Os universos de Aronofsky e Mãe!

É bem provável que toda análise que se detenha à nova realização de Darren Aronofsky, Mãe! (mother!, 2017), inicie avisando seus leitores que algumas revelações importantes sobre a trama serão feitas durante a leitura. É complexo dissertar e, principalmente, opinar sobre a produção sem entregar pontos-chave da história. Afinal, a maneira como o filme também foi vendido não representa o que ele realmente é. São contornos e desvios que a produção toma ao longo de sua projeção que surpreende ser um produto de um estúdio de Hollywood em uma época na qual esse tipo de produção se tornou uma anomalia para os produtores e distribuidores de larga escala. Afinal, já se vão anos em que o investimento e espaço para produções com teor mais intelectual e viés dramático perderam território para alienígenas com capas coloridas e super poderes. E, independente das opiniões serem divergentes sobre a qualidade de Mãe!, não há como negar a sua importância nesse cenário saturado.

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Precisamos ler sobre Kubrick

As entrevistas concedidas por Kubrick podiam ser chamadas de raridades. Recluso e excêntrico, foram poucos os momentos em que o cineasta americano se mostrava receptivo em abordar sua filmografia e processo de criação. Não é à toa que Kubrick (Michel Ciment, trad. Eloisa Araújo Ribeiro, 2017, 370p.), lançado anteriormente pela Cosac Naify e agora relançado em outra belíssima edição pela editora Ubu, é um exemplar que se detém mais em depoimentos de profissionais próximos do cineasta do que declarações do próprio. Mas assim é de um rigor e primor que avança até mesmo abrangendo sua última realização, o excepcional De Olhos Bem Fechados (1999), o qual o diretor faleceu antes de assistir finalizado.

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Os reflexos de Uma Mulher Fantástica

No decorrer de Uma Mulher Fantástica (Una Mujer Fantastica, 2017), dirigido pelo argentino-chileno Sebastián Lelio, a protagonista, Marina (Daniela Vega), acaba ouvindo de alguns personagens que eles não conseguem enxergá-la, que não sabem dizer ao certo o que ela personifica e até mesmo a comparam com uma quimera, o conhecido monstro mitológico com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente. A violência dessa associação se dá pela transsexualidade da personagem e a ignorância daqueles que a rodeiam. São reflexos de uma sociedade que ao não compreender o que presencia, se torna irracional, preconceituosa e violenta.

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Na Vertical – Na terra dos homens

Alain Guiraudie desenvolve um cinema que primordialmente retrata o universo do homem e a sua masculinidade, além dos relacionamentos e sexualidade ambíguos. Dentro desse ambiente essas facetas surgem e se revelam profundas como forma de conforto ou sobrevivência. Na Vertical (Rester Vertical, 2016), selecionado para o Festival de Cannes em 2016, talvez seja o auge do diretor em retratar o conflituoso e dúvido universo de seus personagens masculinos. Misturando o onírico com um tom quase documental, Guiraudie realiza um filme de reações extremas tanto dos personagens como dos espectadores.

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O descompasso de Tal Mãe, Tal Filha

Tal Mãe, Tal Filha (Telle Mère, Telle Fille, 2017) não possui grandes qualidades, aliás, talveznão possua nenhuma. É um filme histérico, desajustado com piadas pobres e uma edição que deixa a desejar. Parece uma produção que não sabe o que é e atira para todos os lados com reviravoltas e reações descompassadas. Noémi Saglio, diretora e co-roteirista cria situações em que as ações beiram ao ridículo sem nunca cair no tom que busca: o cômico.

A graça se transforma em vergonha alheia facilmente na história de uma mãe extrovertida, Manon (Binoche), e Avril (Camille Cottin) a sua filha grávida. Elas são contrapontos. Enquanto a mãe é destrambelhada, a filha é o cúmulo da organização e controle. A relação que já é amarga e conflituosa, desanda ainda mais depois que Avril descobre que sua mãe quarentona está grávida logo quando ela também está. Reside aí uma justificativa que pouco convence na narrativa: a filha acha que Manon está roubando o seu protagonismo. É uma desavença histérica que não instiga e se desenvolve corretamente no formato de comédia nonsense.

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A criação do horror em Alien Covenant

Na emblemática canção “Like a Rolling Stone”, Bob Dylan diz “Se você não tem nada, não há nada a perder”. Mesmo sem ser citada durante a projeção ou ter qualquer ligação direta a Alien Covenant (2017), a nova investida de Ridley Scott na sua saga alienígena iniciada nos anos 70 com Alien – O Oitavo Passageiro, o trecho da canção de Dylan parece ecoar em diversos momentos, é claro, em um contexto muito diferente. Em meio a humanos, deuses e androides, o diretor britânico reutiliza sua estrutura narrativa, a qual virou um dos padrões para os filmes do gênero, e lança diversas abordagens sobre o conceito de criação, nascimento, fé, paternalismo e as últimas consequências dos horrores de cada um desses temas impulsionados pela perda e o isolamento.

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Coitus interruptus: Cinquenta tons mais escuros de frustração

Fifty Shades Darker
É chover no molhado comentar que existem livros e filmes que tratam da temática erótica com maior êxito do que a trilogia Cinquenta Tons de Cinza. A obviedade é gritante, porém nunca é demais lembrar. Lembrar também que a escrita de E. L. James é primária, contida e fria, e que seu controle sobre a produção cinematográfica baseada em seus livros é o que leva a serem realizados filmes sem profundidade alguma que mais ameaçam do que realmente cumprem. Mesmo originada de um fanfic da terrível saga Crepúsculo, existia uma promissora storyline inicialmente na trama ao tratar do embate de poderes entre os sexos.

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