prefeitura de Porto Alegre.

P.F. começou escrevendo pequenos textos publicitários para as sessões que aconteciam no Cine Capitólio, local que atualmente está esquecido e à venda. Depois de certo tempo passou a se dedicar à algumas críticas para o Diário Popular, contando um pouco do que assistia nas (muitas) telonas que Pelotas um dia já possuiu. Um de seus pseudônimos era Calvero, referência direta ao personagem criado por Chaplin, um palhaço triste de Luzes da Ribalta (1952).

O acesso aos filmes era outro naquela época. Não existiam blogs, Facebook e nem televisão a cabo, Youtube, Netflix, Popcorn Time, e tantas outras forma de se assistir e comentar sobre audiovisual. Existiam as salas de cinema com suas matinês, suas sessões de arte, os jornais, as pessoas que se reuniam (veja só!) para discutir cinema. E existia alguém como Gastal, que comentava os filmes através de seus textos, com seu preciosismo de nos contar cada experiência que vivenciava dentro das salas de cinema que o inspiravam. As quais nos inspiram também. Aliás, a nostalgia de vivenciar mais uma vez esses espaços vive em cada pelotense que viu a cidade ser tomada por cinemas. Além de inspirados por todos esses espaços, pela efervecência que já existiu na cidade e o trabalho excepcional de Gastal o que nos motiva é a vontade de falar sobre cinema, de torná-lo acessível.

A Calvero nasceu como uma tentativa de ser um espaço de reflexão sobre as mais diversas expressões. Essecialmente nossa força motriz é o cinema, mas isso não quer dizer que a música, a literatura e as artes visuais como um todo não terão espaço. Gostaríamos de aproximar ainda mais o público e os leitores pelotenses do cinema. Inicialmente planejada para ser impressa em formato de zine, a Calvero se ramifica em diversas formas como esse site, uma futura sessão de cinema e muito mais.